New Avengers

Capa do New Avengers:
http://www.newsarama.com/Marvel/NewAvengers/new_avengers_sketch.jpg

Ou “como dois anos sem tocar num lápis transformaram Joe Quesada em Rob Liefeld”. É feio pra dedéu. Prestem atenção no Wolverine mega-ombros e no Capitão América inflável. Feiaço pra caralho.

Quadrinhos da Semana (3/11)

ASTONISHING X-MEN 6
Marvel
Texto: Joss Whedon
Arte: John Cassaday

John Cassaday continua brilhante na arte desta revista, mas Joss Whedon cai num certo anti-clímax na conclusão deste seu primeiro arco. A história sofre de um exagero de infodumping nos primeiros dois terços da revista. Ainda assim, um final razoável. A abordagem de Whedon em relação aos X-Men é a clássica e aqui isso não é ruim. Mas algumas idéias inovadoras surgem: o soro capaz de curar os mutantes, por exemplo. Mas falta algo que catapulte as idéias de Whedon para algo além de uma mera homenagem aos X-Men clássicos dos anos 80.
Tá, é Bacana (7 /10)

AVENGERS 503
Marvel
Texto: Brian Bendis
Arte: David Finch.

A conclusão de Avengers Disassembled. Os Vingadores (dezenas deles) ficam várias e várias páginas parados como idiotas, escutando o Doutor Estranho explicar o plot da história para eles. Descobrimos que a responsável por todas as mortes é a Feiticeira Escarlate, enlouquecida após descobrir (ou relembrar) que havia tido um par de filhos anos atrás. Este é um dos piores quadrinhos que já li na vida – e olha que leio quadrinhos desde os 3 anos de idade. os diálogos são ruins e forçados; o plot é inexistente; os personagens se comportam de forma estúpida; e a aparição de Estranho é um conveniente deus ex-machina. O desenho de David Finch é tenebroso e o cara ainda é preguiçoso, reaproveitando os mesmos quadros várias vezes seguidas. Isso nem chega a ser um quadrinho muito ruim: é um fanfic muito ruim. Realmente deprimente. E sabem o que é o pior? Brian Bendis é considerado um “ótimo escritor”. OK, a única história que ele conta há anos no Demolidor não é ruim, mas quando ele sai de lá, faz cagadas como esta saga. Ótimos escritores não são tão instáveis assim e nem seus erros são baixos dessa forma. Disassembled é errada de tantas formas que seria preciso mais espaço e esforço para falar sobre ela, coisas que não estou disposto a conceder a esta tralha. Este é o último número desta revista, que será relançada no mês que vem como New Avengers. Vou dar uma chance de uma edição para Bendis me impressionar – e muito. Caso contrário, vou deixar de resenhar e ler esta série enquanto ele for o “roteirista” (ah, ah).
Fuja Desta Merda (0 / 10)

AVENGERS – EARTH’S MIGHTIEST HEROES 1
Marvel
Texto: Joe Casey
Arte: Scott Kolins

Minissérie em oito edições, contando o que aconteceu entre as cenas mostradas nas primeiras edições de Avengers, por Stan Lee e Jack Kirby. Casey é um bom escritor e claramente ama estes personagens. As cenas novas são inteligentes e acrescentam um toque de tensão e caracterização que enriquece as histórias originais. Várias boas cenas, como o Hulk saltando para longe da Mansão, envergonhado por não conseguir assinar seu nome. Não gosto do estilo de Kolins, mas sua arte aqui é surpreendentemente funcional e adequada, com bons momentos. Nada demais, mas uma obra-prima perto da fase horrenda em que os Vingadores estão agora.
Muito Legal (8 / 10)

CAPTAIN AMERICA AND THE FALCON 9
Marvel
Texto: Priest
Arte: Jack Jadson

Muita intriga, cenas de tensão e boa caracterização… numa trama pra lá de complicada e que já deveria ter terminado. Diabos, estamos no número 9 e pouca coisa se resolveu até agora. Este era o principal problema de Christopher Priest (agora apenas Priest) em Black Panther e The Crew e ele permanece nesta série. Boas histórias, que se arrastam por edições demais. E Jack Jadson não é uma boa escolha para artista fill-in: falta personalidade e ele não atrai o interesse do leitor para a história, que a esta altura já deixou de ser interessante e ficou chata.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

DEMO 11
AiT/Planet Lar
Texto: Brian Wood
Arte: Becky Cloonan

Eu adoro os trabalhos anteriores de Brian Wood, mas não estou conseguindo gostar desta série. OK< o design de Wood continua ótimo; as capas, contracapas e diagramação das páginas surpreendem. Mas, no fim das contas, apesar de uma proposta indie, Demo continua sendo uma história de super-heróis e o sense of wonder aqui é zero. Super-heróis e a chatice e o vazio da realidade são auto-excludentes. Como resultado, você não consegue se importar com o que acontece com nenhum dos personagens. Demo parece tentar desesperadamente soar cool e modernamente pop. Como essa claramente não era a intenção de Wood, algo deu errado. Indie e chata demais para ser pop e interessante; super-heroística demais para ser um bom quadrinho indie. Um híbrido mal-sucedido. E, OK, deixando o hype de Brian Wood e Larry Young de lado, Becky Cloonan continua sendo mais uma desenhista americana que imita mangá, no fim das contas. Bom, não vejo a hora disso acabar e Brian Wood voltar com um novo Channel Zero ou Couriers.
Só Para Fãs (6 / 10)

DETECTIVE COMICS 800
DC
Texto: Andersen Gabrych
Arte: Pete Woods

Coube a Gabrych amarrar as pontas soltas da saga War Games. E até que ele faz isso de forma razoável, dadas as condições. Resumindo: Barbara Gordon e seu pai, o Comissário Gordon, estão partindo de Gotham. Os vigilantes mascarados foram proibidos peloa polícia e essa é a deixa para que todo o elenco do universo de Batman também deixe a cidade (Robin, Caçadora, Batgirl, etc). Batman está novamente sozinho em Gotham, sem sidekicks e sem Oráculo e novamente perseguido pela polícia, como na época de Ano Um. Até que é um setup interessante e que ao menos pode render boas histórias. Aqui, Gabrych mostra o morcego enfrentando o Chapeleiro Louco e uns traficantes de heroína da Yakuza. Nada demais, mas funciona. A história de backup é de David Lapham (texto e desenhos), o cara que escreve a sensacional série Stray Bullets e que a partir da próxima edição será o novo roteirista de Detective Comics. O problema é que, se esta história curta for um sinal do que vem por aí, estamos mal. Que coisa pretensiosa e insuportável.
Só Para Fãs (5 / 10)

FALLEN ANGEL 17
DC
Texto: Peter David
Arte: David Lopez

Putz, este arco está cada vez melhor. Fallen Angel enfrenta um dos emissários da Hierarchy, o misterioso grupo que controla a cidade de Bête Noire. E Shadow Boxer faz a maior merda de sua vida, alterando o rumo da gravidez de Lee (Fallen Angel) e da revista como um todo no cliffhanger mais inesperado do ano. Uma série sensacional. O número que vem – 18 – seria o último, graças às baixas vendas, mas a reimpressão e distribuição gratuita do número 1 e uma campanha promovida pelos blogs de quadrinhos garantiu uma inesperada subida nas vendas, de última hora. Os TPBs chegaram a vender 30% a mais. Ótima notícia. Peter David e esta excelente revista merecem mais uma chance. A chance é pequena (a DC vai lançar mais duas edições, 19 e 20, e esperar que as vendas aumentem para continuar a revista), mas já é alguma coisa. Compre já.
BUENO EXCELLENTE! (10 / 10)

HULK AND THING: HARD KNOCKS 3
Marvel Knights
Texto: Bruce Jones
Arte: Jae Lee

Duas perguntas: o que acontece com Jae Lee que ele só escolhe projetos furados para desenhar? E o que acontece com Bruce Jones, que de excelente roteirista nos anos 80 virou esse picareta chato atual? Jones tenta soar esperto e fazer diálogos modernos e acaba apenas parecendo seu pai tentando dançar break. Hulk e Coisa batem papo no deserto e até que existe uma boa idéia por trás de tudo (a barra-pesada que é ser um monstro como o Coisa e o Hulk). Mas uma boa idéia que poderia muito bem ter gerado uma edição especial, não uma minissérie em quatro partes). Juntamente com o último ano da revista do Hulk, esta mini é uma triste despedida desta volta de Jones à Marvel. Só resta torcer para que seus próximos projetos, desta vez pela Vertigo, sejam melhores e lembrem seus bons tempos.
Só Para Fãs (6 / 10)

JLA CLASSIFIED 1
DC
Texto: Grant Morrison
Arte: Ed McGuinness

A volta dos Ultramarines! A destruição da cidade de Kinshasa! Gorila Grodd em atos de canibalismo! Gorilas voadores com pistolas lasers. Batman e seu “armário sci-fi”. O laboratório da LIga da Justiça em Plutão. O micro-universo cúbico de Qwewq! Em duas páginas desta edição há mais coisas acontecendo que em dez revistas escritas por Warren Ellis ou Brian Bendis. Em um mercado editorial onde a última tendência é o desleixo no plot e a preguiça de idéias disfaraçada de “descompressão”, é um alívio e um verdadeiro Prozac ler esta história. É a volta de Morrison à sua JLA, na estreía desta revista que conterá histórias da Liga da Justiça em um rodízio de autores. Morrison e McGuinness (Deadpool) estréiam o título em altíssimo nível. Na clássica pergunta de Batman para Alfred, na Bat-Caverna: “Meu disco voador já veio da fábrica?”.
Excelente (9,5 / 10)

SLEEPER – SEASON TWO 5
Wildstorm
Texto: Ed Brubaker
Arte: Sean Phillips

Uma edição atípica, onde o agente Lynch lembra uma antiga missão onde tudo deu errado e sua infeliz relevância para a atual situação. Brubaker dá uma acelerada no plot – e em boa hora. Os desenhos de Sean Phillips, como sempre, estão ótimos. Boas idéias, mas fica sempre aquela impressão de que esta série seria bem melhor se não tivesse lugar no “universo Wildstorm”.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

SWAMP THING 9
Vertigo
Texto: Joshua Dysart
Arte: Enrique Breccia

Trazer o Monstro do Pântano de volta se revelou uma péssima idéia desde o início. A série original, imortalizada por Alan Moore, teve um final brilhante, arquitetado por Grant Morrison e Mark Millar. Não precisavam ter ressuscitado a revista. E parece que não há quem dê jeito nisso: Andy Diggle, ótimo roteirista de The Losers e Adam Strange, falhou nas primeiras edições desta nova série. O arco anterior, por Will Pfeiffer, também primou pelo tédio. E a chegada do novo escritor, Joshua Dysart, nesta edição, põe fim de vez às minhas esperanças. Após quase três décadas, não há mais nada que garanta o interesse em Alec Holland, Abby Cable e Tefé. Chega. Nesta sua primeira edição nos roteiros, Dysart enrola e enrola com cenas de lesbianismo barato entre Tefé e sua amiga de escola, cenas de psicodelia de boteco e trechos óbvios passados no inferno, tudo isso para… trazer de volta Anton Arcane. Não!!!!!! Arcane voltando do inferno para atazanar Abby e o Monstro é uma idéia que já tinha sido feita até a morte ainda na série original, o que dirá agora. Enfim, com esta edição estou deixando de ler e resenhar esta revista, que fatalmente não vai durar mais muito tempo. Não há mais nada de novo a ser feito com estes personagens e estes conceitos. A época do Swamp Thing passou. Deixem o personagem em paz. Uma pena que o sensacional e lendário Enrique Breccia seja desperdiçado nesta bomba. E, putz, esta revista ainda tem cajuns falando com aqueles “sotaques bizarros de estrangeiros de quadrinhos”. Façam-me o favor, né?
Uma Porcaria (4 / 10)

SYLVIA FAUST 2
Image
Texto: Jason Henderson
Arte: Greg Scott

Esta minissérie em quatro partes é algo tão offbeat e estranho que fica interessante. Sylvia Faust é uma princesa de outra dimensão mística obrigada a viver neste nosso planetinha. A idéia é manjada, mas rende bons momentos, graças à esquisitice do plot de Jason Henderson (da recente minissérie Sword of Dracula) e aos desenhos de Greg Scott, totalmente diferentes de qualquer estilo em voga nos quadrinhos atuais. Não é brilhante, mas um sopro de revigorante personalidade, com bons diálogos e momentos que oscilam entre o divertido e o freak.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

THE INTIMATES 1
Wildstorm
Texto: Joe Casey
Arte: Giuseppe Camuncoli

Nova tentativa de Joe Casey de introduzir novo fôlego ao combalido e repetitivo gênero dos quadrinhos de super-heróis. Se em Wildcats 2.0 ele lançou mão de plots envolvendo corporações e em Automatic Kafka foi mais experimental, em Intimates ele tenta ser absurdamente pop. Uma escola para super-heróis novatos é a ambientação e tudo parece que vai girar em torno dos alunos e professores. Casey disse que aqui quer utilizar a lógica dos sitcoms: você poderá ler qualquer edição e entender o que está acontecendo, mesmo sem conhecer os personagens. Ele e Camuncoli também introduzem novas formas de informar os leitores: há uma enorme quantidade de informação a cada página, através de recordatórios que mais parecem banners de sites ou anúncios de produtos (“Special Origin Flashback! Destra has a summer romance”). Funciona em metade das vezes, mas em outras fica parecendo forçadamente “cool”. E, como efeito colateral, a ironia acaba deixando os personagens um tanto distantes. Vamos ver se Casey se acerta nas próximas edições, há potencial aqui. E, por favor, que troquem de letrista; letras brancas sobre fundo amarelo em alguns recordatórios não são uma boa idéia. Fica ilegível.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

THE QUESTION 1
DC
Texto: Rick Veitch
Arte: Tommy Lee Edwards

Minissérie em seis partes, trazendo de volta Vic Sage, o Questão. Sage está de partida para Metropolis e ele aparentemente aprendeu técnicas de xamanismo. Na verdade, Sage se tornou uma espécie de xamã urbano: ao invés de observar as montanhas e lagos, ele observa os sinais da cidade. Na primeira parte da história, ele decifra vários sinais deixados por Chicago, utilizando estes sinais em sua cruzada vigilante como Questão. A idéia é interessante e Rick Veitch (que escreveu o Monstro do Pântano após a saída de Alan Moore e fez um excelente trabalho) segura a onda dessa idéia, não deixando que ela se torne ridícula. Ele ainda utiliza boas frases durante os momentos mais urbano-xamânicos, emulando o estilo de Allen Ginsberg em Uivo. A edição termina com Sage chegando à hiper-tecnológica cidade de Metropolis e só nos resta imaginar que sinais bizarros a terra de Superman e Lex Luthor vai mostrar para ele. O desenhista Tommy Lee Edwards é um velho favorito meu e aqui ele parece ter – acertadamente – deixado de lado seu tom mais sombrio e cinza em prol de algo mais colorido e pop. Um começo promissor e interessante.
Muito Legal (8 / 10)

TOE TAGS 2
DC
Texto: George Romero
Arte: Tommy Castillo

O primeiro número já foi meio indigesto, ainda que interessante, mas desta vez a salada impera. Numa tentativa de trazer algo de novo à velha história de “zumbis tomam a cidade”, Romero acaba misturando alhos com bugalhos. Aos zumbis se somam um elefante de estimação, um relacionamento amoroso conturbado e outros toques que, ao invés de deixar a história original, a fazem perder o foco. Esta segunda edição é tão chata e sem sentido que a partir da metade passei meio que a apenas folhear. Use melhor seu tempo assistindo à Dawn of the Dead ou Extermínio. Ou, claro, a um dos filmes de Romero, que como roteirista de quadrinhos é um bom cineasta. Mais uma que sai da lista de resenhas.
Só Para Fãs (4,5 / 10)

TOMB OF DRACULA 2
Marvel
Texto: Robert Rodi (sobre roteiro original de Bruce Jones)
Arte: Jamie Tolagson

Com esta série, acontece o oposto: esta segunda edição é mais interessante. Claro, a primeira edição teve a inevitável apresentação dos novos personagens, etc. Aqui a coisa começa a deslanchar e até mesmo o desenho de Tolagson me pareceu mais competente. Blade e seu novo grupo de caça-vampiros (os personagens são meio clichês, mas justamente por isso acabam funcionando) chegam à Romênia e são atacados por uma horda de vampiros. Felizmente, parece que Rodi vai fazer as coisas andarem rápido por aqui. Me convenceu a ficar por mais algumas edições. Há o risco de algo bem legal acontecer nesta série, vamos ver.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

Y – THE LAST MAN 28
Vertigo
Texto: Brian K. Vaughan
Arte: Pia Guerra

O plot finalmente começa a avançar, a exemplo da última edição. Ao que tudo indica, o amuleto de Yorick era mesmo o que o impédia de ser contaminado pela praga que deu cabo de todos os homens do planeta. Entram em cena um grupo de mulheres neo-islâmicas, que acreditam que praga foi causada por uma antiga jóia ligada a Helena de Tróia, que teria sido amaldiçoada por Zeus em pessoa. Como esta se´rie não é Sandman, os deuses fatalmente não terão nada a ver com isso. Bom cliffhanger, com a chegada à cena de Hero, irmã de Yorick. Esta série está voltando a engrenar, o que é bom. E os desenhos de Pia Guerra são muito interessantes, em prol da narrativa.
Muito Legal (8 / 10)

IDENTITY CRISIS 6 (lançada no dia 10/11)
DC
Texto: Brad Meltzer
Arte: Rags Morales

Tim Drake encontra seu pai assassinado, ao lado do corpo do Capitão Bumerangue. Bom, a única coisa interessante em Tim como Robin era justamente que ele fugia desse esquema “meus pais foram assassinados e sou um sujeito vingativo”, como os anteriores. Agora ele é só mais um Robin. Isso é típico dessa série, que tira vários elementos legais do universo DC sem acrescentar NADA em troca. De quebra, duas “revelações chocantes” (táticas baratas de choque SÃO esta série): o assassino talvez seja Ray Palmer, o Eléktron; e Batman também foi lobotomizado pela Liga da Justiça. Oliver Queen justifica as lobotomias dizendo que “temos que proteger nossas famílias”. Bom, não é como se alguém tivesse obrigado esses caras a serem super-heróis. Eles agem assim porque querem e, portanto, o risco das famílias não é uma justificativa para lobotomizar pessoas (como se existisse alguma). E logo Oliver Queen. Desde quando Queen é um reacionário que auto-justifica absurdos de direita? Para piorar, Meltzer afunda ainda mais no estilo cafona de escrita que lhe é tradicional: “oh, os meus filhos, a minha família, o perigo, meus entes queridos, oh, meu marido”. Cafona, barato, mal-escrito e desesperado como, sei lá, uma letra do Kenny Rogers. Essa saga é a piada do ano, ao lado de Avengers Disassembled e da Gwen Stacy retro-puta de Sins Past, em Amazing Spider-Man. Pfffff.
Uma Porcaria (1 / 10)

Quadrinhos da Semana (27/10)

30 DAYS OF NIGHT – BLOODSUCKER TALES 1
IDW
Texto: Steve Niles e Matt Fraction
Arte: Kody Chamberlain e Ben Templesmith

Primeira edição desta série que pretende mostrar histórias curtas passadas no universo vampiresco criado pelo romancista Steve Niles na série 30 Days of Night. os dois primeiros “bloodsucker tales” têm um bom nível. Steve Niles e Kody Chamberlain mostram em Dead Billy Dead a transformação de um jovem em vampiro, nos becos de um grande centro urbano. Matt Fraction e Ben Templesmith aproveitam para explicar o desaparecimento das 400 meninas em Ciudad Juarez, México (o que aconteceu mesmo na vida real). O primeiro conto ganha pelo clima de angústia e pavor, enquanto o conto de Fraction, chamado Juarez or Lex Nova & The Case of 400 Dead Mexican Girls, vence mesmo pela qualidade de seu texto e a boa idéia de aproveitar o drama e o horror de Juarez. Uma idéia, ao menos, é uma verdadeira pérola: o personagem principal, Lex Nova, que fala em voz alta aquela narração tradicional em off dos contos noir. Ou seja, ele para de conversar com as pessoas para passar a narrar em voz alta. Hilário. As duas histórias não são auto-contidas e continuam na edição seguinte. Uma boa estréia.
Muito Legal (8 / 10)

ADAM STRANGE 2
DC
Texto: Andy Diggle
Arte: Pasqual Ferry

Strange veste seu uniforme e parte para o espaço, em busca do desaparecido planeta Rann. Ação aérea de altíssimo nível, com bom texto e boas idéias de Andy Diggle. Destaque total para a arte sensacional de Pasqual Ferry, que está voltando a utilizar o seu estilo original, da época em que trabalhava no mercado europeu de quadrinhos. Uma ótima série e que ainda por cima mostra uma nova versçao do clássico uniforme de Adam Strange, com telas holográficas flutuantes à frente do capacete. Excelente exemplo de como fazer o update de um personagem clássico sem estragar o que lhe dava graça em primeiro lugar.
Muito Legal (8,5 / 10)

AMAZING SPIDER-MAN 513
Marvel
Texto: J. Michael Straczynski
Arte: Mike Deodato Jr.

Continuando a patética saga Sins Past. desta vez os filhos de Gwen Stacy e Norman Osborn se encontram com o Homem-Aranha no alto da velha ponte de onde Gwen caiu para a morte. O detalhe ridículo é que, para marcar o encontro, o Aranha convoca uma entrevista coletiva para a TV na frente do prédio do Clarim Diário (foi esta a forma que ele pensou para entrar em contato com os dois irmãos Stacy). Difícil saber para que serve esta saga além de retro-esculhambar com Gwen Stacy e fazer Peter Parker parecer um total idiota. Bom, apresenta personagens completamente implausíveis, também. Talvez seja isso. Excelente arte de Mike Deodato, infelizmente desperdiçada nesta idéia, a mais cretina desde a Saga do Clone.
P.S.: Eu não estou resenhando a revista-irmã, Spectacular Spider-Man, porque não consigo ler nada desenhada pelo Humberto Ramos. Mas li que na edição deste mês o Aranha ganha, de forma definitiva, o poder de fabricar e expelir teias orgânicas, como no filme. Até entendo isso e, se pensarmos bem, não é tão absurdo quanto um adolescente inventar um fluido de teia sintética. Mas Paul jenkins não parou por aí: ele inventou que agora Peter também consegue “falar” com os insetos. Sim, isso mesmo. E parece que não tinha ninguém na Marvel para dizer a ele que aranhas não são insetos. Felizmente, Spectacular vai acabar após o fim desse arco.
Fuja Dessa Merda (0,5 / 10)

AQUAMAN 23
DC
Texto: John Ostrander
Arte: Chris Batista

Não lia a revista do Aquaman desde a época em que ela era escrita por Peter David vários anos atrás. Nem mesmo Rick Veitch me animou a ler esse título, mas a entrada de John Ostrander como novo escritor me fez ler esta edição. De cara voc~e percebe as mudanças no personagem: ele não usa mais barba e cabelo comprido e voltou a usar o uniforme clássico (com pequeneas mudanças). No lugar do arpão, ele conta com uma mão de “água sólida” (não é culpa de Ostrander, que trata de quebrar a tal mão no fim desta história; vamos ver o que ele coloca no lugar de algo tão ridículo). Bom, mas este arco tem uma boa premissa: algum grupo desconhecido simplesmente afundou San Diego no mar (sim, a cidade inteira). Não pára por aí: um vilão chamado Geiss fez com que os habitantes da cidade sofressem mutações e agora todos respiram debaixo d’água. O governo federal manda Aquaman e os Sea Devils (com novos membros criados por Ostrander; boas idéias aqui) para ajudar na situação lá embaixo. Parece esquisito, mas a i´diea de uma San Diego submersa com habitantes humanos submarinos está funcionando bem no contexto da história, graças ao tom realista, mas sem ser chato, que é o padrão de Ostrander. Bons desenhos de Chris Batista.
Muito Legal (8 / 10)

BATMAN 633
DC
Texto: Bill Willingham
Arte: Kinsun

Resolvi arriscar ler isso porque é a conclusão da horrenda saga War Games (finalmente!). Me arrependi. Stephanie, a nova Robin, morre num leito da clínica de Leslie Thompkins (o que deve abrir caminho para a volta de Tim Drake). A base de Oráculo é invadida pelo Máscara Negra e, numa das sequências mais cretinas da história da DC, Barbara Gordon explode o prédio inteiro com ela e Batman dentro apenas para que o morcego pare de brigar com o Máscara Negra (ela estava com medo de Batman morrer, quando a arte mostrava justamente o contrário, que ele estava vencendo a luta). Enfim, um crossover horrendo e perfeitamente dispensável. A partir do número que vem volto a resenhar esta revista normalmente.
Uma Porcaria (4 / 10)

BIRDS OF PREY 75
DC
Texto: Gail Simone
Arte: Ed Benes

O melhor de Birds of Prey é o texto da roteirista Gail Simone, que aqui espertamente se afasta assim que pode das pontas deixadas por War Games. Com sua base destruída e todos os seus pertences perdidos, Barbara Gordon muda de planos e decide que Oráculo vai passar a agir a partir de um aviçao, que será pilotado por ninguém menos que Lady Blackhawk, a clássica piloto/pin-up girl da série Blackhawks (Falcões Negros). Após o trauma de War Games, é compreensível que Barbara queira deixar Gotham City para trás e nunca mais voltar, já que Batman e Nightwing agiram como totais babacas com ela (aliás, o Batman de Bill Willingham é um completo escroto, o que é totalmente off-character). Desenhos interessantes e realistas de Ed benes, que talvez exagere nas poses “somos sensuais” de Caçadora e Canário Negro. Mas um importante ponto de virada desta série, que com isso se afasta da franquia do morcego (e talvez se livre de futuros crossovers).
Muito Legal (8 / 10)

BLACK WIDOW 2
Marvel Knights
Texto: Richard K. Morgan
Arte: Goran parlov e Bill Sienkiewicz
Segunda edição desta minissérie e as coisas começam a ficar meio lentas e “realistas” no mau sentido. Não gosto quando transformam personagens clássicos em versões “do mundo real” e é o que Richard K. Morgan tenta fazer nesta edição. Em uma das sequências, a Viúva Negra explica que parou de usar seus braceletes hi-tech porque eles pesavam quatro quilos cada um e viviam dando problemas. Bom, não é o que eu vi em três décadas de histórias desta personagem. De qualquer forma, a trama central é interessante e os desenhos são muito bons (nesta edição, Goran Parlov dá uma força para Sienkiewicz, criando os layouts dos quadros, mas não se nota muita diferença). Interessante, mas com doses de “realismo” aplicadas nos locais errados.
Tá, é Bacana (7 / 10)

CATWOMAN 36
DC
Texto: Ed Brubaker
Arte: Paul Gulacy

Brubaker claramente está desconfortável com a obrigação de acompanhar o crossover War Games e esta revista foi a que mais perdeu qualidade graças à maldita saga. A atenção de quem não está acompanhando o crossover nas outras revistas ligadas ao Batman se mantém por causa da excelente arte de Paul Gulacy, que coreografa cenas de luta como poucos. Catwoman finalmente se vinga do psicopata Zeiss, cobrindo-lhe de porrada. Enquanto isso, a base de Oracle é invadida e Batman continua agindo como um escroto. Vale por Paul Gulacy (não que Brubaker tenha alguma culpa pelas falhas, pelo contrário).
Só Para Fãs (5,5 / 10)

DAREDEVIL 66
Marvel Knights
Texto: Brian Michael Bendis
Arte: Alex Maleev

Milagre! Boas cenas de ação em uma história de Brian Bendis! Neste novo arco vemos a chegada de um taciturno ancião à Cozinha do Inferno. A narrativa se divvide em três partes e Maleev aplica um estilo distinto para cada uma delas: seu traço normal para as cenas passadas no presente; um traço mais econômico e em preto e branco para as cenas passadas nos anos 40; e um traço pontilhado, imitando a antiga impressão dos quadrinhos nos anos 70, para as cenas da épóca em que Matt Murdock usava o traje amarelo e vermelho. Um bom início, com personagens interessantes e sem muitos dos tiques de estilo de BENDIS!
Muito Legal (8 / 10)

ELEKTRA – THE HAND 3
Marvel
Texto: Akira Yoshida
Arte: Christian Gossett

Esta mini começou bem, mas aqui entramos em “modo clichê”, com a apresentação de uma espécie de “Elektra do século XVI” e cenas de “amor impossível” a la Romeu e Julieta. Não é ruim, mas percebe-se uma queda na qualidade, tanto do texto como do desenho. Algumas viradas que não fizeram bem à trama.
Só Para Fãs (5,5 / 10)

FLASH 215
DC
Texto: Geoff Johns
Arte: Howard Porter

O que chama a atenção nesta edição é o fato de Howard Porter ter abandonado o estilo horroroso que vinha usando desde JLA e adotado um traço mais clássico, o que lhe favoreceu horrores. Mas Geoff Johns perde pontos por interligar este arco com a suprema babaquice que é a minissérie Identity Crisis. Wally West recebe de Oliver Queen uma carta escrita por Barry Allen, que ele deveria ler se um dia descobrisse sobre a lobotomização de super-vilões praticada pela Liga da Justiça. Claro, na carta temos mais uma revelação “chocante” sobre Barry Allen e o vilão Peão. Sempre achei Geoff Johns uma espécie de sub-Kurt Busiek superestimado e aqui ele demonstra claramente sua mediocridade.
(Só Para Fãs (4,5 / 10)

GREEN LANTERN: REBIRTH 1
DC
Texto: Geoff Johns
Arte: Ethan Van Sciver

Bom, é a saga que vai trazer Hal Jordan de volta como o Lanterna Verde da Terra. Justiça seja feita: Geoff Johns não tem culpa por esta idéia, claramente fruto da reunião de algum comitê de execufgivos da DC. Bons desenhos de Ethan Van Sciver, mas a história em si consiste em fazer você perder toda a credibilidade na DC. Sinceramente, não me importo se o Lanterna Verde é Hal Jordan ou Kyle Rayner, mas se Hal Jordan é capaz de ser novamente o Lanterna Verde após ter assassinado toda a Tropa dos Lanternas Verdes, explodido o planeta Oa, matado Kilowog e outros amigos dele, quebrado o pescoço do vilão Sinestro a sangue frio, virado o supervilão Parallax, tentado destruir o universo em Zero Hora, morrido, ido para o limbo e virado o novo Espectro, se TUDO ISSO não significa nada e o cara pode simplesmente voltar à vida e a ser o Lanterna Verde, então estão dizendo que NADA do que acontece no universo Dc importa e têm sentido. Péssima idéia, desde o início. Quero dizer, fazer Hal Jordan virar um vilão assassino em massa já tinha sido uma péssima idéia, uma década atrás. Mas gerar outro conceito pavoroso para resolver isso não é um mérito. Aqui, o Espectro (Hal Jordan) parece estar reconstruindo Coast City, a cidade onde vivia Jordan originalmente. Guy Gardner parece estar perdendo seus poderes de Warrior e Kyle Rayner encontrou algo pavoroso no espaço. Ou seja, Jordan está querendo – de novo – fazer as coisas voltarem a ser como eram. O único final decente para esta mini seria a morte definitiva de Hal Jordan no final. Isso seria muito engraçado.
Só Para Fãs (5,5 / 10)

HELLBLAZER 201
Vertigo
Texto: Mike Carey
Arte: Leonardo Manco

Um pequeno conto de horror auto-contido, com os elementos que fazem Hellblazer funcionar tão bem. Mike Carey cria cenas realmente assustadoras e Lonardo Manco mostra ter sido uma excelente escolha para novo artista desta revista. Alguns objetos místicos de John Constantine são roubados de um galpão onde estavam guardados, inclusive um bracelete hindu com poderes tenebrosos. Simples e efetivo.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

Jack Staff 6
Image
Texto e Arte: Paul Grist

Paul Grist (St. Swithin’s Day) continua sua série de pequenas histórias em continuação com os personagens do universo de Jack Staff. Caçadores de vampiros com problemas financeiros e uma paródia/homenagem aos Invasores em situações típicas de “super-heróis na Segunda Guerra”. Divertido e despretensioso, com um bom tom pop. Mas Grist não tem as afiadas idéias de um Mike Allred e seu Jack Staff às vezes soa aquém do que poderia ser; soa meio bobo.
Tá, é Bacana (7 / 10)

JLA 107
DC
Texto: Kurt Busiek
Arte: Ron Garney

Não lia esta revista desde a época em que era escrita por Mark Waid. Felizmente a Liga está livre de escritores horrendos como Chuck Austen, John Byrne e Chris Claremont, os últimos que passaram pelo título. Mas a estréia de Busiek, apesar de interessante, é abaixo do que eu esperava. Flash e Ajax derrotam o Construto, um vilão clássico – que funciona bem melhor hoje em dia, com a Internet e tudo o mais) durante uma inspeção de rotina do equipamento da Liga, na Lua). Interessante, mas com um tremendo excesso de techno-babble que por vezes deixa a coisa quase insuportável. Ron Garney também claramente não se beneficia da arte-final de Dan Green, que deixa seu traço muito “solto”. Um começo meia-boca para a fase de Busiek. Vamos aguardar.
Só Para Fãs (4,5 / 10)

MYSTIQUE 20
Marvel
Texto: Sean McKeever
Arte: Manuel Garcia

Nesta edição finalmente descobrimos quem é o Quiet Man, o homem que quer que Mística mate Charles Xavier. Surpreendentemente, é o mutante e mercador de armas Steinbeck, que apareceu matanbdo uma mutante na Rússia lááá no número 1 desta série. Por uma infeliz coincid~encia, Shortpack, o telepata minúsculo, sai atrás de Steinbeck em busca de vingança e desaparece. Em uma tentativa de salvar seu diminuto parceiro, Mística abandona Forge no meio de uma ação de campo e, graças a isso, Charles Xavier resolve fazer o que sempre ameaçou fazer desde a primeira edição: abandonar Mística à própria sorte. Fatalmente as coisas mudam na próxima edição desta sensacional e intrigante série. Este número, de quebra, tem uma aparição do ótimo personagem Fantomex.
Muito Legal (8,5 / 10)

PLANETARY 21
Wildstorm
Texto: Warren Ellis
Arte: John Cassaday

Planetary vem sendo extremamente prejudicada pela sua periodicidade errante (e lentidão nos lançamentos de uma revista justamente em sua reta final é o pior que pode acontecer). Mas Ellis consegue uma boa história nesta edição, com Elijah Snow visitando uma maga/xamã nos moldes de Dr. Estranho e Promethea. A edição inteira, aliás, tem ecos de Promethea, com a maga explicando a Snow a relação entre os mortos e as plantas de poder (ayahuasca, peyote, etc). Bons conceitos, com toques inevitavelmente morrisonianos por parte de Ellis. Excelente arte de John cassaday, como sempre. Mas já passou da hora desta série ser concluída. Esperar meses entre cvada edição está sacrificando a qualidade da leitura deste título.
Muito Legal (8,5 / 10)

SOLO 1 – TIM SALE
DC
Texto: Tim Sale, Darwyn Cooke, Diana Schutz, Jeph Loeb e Brian Azzarello
Arte: Tim Sale

Solo é uma nova série de especiais com histórias curtas, onde cada número será focalizado em um artista. Tim Sale é a estrela desta edição de estréia e o cara é uma boa escolha. A arte de Sale é sensacional e dona de um estilo todo próprio. A coisa não é tão “solo” assim: Sale escreve apenas duas das seis histórias desta edição. Mas isso não é um problema, claro. Date Knight, escrita por Darwyn Cooke, é uma deliciosa brincadeira com o duvidoso relacionamento entre Batman e Mulher-Gato, o que permite que Sale desenhe boas splash pages de ação pelos telhados da cidade. Christina, escrita por Sale mesmo, é um melancólico conto desenhado em tons de cinza e marrom. Young Love, escrito por Diana Schutz, é um surpreendente conto de amor juvenil envolvendo a Supergirl original, Linda Lee (aquela que era prima de Superman). Sale desenha usando pontilhismo de cores, simulando os processos de impressão da Era de Prata. Prom Night, escrita por Jeph Loeb (na única história relativamente fraca desta edição) mostra Clark Kent, ainda em Smallville, indo para seu primeiro baile com Lana Lang. Low Card in The Hole, escrita por Brian Azzarello, é a melhor em termos de roteiro, e é um bizarro conto noir com um ginal surpreendente. Noir, aliás, é onde Tim Sale mostra seu ponto forte: o uso de sombras e cores. Finalmente, I Concentrate On You, escrita pelo próprio Sale, é um bonito conto de amor que, aparentemente, tem como personagens os pais do artista, numa bela homenagem a eles. Uma forte edição de estréia, numa série que promete e é uma boa premissa. Na edição seguinte, o artista enfocado em Solo será Richard Corben, outra ótima escolha.
Muito Legal (9 / 10)

STRANGE 2
Marvel Knights
Texto: J. Michael Straczynski
Arte: Brandon Peterson

Uma edição mais fraca do que a anterior, com duas mudanças que me parecem para bem pior: descobrimos que o jovem Wong também virou médico, com um consultório em Nova York (!). E a nova Clea, que aparece no final desta edição, é bem mais sem-graça do que a original. Maldita necessidade de transformar tudo num realismo raso de sitcom. Doutor Estranho NÃO É realista! Para piorar, Brandon Peterson é um pobre clone de Jim Lee. na resenha do número 1, disse que a coisa terminava de uma forma que podia ficar bom ou ruim. Bem, ficou ruim.
Só Para Fãs (4,5 / 10)

THE LOSERS 17
Vertigo
Texto: Andy Diggle
Arte: Jock

Ação desenfreada, com os Losers em flashback numa missão no deserto afegão. os caras precisam invadir na base do sttealth, sem fazer barulho, uma fortaleza fortemente armada e repleta de radicais islâmicos, para libertar um grupo de crianças escravizadas que serão vendidas para milionários pedófilos. Uma ótima e ágil edição, com bons diálogos e a costumeira excelente arte de Jock.
Muito Legal (8,5 / 10)

THE RIDE – 2 FOR THE ROAD 1
Image
Texto: Chuck Dixon e Cully Hamner
Arte: D. Alexander Gregory e Cully Hamner

2 For The Road é a nova minissérie baseada nos filmes do site The Rider (www.bmwfilms.com), pequenas histórias de ação em qualquer gênero cujo único ponto em comum é a aparição de um BMW. Seraõ duas histórias auto-contidas por edição, com arte em preto e branco. Shotgun, escrita por Chuck Dixon, envolve um caronista, seguros de vida e um plot twist bobo e previsível. D. Alexandre Gregory é bom, mas seu traço parece demais com o traço de Marcelo Frusin. A segunda história, Big Plans, escrita e desenhada por Cully Hamner, é melhor e envolve o último trabalho de um assassino de aluguel e espião industrial prestes a se aposentar. Mas a forma escolhida por Hamner para integrar o BMW à trama não é tão esperta quanto ele parece pensar que é. Enfim, uma estréia irregular, mas pode ser lido sem sustos por fãs de quadrinhos de ação e tem o mérito de não envolver super-poderes.
Tá, é Bacana (7 / 10)

WE3 2
vertigo
Texto: Grant Morrison
Arte: Frank Quitely

We3 é tão superior e mais criativo que os outros quadrinhos lançados atualmente que chega a ser constrangedor para os outros títulos. Morrison e Quitely simplesmente estão invcentando novos elementos da linguagem dos quadrinhos e isso é algo que não se vê todo dia. A narração é simplesmente uma obra-prima, alterando o foco, a velocidade e os enquadramentos sempre em prol da história e da fluidez do plot. Personagens fantásticos, arte de excelente qualidade (Quitely mostra aqui que é um gênio e confirma seu status de monstro dos quadrinhos atuais). O primeiro quadrinho do século XXI, com informações estéticas que podem mudar tudo. A melhor dupla de criadores dos quadrinhos modernos, em seu melhor momento até agora. Não deixe de ler esta mini em três partes – ou você será um mané. Obra-prima.
BUENO EXCELLENTE! (10 / 10)

Quadrinhos da Semana (20/10)

OK, as resenhas dos quadrinhos lançados no dia 20 de outubro:

ADVENTURES OF SUPERMAN 633
DC
Texto: Greg Rucka
Arte: Matthew Clark

Greg Rucka surpreendentemente consegue atualizar de forma competente – e até mesmo assustadora – o clássico vilão Parasita, da galeria de bad asses do Superman. O último sobrevivente de Krypton é um personagem que implora, chora e esperneia por um revamp decente, mas o título escrito por Rucka cumpre sua função, que é contar histórias razoavelmente decentes sobre o Homem de Aço. Casá-lo com Lois Lane, infelizmente, cada vez mais se mostra ter sido uma péssima, péssima decisão.
As cenas “domésticas” detsa edição, apesar de bem escritas, são o ponto fraco que quebra o clima geral da história envolvendo a dupla de novos Parasitas. Bom cliffhanger, contudo. Mais interessante do que eu pensei. Ah, Matthew Clark é mais um wannabe de Jim Lee, mas não chega a ser ruim.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

THE BOOKS OF MAGICK – LIFE DURING WARTIME 4
Vertigo
Texto: Si Spencer (de uma história de Spencer e Neil Gaiman)
Arte: Dean Ormston

Talvez o título mais freak atualmente publicado pela Vertigo, Books of Magick (agora em nova versão com “k” para o seu prazer) começa a impressionar de forma positiva. A estranheza começa já na proposta, que na prática é um elseworld. Spencer tem boas idéias em relação aos dois pontos centrais da trama: magia como warfare em uma batalha mística entre reinos rivais e a irrealidade da atual vida de Timothy Hunter, que aparentemente está levando uma vida corriqueira em uma “realidade” forjada, para que ele fique escondido do lado inimigo da guerra. No fim desta edição, Tim começa a perceber que há algo errado com esta realidade. Normalmente eu não gosto de Elseworlds, mas este título começa a ganhar meu respeito (não que eu estivesse achando ruim antes, pelo contrário). A arte de Dean Ormston, esquisitíssima, combina com o tom geral da série.
Muito Legal (8 / 10)

CONAN 9
Dark Horse
Texto: Kurt Busiek
Arte: Cary Nord e Thomas Yeates

Cary Nord volta à arte, após uma edição fill-in – e seu estilo nesta série continua a impressionar, seguindo a estética lírico-bárbara de Frank Frazetta. Nesta edição, Busiek mostra Conan contando vantagem em uma taverna, após ser desrespeitado por um nobre da “civilizada” capital chamada Nemédia (a “Roma” da Era Hiboriana). No bar, o cimério conta para quem quiser ouvir como invadiu a torre do tal nobre e roubou seus pertences mais importantes. O final é surpreendente, mas é uma edição de preparação para o novo e mais arriscado roubo que o bárbaro deve empreender no próximo número. Menos impressionante que edições anteriores desta série, mas ainda uma boa leitura. O que mais chama a atenção no Conan de Busiek é como o personagem é bem mais tridimensional que a versão tradicional que era publicada pela Marvel.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

FANTASTIC FOUR 519
Marvel
texto: Mark Waid
Arte: Mike Wieringo

A luta do Quarteto contra os alienígenas que querem eliminar Sue Richards termina de forma surpreendente, com (provável spoiler) Reed sendo obrigado a fazer Sue e Johnny trocarem de poderes. A cena em que Sue se inflama pela primeira vez é sensacional, mostrando toda sua alegria ao poder voar e controlar o fogo. Infelizmente, coube a Johnny Storm o poder da invisibilidade e por isso a edição termina com ele, ao invés de Sue, sendo atacado por Galactus. Aliás, a aparição de Galactus, no fim da revista, é o ponto alto desta edição. Wieringo tem conseguido realizar uma boa mistura de suas sensibilidades mais pop/mangá com o estilo tradicional da Marvel, próprio dos melhores momentos do Quarteto. Uma grande série, em boa fase.
Muito Legal (8 / 10)

HUMAN TARGET 15
Vertigo
Texto: Peter Milligan
Arte: Cliff Chiang

Segunda parte do arco The Second Coming, onde Christopher Chance é obrigado a se passar por um messias moderno. Esta edição é ainda mais impressionante que a anterior, com excelentes diálogos e situações a cargo de Milligan. A arte de Cliff Chiang é solidamente realista e estetizada ao mesmo tempo e este Human Target vem mostrando que o artista é um dos melhores do quadrinho atual. As cenas em que Chance se vê frente à difícil situação de ter de realizar “milagres” são o ponto alto. O cliffhanger é impressionante e deixa abertas várias possibilidades para a conclusão deste arco, na próxima edição. Uma série sólida e excelente, com algumas das melhores cenas e diálogos da carreira de Peter Milligan.
Excelente (9,5 / 10)

LUCIFER 55
Vertigo
Texto: Mike Carey
Arte: Marc Hempel

A arte de Marc Hempel (Gregory; Sandman) como desenhista convidado é uma sensacional surpresa. Hempel, dono de um estilo único, é presença rara nos quadrinhos atuais, o que é uma pena. Nesta edição onde Lucifer não aparece (coisa que Carey adora fazer e que realmente funciona), vemos um inferno genialmente retratado por Hempel, onde um dos condenados começa a pregar palavras de perdão, boa vontade e convivência. E, pior: convertendo boa parte dos demônios, que começam a ajudar os condenados, ao invés de puni-los. Isso deixa Remiel, o anjo que atualmente é o responsável pelo inferno, junto com seu irmão Duma, desesperado. Aliás, a caracterização de Remiel e
Duma é o ponto alto desta edição, além da arte de Hempel e da idéia em si. Como Duma, o anjo do silêncio, se concentra em plantar flores nas regiões fronteiriças do inferno, cabe forçosamente a Remiel a obrigação de tomar as decisões escrotas que um lorde do inferno deve tomar. Até o final da edição, onde – pela primeira vez – Duma finalmente fala e ao mesmo tempo subverte toda a hierarquia infernal com uma decisão surpreendente que certamente vai mudar o rumo desta série, que caminha para o seu final.
Excelente (9 / 10)

MADROX 2
Marvel Knights
Texto: Peter Milligan
Arte: Pablo Raimondi

A segunda edição desta minissérie mantém a forte boa impressão do sensacional primeiro número. Jamie Madrox chega a Chicago e começa a investigar a morte de seu duplo. O conceito aplicado por David a este personagem é simplesmente brilhante e Pablo Raimondi é, desde já, um dos meus desenhistas favoritos graças unicamente a estas duas edições. Uma série original, inteligente, bem escrita e bem desenhada, com personagens fascinantes. David dribla com precisão as convenções chatas dos quadrinhos de mutantes da Marvel e realiza aqui uma sensacional paródia de hard
boiled, com toques brilhantes em relação ao poder de Madrox, que se revela um dos mais legais da história dos quadrinhos, graças à imaginação de David. Uma aula de como os quadrinhos de super-heróis deveriam ser. As capas de David Lloyd (V de Vingança) também ajudam.
Excelente (9,5 / 10)

OCEAN 1
Wildstorm
Texto: Warren Ellis
Arte: Chris Sprouse

Primeira edição desta minissérie em seis partes que mostra um detetive de Nova York (no ano 2104) embarcando para uma das luas de Júpiter para investigar bizarros acontecimentos. O tom e o ritmo são mais lentos que o normal, como tem acontecido com as séries de Warren Ellis desde que ele resolveu adotar a “descompressão” dos quadrinhos voltados para a leitura no formato trade paperback. O que deixa outras séries recentes de Ellis quase insuportáveis aqui realmente funciona. Talvez porque no universo de Ocean as coisas realmente sejam fantásticas e impressionantes e faça sentido “atrasar” a velocidade da narrativa para que as cenas sejam mostradas de forma a gerar sense of wonder. Ou talvez porque Chris Sprouse seja um artista infinitamente melhor que os outros sujeitos com quem Ellis tem trabalhado. Sprouse (Superman, Tom Strong) realiza aqui um excelente trabalho, em termos de criação de um mundo imaginário, narrativa e enquadramentos. Um ótimo começo para uma série que promete ter conceitos impressionantes. Vamos torcer para que Ellis não entre em seu modo “cínico-New Scientist-pesquisei isso no Google” atual, que tem atrapalhado séries como Ultimate Fantastic Four.
Excelente (9 / 10)

PLASTIC MAN 11
DC
Texto e arte: Kyle Baker

Plastic Man e seus amigos (incluindo a hilária adolescente vampira de quem O’Brien se tornou tutor na edição passada) são convocados até a Casa Branca, para ajudar o presidente americano (na cronologia DC, Lex Luthor). Luthor acaba de criar um novo Superman Bizarro, mas problemas hilários fizeram com que Luthor, Bizarro, a cientista responsável pelo projeto, um sapo e um gato trocassem de cérebros. Nada mais que um ponto de partida para que Baker destile seu humor extra-hilário habitual, aqui ainda por cima com críticas sutis ao “modo Bush” de falar e discursar. Uma série sensacional, infelizmente demonstrando que o público de super-heróis talvez não seja sofisticado o suficiente para algumas empreitadas, dada a baixa vendagem desta revista. Simplesmente genial, tanto em termos de roteiro como de desenho. Um verdadeiro quadrinho de autor, exalando um inacreditável senso pop. O diálogo inicial entre Superman e Luthor, nas páginas iniciais antes de Plastic Man entrar em cena, já valem o preço do ingresso.
Bueno Excellente! (10 / 10)

STOKER’S DRACULA 1
Marvel
Texto: Roy Thomas (a partir do romance de Bram Stoker)
Arte: Dick Giordano

Uma revista atípíca para os dias de hoje, esta minissérie em seis partes se revela uma grata surpresa. A adaptação feita por Roy Thomas e Dick Giordano do romance Drácula, de Bram Stoker, era serializada em magazines P&B da Marvel a partir de 1973, mas poucos meses depois a revista onde a série saía foi cancelada e o projeto ficou inconcluso. Mais de 30 anos depois, para surpresa de todo mundo, inclusive do próprio Roy Thomas, um dos editores da Marvel, Mark Beazley, entrou em contato com Thomas e Giordano para que a série fosse finalmente concluída. Esta primeira edição contém as quatro primeiras partes, que saíram originalmente em Dracula Lives! 5 a 8, nos anos 70. A segunda edição conterá as próximas quatro partes, também reedições de histórias dos anos 70 e finalmente, nas últimas quatro revistas da série, teremos a conclusão, inédita e tão esperada por Thomas e Giordano, que a essa altura nem imaginavam que a adaptação do romance pudesse ser publicada. Bem, 30 anos depois e ela finalmente vai sair. Claro que, para o bem e para o mal, ela soa exatamente como um quadrinho de 30 anos atrás, mas esse problema é minimizado porque estamos falando de gente do calibre de Roy Thomas, Dick Giordano e, por tabela, Bram Stoker. A adaptação do romance feita por Thomas talvez seja a mais fiel que já vi, não importa para qual mídia. E o melhor é que todas as cenas originais e partes do texto de Stoker estão lá, mas isso não faz com que tudo pareça um romance ilustrado ou um quadrinho metido a livro. É um bom quadrinho, com fantástica arte em preto e branco de Dick Giordano, no estilo “ilustrador” praticamente inexistente nos dias de hoje. Ao mesmo tempo um belo resgate de um material clássico inconcluso e uma aula de narrativa clássica sem frescuras. Nesta edição vemos a chegada de Jonathan Harker ao Castelo Drácula e sua difícil situação de “convidado” prisioneiro em um reino de facetas tenebrosas. Pouca ação, mas clima e atmosfera de sobra.
Muito Legal (8, 5 / 10)

Também saíram nesse mesmo dia a graphic novel The Wicked West, da Image, mesclando western e horror, e a primeira edição de Toe Tags, da DC, a minisssérie escrita pelo mestre dos zumbis George Romero. Ainda não li estas duas prováveis pérolas, por isso as resenhas das duas entram na próxima leva.

UPDATE:
Já li as duas que faltavam e resolvi colocar logo no ar as suas resenhas.

THE WICKED WEST
Image
Texto:
Todd Livingston e Robert Tinnell
Arte: Neil Vokes

Uma graphic novel de mais de 90 páginas, escrita por dois roteiristas de cinema. O mesmo trio foi o responsável pela graphic novel The Black Forest. Aqui eles misturam faroeste e horror, com um resultado bastante simpático. Um estranho misterioso chega a uma cidade do Texas, em 1870, para se candidatar a uma vaga de professor. Mortes misteriosas acontecem e ele, claro, é acusado pelos habitantes do lugarejo. Mas na verdade a matança é obra de um horrendo vampiro ancestral que mora nas cavernas próximas à cidade. A mescla de gêneros funciona de forma bastante coesa. A forma da narrativa também ajuda: a história original, em 1870, é alternada com cenas passadas em 1932, quando um dos sobreviventes do massacre causado pelos vampiros, já idoso, assiste a uma adaptação para o cinema de toda a história. É curioso comparar as diferenças entre as duas narrativas, a real e a do filme. A versão para o cinema, claro, é extremamente mais asséptica e careta, com personagens idealizados e inofensivos, o que funciona como um comentário social à parte. Uma boa graphic novel, ágil e com bons desenhos. Pode agradar tanto a fãs de faroeste como de horror.
Muito Legal (8 / 10)

TOE TAGS 1
DC
Texto: George Romero
Arte: Tommy Castillo

Primeiro número desta minissérie de zumbis escrita pelo cineasta George Romero, autor de A Noite dos Mortos Vivos. Em sua estréia nos quadrinhos, Romero decepciona um pouco. Não que a história seja ruim, mas este primeiro número soa como como uma coleção de cenas requentadas e extraídas de filmes como Madrugada dos Mortos e Extermínio. Vou aguardar o desenrolar da história, mas por enquanto Romero não consegue trazer nada de novo: uma mulher tenta sobreviver em meio a uma cidade tomada por zumbis, em busca do seu ex-namorado (ao que parece). Os desenhos de Tommy Castillo são bons, cumprindo o seu papel – apesar de perderem fôlego frente à ótima capa criada por Bernie Wrightson. Mas o roteiro de Romero, morno e sem graça, faz com que tudo soe como um quadrinho oitentista da Dark Horse ou uma história daquelas antologias publicadas pela Marvel, como Bizarre Adventures. Esperava mais desta revista. Vou ficar até o final, já que não chega a ser ruim, para ver se as coisas esquentam e tomam caminhos mais originais.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

Peter David

Ótima entrevista com Peter David, onde ele fala sobre a excelente minissérie Madrox, a sensacional Fallen Angel (uma das minhas revistas favoritas atualmente) e sua volta à revista do Hulk.

Quadrinhos da Semana (13/10)

Bom, me esforçando para manter as resenhas menores, como eu prometi na primeira semana. E tá atrasado; esses são os quadrinhos que saíram na outra quarta-feira, 13 de outubro. Então vamos rapidinho:

BULLSEYE’S GREATEST HITS 2
Marvel
Texto: Daniel Way
Arte: Steve Dillon

Mercenário está preso em algum treco de segurança máxima, após se envolver com o roubo de ogivas nucleares em um base militar no Alaska. Boa caracterização por parte de Daniel Way, mas a coisa toda talvez seja um pouco lenta. É interessante ver o Mercenário contar fatos de sua infância er adolescência, mas ainda mais divertido é ver como ele manipula facilmente os agentes federais com quem está falando. Enfim, nada demais, mas um quadrinho até agora competente e com bons personagens. Claro, a arte de Steve Dillon é sensacional como sempre. Talvez seja o desenhista que torna seus personagens mais facilmente reconhecíveis (o cara realmente sabe desenhar rostos). Não acontece muita coisa nestes dois primeiros números desta mini em quatro partes, mas a caracterização compensa.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

CAPTAIN AMERICA 32
Marvel
Texto: Robert Kirkman
Arte: Scot Eaton

É o último número da série atual, antes do novo número 1 e da nova fase, a cargo de Ed Brubaker. Atenção, spoilers: o número anterior terminava com o Caveira Vermelha quebrando o pescoço de Diamondback (Cascavel, a ex-vilã e ex-namorada do Capitão). Parece que Kirkman estava apenas tirando um sarro com a chata e tradicional idéia do “assassinato da namorada do herói”. Nesta edição, é revelado que o tempo todo não era a Cascavel, mas um daqueles robôs hiper-realistas da SHIELD (o próprio robô achava que era a legítima Cascavel). Parece absurdo, mas funciona bem no contexto da história e foi uma boa surpresa. A luta do Capitão com o Caveira Vermelha literalmente põe abaixo o prédio onde morava a Cascavel, em boa sequência de ação. Os desenhos de Scot Eaton (que desenhou o Monstro do Pântano no início dos anos 90) são competentes. Uma boa edição, mas que traz aquela sensação de que estão apenas matando o tempo antes do relaunch, no mês que vem. A incongruência cronológica envolvendo a saga Disassembled, em Avengers, também não ajudou Kirkman. Contando isso e o que está acontecendo no título escrito por Christopher Priest, Captain America and the Falcon, é simplesmente muita coisa ao mesmo tempo para um só personagem.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

DEMO 10
AiT/Planet Lar
Texto: Brian Wood
Arte: Becky Cloonan

Confesso que não tenho me impressionado muito com esta minissérie em 12 partes até agora. É um bom quadrinho, mas nada que chege aos pés da genialidade mostrada por Brian Wood no já clássico Channel Zero. Os contos (são histórias auto-contidas em cada edição, com personagens diferentes) têm sido interessantes, mas é um trabalho menor do Wood. Os desenhos de Becky Cloonan são muito bons, uma mistura da sensibilidade do quadrinho indie com o mangá, funcionando perfeitamente bem em relação ao roteiro. Nesta edição, o detalhe insólito é que nenhum dos personagens sequer tem superpoderes, o que meio que contradiz a premissa da série (adolescentes com superpoderes no “mundo real”). Mas é uma boa história, que deve muito mais aos desenhos de Cloonan do que ao roteiro de Wood, que aqui parece emular os quadrinhos Marvel. Até certo ponto é esta mesmo a premissa da série, mas fica a sensação de que estamos vendo uma mistura de gêneros que às vezes soa meio forçada ou auto-consciente demais de suas qualidades “cool”. Espero que Brian Wood volte logo a desenhar e, principalmente, a fazer o que sabe melhor: grupos de outsiders SEM superpoderes envolvidos.
Tá, é Bacana (7 / 10)

MARVEL KNIGHTS SPIDER-MAN 7
Marvel Knights
Texto: Mark Millar
Arte: Terry e Rachel Dodson

O principal problema deste título é a redundância. Já existem Amazing Spider-Man e Spectacular Spider-Man, então não há motivo para um terceiro título, ainda kais pelo selo Marvel Knights. Na prática, não precisava ser de outro selo, já que o tom em geral é parecido com o das revistas normais do Aranha. O problema é que Mark Millar é um escritor limitado e sua bolsa de truques parece estar se esvaziando: as primeiras duas ou três páginas têm piadas baratas e aí então finalmente entramos no plot (têm sido assim esta série em geral). Na edição anterior, vimos que Eddie Brock havia virado um homem religioso e estava leiloando o seu simbionte para o supervilão que pudesse pagar mais. Agora, descobrimos que quem comprou Venom foi o neto do mafioso Fortunato (do arco envolvenmdo Jimmy Six, uma das coisas mais insuportavelmente chatas da fase de Howard Mackie no Aranha). Ele, claro, vai e ataca Peter Parker, aparentemente porque é isso que o Venom faz. Os desenhos dos Dodson seguem a linha do Adam Hughes e são legaizinhos, mas TODAS as mulheres têm a mesma cara e eles simplesmente não conseguem desenhar o rosto de Peter Parker. Uma série que peca pelo tédio e pela sensação de que nada do que está acontecendo é real, mas simplesmente “faz parte do plot de Mark Millar” (por exemplo, para quem está arruinado financeiramente, Parker e Mary Jane não param de falar no celular e de ir jantar fora. Se não melhorar, vou parar de ler e resenhar esta série, como já fiz com Spectacular Spider-Man (tramas requentadas de Paul Jenkins e desenhos de um dos artistas que eu mais detesto, Humberto Ramos).
Só Para Fãs (5,5 / 10)

DISTRICT X 6
Marvel Knights
Texto: David Hine
Arte: Mike Perkins

“Então é isso?”. É o que você pensa ao ler a conclusão do primeiro arco de District X. A série começou muito boa, com uma premissa interessante: os policiais que fazem a ronda em Mutant Town, o gueto mutante de Nova York (entre eles Bishop, que felizmente não é o único protagonista da série e não usa mais aquele ridículo cabelo em forma de pirâmide). Na edição anterior, achei esquisito que um dos principais problemas do arco, os poderes do menino mutante que secretava drogas psicodélicas pela pele, tivessem sido eliminados de maneira tão fácil. Mas deu pra engolir. Desta vez, todos os plots se resolvem de forma tão rápida e fácil que você se pergunta qual era o grande problema deles em primeiro lugar. A guerra de quadrilhas se resolve em duas páginas de tiroteios, metade deles off-panel. As motivações de Mr. M mudam radical e implausivelmente, de salvador a destruidor de Mutant Town. Uma pena, mas David Hine (que é um escritor bem razoável) parece ter perdido o fio da meada e a história se resolve de forma muuto insatisfatória. A inclusão de um artista fill-in, Mike Perkins, justamente no capítulo final do arco, também não é promissora (é o segundo fill-in em apenas seis edições desta revista). Mas, como começou bem, vou dar uma chance ao segundo arco e ao roteirista David Hine.
Só Para Fãs (5,5 / 10)

IRON MAN 89
Marvel
Texto: Mark Ricketts
Arte: Scott Kolins

A conclusão do tie-in com a saga Disassembled e o último número desta fase da revista, que mês que vem ganha novo número 1 e roteiros de Warren Ellis. Mark Ricketts é um roteirista bem fraco e, no fim das contas, este arco em quatro partes serviu apenas para encher linguiça enquanto Disassembled acontece em Avengers. E, claro, para matar Rumiko, a ex-namorada japonesa de Stark (e um dos personagens mais divertidos apresentados na fase de Kurt Busiek na revista). Enfim, “oooh, mais uma namorada de super-herói perde a vida”. Esse é um artifício que já ficou realmente cansativo e, francamente, meio misógino. Chega disso, que saco. Bom, desta vez não precisamos sofrer com o péssimo Homem de Ferro desenhado por Tony Harris (que parece ter reservado seu estoque de qualidade para a revista Ex Machina), pois esta edição é desenhada por Scott Kolins. De qualquer forma, parte do problema permanece, porque a atual armadura é realmente muito feia e pouco prática, parecendo um mecha. Stark aqui faz um novo restart, ao afirmar publicamente que não agirá mais como Homem de Ferro, mas que “alguém vai continuar usando a armadura”. Com isso, a Marvel e Ricketts esperam que a gente engula que o Homem de Ferro tem novamente uma identidade secreta. Tá bom. De qualquer forma, a culpa não é só de Ricketts, mas do crossover em si. Afinal, esta é a última edição do arco, mas não explica porque Stark agiu como um bêbado (sem ter bebido) na Assembléia Geral da ONU. Essa explicação, claro, fica para Brian Bendis e a última edição de Avengers Disassembled. O próprio Stark, no final da história, diz para Happy Hogan que “isso é algo que não será contado por ele”. Descartável.
Só Para Fãs (4,5 / 10)

SHE-HULK 8
Marvel
Texto: Dan Slott
Arte: Juan Bobillo

A Mulher-Hulk é convocada pelos Magistrati, os juristas cósmicos que servem ao Tribunal Vivo, para agir temporariamente como “advogada de questões intergalácticas”. Isso já rendeu situações hilárias na edição passada e aqui vemos Jennifer Walters tentando derrotar, na base da porrada, o Campeão (um dos Anciões do Universo, que ostenta a gema do Poder em sua testa). O problema é que o Campeão já mandou para a lona (literalmente, já que a disputa é num ringue de boxe) pesos pesados como o Surfista Prateado, Adam Warlock, Gladiador (da Guarda de Shi’ar), Bill Raio Beta e Drax, o Destruidor. O texto de Dan Slott é genialmente hilário e Juan Bobillo é a grande revelação desta série. O sujeito desenha os caras mais cósmicos da Marvel de maneira totalmente nova e casual e acompanha à perfeição o tom de farsa do texto. She-Hulk, nesta nova versão da revista, é um dos melhores títulos que a Marvel publica atualmente. Hilário, refrescante e inovador, como a primeira fase da já clássica Liga da Justiça de Keith Giffen e J.M. DeMatteis. Mais do que recomendo. Só é uma pena que esta, ao que parece, seja a última edição de Juan Bobillo na revista (o cara será substituído por Paul Pelletier, que também é bom, mas não tem um estilo tão hilariamente bizarro).
Muito Legal (9 / 10)

EX MACHINA 5
Wildstorm
Texto: Brian K. Vaughan
Arte: Tony Harris

Não acontece muita coisa nesta edição, mas Ex Machina se mantém como um título sólido e divertido, graças ao texto de Brian K. Vaughan (o cara ainda se atreve a falar de arte moderna e performances em um quadrinho de super-heróis – e de forma legal) e ao bom traço de Tony Harris, que aqui mostra a genialidade presente em seu antigo Starman. Os diálogos são engraçados e plausíveis e o ritmo é muito bom. Nesta edição, o prefeito de Nova York, Mitch, finalmente descobre quem estava por trás dos ataques terroristas mais recentes. E a revelação é bombástica, com ecos de Columbine. Uma ótima série, mesclando super-heróis a tópicos mais reais do que “o novo plano de Lex Luthor”, mas sem soar forçadamente “realista” ou dark. A revista entra em um hiato temporário e retorna em poucos meses (Ex Machina só é mensal enquanto dura um arco de histórias).
Muito Legal (8,5 / 10)

FALLEN ANGEL 16
DC
texto: Peter David
Arte: David Lopez

Nesta edição ficamos sabendo mais um pouco sobre o passado de Shadow Boxer, o misterioso capanga do Magistrado. Lee, é claro, escapa do atentado à bomba sofrido pela escola em que trabalha – e vai atrás de vingança como a Fallen Angel. Mas parece que o Magistrado e Shadow Boxer não estão por trás da coisa toda. Para deixar a situação ainda mais confusa, descobrimos que Lee está grávida do Magistrado, o que muda toda a cena. Uma série intrigante, bem escrita, com bons personagens e que você não está lendo não sei por quê. O melhor: se passa em Bête Noire, cidade esquisitíssima que reflete todos os acontecimentos do planeta, como em uma teia. Um título à parte na linha atual da DC.
Muito Legal (9 / 10)

GOTHAM CENTRAL 24
DC
Texto: Greg Rucka
Arte: Michael Lark

Conclui a história em duas partes Corrigan e tem cenas sensacionais. A detetive Renée Montoya enfia a porrada em policial legista, em uma briga de bar. Tudo isso para tentar salvar a pele de seu parceiro, que está sendo injustamente acusado de matar sem razão um supervilão (o Black Spider) durante uma ação de rotina. As sequências de Montoya com sua namorada também são lidadas de forma muito legal por Rucka, com naturalidade e realismo. Um excelente quadrinho policial, que aqui neste arco mais curto encontra uma bem-vinda parada para tomar fôlego. Felizmente, é o único título ligado ao Batman que não está participando do extremamente ridículo crossover War Games, que tem me afastado de todas as outras revistas do morcego, por enquanto. E é desenhado por Michael Lark (Terminal City), um dos meus artistas favoritos, que nestas duas edições adotou um estilo mais solto, com ecos de Gene Colan.
Muito Legal (9 / 10)

MARVEL KNIGHTS 4 – 11
Marvel Knights
Texto: Roberto Aguirre-Sacasa
Arte: Jim Muniz

Outro título que, assim como o Spider-Man de Mark Millar, peca pela redundância. Não há motivo para um segundo título do Quarteto Fantástico, principalmente quando o título principal, Fantastic Four, está em tão boa fase a cargo de Mark Waid. Sem falar que, cronologicamente, os dois títulos não fazem o menor sentido quando colocados lado a lado. Mas isso seria até perdoável se 4 fosse bom. Não é. E tem piorado a olhos vistos. Jim Muniz é um bom desenhista, mas o problema é Aguirre-Sacasa não dá nada de interessante para o sujeito desenhar. As histórias são toscas, com os personagens reagindo de maneira totalmente out-of-character e, pior, não fazendo nada. É o Quarteto Fantástico e, enquanto Nova York vai pras picas, eles ficam batenbdo papo pelo celular? Ah, não tenho mais pacioência para quadrinhos de super-heróis que se comportam como personagens de sitcom, como se a Marvel tivesse ficado sem grana para os efeitos especiais. Bom, nesta edição continuamos vendo os efeitos do ataque do Psico-Homem à NOva York mas, fora isso, nada acontece. O Quarteto não faz absolutamente nada além de andar pra lá e pra cá (Reed nem sequer sai do Edifício Baxter) e falar pelo celular. Vou ler a próxima edição, que encerra este arco (ao que parece matando gratuitamente o Psico-Homem, um dos vilões mais interessantes do Quarteto) e depois disso estou fora deste título. Que coisa mais chata, parada e infestada de personagens que falam sem parar e agem de maneira estúpida.
Que Meleca, Hein? (2 / 10)

THE PUNISHER 12
Marvel Max
exto: Garth Ennis
Arte: Leandro Fernandez

É a conclusão da história Kitchen Irish, que mostra uma guerra entre várias gangues da máfia irlandesa em Nova York pelos espólios e misteriosa fortuna deixada por um velho mafioso recém-falecido. Frank Castle, está no meio disso tudo, aproveitando para jogar os bandidos uns contra os outros até poder matar todos eles no final. A história é legal e os desenhos de Leandro Fernandez são muito bons, na linha realista seguida por figuras como Lee Weeks (que eu adoro quando bem-aplicada). Mas Garth Ennis não consegue fazer deste Justiceiro do selo Max algo tão interessante como era seu Justiceiro do selo Marvel Knights. Até entendo que o cara tenha se cansado da abordagem mais humorística e absurda e tenha preferido passar a fazer um Punisher mais sério, realista e adulto, mas ele não precisava ter extirpado TODO o senso de humor da série. The Punisher está sério e dark demais e, pior: está sem graça. As situações não despertam muito o interesse, apesar do plot em geral ser inteligente e bem escrito. Enfim, falta algo nesta série.
Tá, é Bacana (7 / 10)

TOM STRONG 29
ABC
Texto: Ed Brubaker
Arte: Duncan Fegredo

Começa aqui a história em duas partes escrita por Ed Brubaker. E começa bem. Tom Strong e sua filha Tesla vão até os Andes, onde – bizarramente – se deparam com uma pirâmide maia, ao invés de inca, como era de se esperar. Um antigo inimigo de Strong está na pirâmide, tentando unir dois antigos artefatos que o tornarão superpoderoso. Após algumas situações típicas de Indiana Jones ou Lara Croft, Tom e Tesla capturam o vilão, mas ele consegue usar os tais artefatos antes disso. Aparentemente nada muda, até as páginas finais, quando Tom – e o leitor – finalmente descobrem o que mudou e porque este arco se chama A Terrível Vida Real de Tom Strong. O desenhista Duncan Fegredo está genial e aqui adota um estilo diferente, mais limpo e clean, parecido com o de Chris Sprouse, desenhista original desta série. Até o final, quando ele volta a ser o mesmo Fegredo de Enigma e outras séries da Vertigo (a vida real de Tom Strong deve ser mesmo terrível, pelo que sugerem os desenhos desta parte final). Um começo poderoso, com Brubaker e Fegredo em plena forma (e surpreendendo ao lidar de forma tão competente com um personagem e um gênero tão distantes do que os dois estão acostumados a fazer).
Muito Legal (9 / 10)

WARLOCK 2
Marvel
texto: Greg Pak
Arte: Charlie Adlard

A primeira edição desta série não me deixou uma impressão muito agradável e esta segunda edição é a que expele de vez esta revista da lista de títulos “resenháveis”. Ap que parece, Warlock se passa em uma realidade onde não existem super-heróis, não no universo Marvel. O Enclave, aquele trio de cientistas, quer criar um “super-herói” para dominar o mundo e impôr a ele uma ditadura utópica, sem problemas ecol´pogicos, pobreza, fome, guerras, etc. Você já viu isso antes. O problema é que a revista exala um total desprezo pelo gênero super-herói (na edição anterior, um quadro com o Warlock original, de Jim Starlin, era usado como exemplo de “design errado” para o que os caras queriam fazer (o tal “salvador”). O texto de Greg Pak é insuportável, cheio de clichês e pretensões que nunca se realizam. Todos os personagens são antipáticos e a ambientação é extremamente implausível. Ironicamente, mais implausível do que as space operas setentistas que Pak pretende sacanear. O que nos faz pensar: se é para criar algo tão diametralmente oposto ao original, pra que usar a imagem e o nome de Warlock e não simplesmente criar algo novo? Do jeito que isto é feito (a mesma coisa aconteceu na nova e já cancelada revista do Silver Surfer), não agrada a ninguém: nem aos novos fãs, nem aos fãs do Warlock, nem ao tal “leitor casual”. Duvido que passe do número 10. Uma pena que o excelente desenhista Charlie Adlard esteja sendo desperdiçado nesta titica.
Que Meleca, Hein? (1 / 10)

Esta semana teve ainda os lançamentos de Rex Mundi 12 e 100 Bullets 54, mas estou atrasado na leitura destas séries. Por isso, Rex Mundi 12 só aparece na próxima leva de resenhas (100 Bullets vai demorar mais um tempo, já que estou láááá atrás).

Quadrinhos da Semana (6/10) – Parte 4

THE TOMB OF DRACULA 1
Marvel
Texto: Robert Rodi (a partir de uma história de Bruce Jones)
Desenhos: Jamie Tolagson

Uma estranha edição de estréia. Não sei o quanto foi aproveitado do roteiro original de Bruce Jones, que estava programado para ser o roteirista desta série, e o quanto foi adicionado por Robert Rodi, mas a intenção é clara: criar um time de novos parceiros para Blade, repetindo assim o esquema “grupo de especialistas caça o Conde Drácula” que fez o sucesso da série Tomb of Dracula original dos anos 70, por Marv Wolfman e Gene Colan. Infelizmente, a comparação deixa esta primeira edição em uma posição bem pouco confortável. Rodi quis criar um grupo de especialistas em diversas a´reas, do ocultismo às artes marciais, das armas biotecnológicas aos conhecimentos arcanos do Vaticano. mas seus personagens soam unidimensionais e parecem ter saído de um videogame (ruim). Pra piorar as coisas, ele resolveu escrever Blade da mesma forma chata e metida a besta que o personagem é retratado nos péssimos filmes da série. os desenhos de Jamie Tolagson são competentes, mas a lembrança de que a série original era desenhada por um mestre como Gene Colan faz com que o sujeito acabe parecendo um amador (e alguns quadros são bem ruins). Enfim, é um “Blade e seus amigos marrentos” para uma geração acostumada com Tomb Raider, Solid Snake e o James Bond de GoldenEye. Cinema em quadrinhos, para o bem e para o mau. Para piorar a situação, Drácula (que aparece apenas na última página) é retratado como uma espécie de Marilyn Manson, cabeludo, magro e sem camisa. Esta série poderia ser legal se Rodi e a Marvel não quisessem tanto jogar pelas regras do que é supostamente “cool” na cultura pop atual. Resultado: criaram uma imitação de blockbuster.
Uma porcaria (4 / 10)

WOLVERINE 20
Marvel Knights
Texto: Mark Millar
Desenhos: John Romita Jr.

Mark Millar estréia na revista mensal do Wolverine, em substituição a Greg Rucka. Com ele vem John Romita Jr., que faz aqui um excelente trabalho: diagramação, narrativa, desenhos, Romita filho mostra que é um dos melhores desenhistas dos quadrinhos atuais. E Millar não faz feio: afastando-se das táticas fáceis de choque que têm arruinado seus trabalhos recentes, ele conta uma história do Wolverine como não se via desde os primeiros anos de existência desta revista. Estão ali as respeitosas homenagens a Frank Miller, John Byrne e vários outros. Wolverine é sequestrado e drogado pelos ninjas do Tentáculo (The Hand), que estão agindo ao lado dsa HIDRA em alguma grande conspiração bizarra. Resultado: agora Logan está fora de controle, matando todo mundo por aí, como uma espécie de arma viva controlada à distância pela HIDRA. Esta edição é apenas de setup, mas a caracterização dos personagens está muito bom (o que é uma surpresa, em se tratando de um quadrinho escrito por Mark Millar). termina com Logan e Elektra prestes a se enfrentar. Vamos ver como esta luta se desenrola na próxima edição (afinal, o ponto principal desta fase de Millar na revista é justamente fazer Wolverine enfrentar todos os principais personagens do universo Marvel). O que pode render histórias geniais ou estúpidas. Vamos ver. Por enquanto, um começo promissor.
Muito Legal (8 / 10)

Y – THE LAST MAN 27
Vertigo
Texto: Brian K. Vaughan
Desenhos: Pia Guerra

Após uma edição de flashback, onde Vaughan mostrou o passado de Hero, a irmã de Yorick (o “Y” do título), ele volta à carga, avançando o plot. Yorick é atacado por estranhas mulheres vestidas de burqas, em San Francisco. Enquanto isso, Hero continua procurando pelo irmão, na mesma cidade. E, para total surpresa, finalmente descobrimos o que aparentemente impediu Yorick de morrer vitimado pela praga que dizimou todos nos homens do planeta. Uma descoberta bizarra e que faz fechar a edição em um cliffhanger sensacional. Uma série que se mantém estável e competente. Ah, o traço de Pia Guerra é bastante simpático e ela sabe contar uma história visualmente (atributo raro atualmente).
Muito Legal (8,5 / 10)

YOUNGBLOOD – BLOODSPORT 1
Arcade Comics
Texto: Mark Millar
Desenhos: Rob Liefeld

Ler isso foi uma tortura e confesso que, ao contrário do que aconteceu com outras coisas horrendas que já resenhei aqui, não tive saco pra continuar lendo após a página 10. Desde a cena inicial, onde dois caras idênticos a Ciclope e Wolverine só que com perucas pagam um blow job para dois dos personagens de Liefeld em uma banheira até a sequência do roubo do pentelho sagrado de Supreme, é tudo tão retino, tão apelativo, tão idiota, tão reprimidamente reacionário e tão HORRENDAMENTE desenhado e colorido (Liefeld parece piorar com o tempo, como se isso fosse possível), que minha reação crescente foi de raiva por estar lendo essa tralha. Que Rob Liefeld é um babaca oportunista, mentiroso e péssimo artista nós já sabíamos de outras paradas, mas é triste ver que Mark Millar possa descer a este nível de apelação – e pior, com a cara dura de dizer que “esperem coisas de gosto ainda mais duvidoso para a próxima edição”. “Esperem”, quem, cara pálida? Millar parece não ver a diferença entre a boa e velha subversão (que vai de Robert Crumb a Gary Panter) e uma porcaria apelativa e caça-níqueis. Isso que dá, um ex-coroinha querer posar de bad boy: erra o alvo e feiamente.
Fuja Dessa Merda (0 / 10) – somente porque não existe uma cotação mais baixa do que essa.

Quadrinhos da Semana (6/10) – Parte 3

QUEEN & COUNTRY 27
Oni Press
Texto: Greg Rucka
Arte: Mike Norton

O arco “Saddlebags” chega à sua parte 2, enquanto Tara Chace continua investigando as ações de um possível agente duplo ou traidor de Sua Majestade. O pior é que o tal suspeito, como descobrimos nesta edição, é irmão de um ministro e amigo de adolescência do Primeiro Ministro. Isso, claro, torna o fato dele supostamente estar vendendo segredos para os russos muito mais delicado. Chace é supreendida após invadir o quarto de hotel do tal suspeito, em São Petersburgo, e faz uma escapada inacreditável. O melhor de Queen & Country é a onipresente sensação de realismo, de que as pessoas realmente se machucam e podem morrer ou fazer alguma merda a qualquer momento. Um dos melhores quadrinhos sendo publicados atualmente, é aqui que Greg Rucka mostra toda sua maestria como escritor, seja na confecção dos plots como na caracterização dos personagens. Os desenhos de Mike Norton são competentes e cumprem seu papel, com bom domínio da narrativa. Uma série que mostra ficar cada vez melhor e mais intrigante. E vesta edição fecha com um cliffhanger excelente. Mais do que recomendo.
Excelente! (9,5 / 10)

SWAMP THING 8
Vertigo
Texto: Will Pfeifer
Arte: Richard Corben

Will Pfeifer encerra seu pequeno arco intermediário, deixando esta se´rie pronta para o novo roteirista, Joshua Dysart, que estréia na próxima edição. Apesar da excelente arte de Richard Corben (que aqui ganha um ótimo reforço graças às fantásticas cores de Martin Breccia), a história imaginada por Pfeifer jamais chega a decolar. Nesta edição, os personagens coadjuvantes somem da mesma forma abrupta que apareceram, de forma que quase chega a anular a trama iniciada na primeira edição escrita por Pfeifer. Normalmente Will Pfeifer é um bom roteirista, como mostrou na série H.E.R.O. mas aqui ele mistura caçadores de monstros, mídia sensacionalista e passeios pela mente perturbada de Alec Holland sem jamais chegar a lugar algum. Vale pela arte maravilhosa de Corben, que também faz aqui uma participação especial antes do retorno do artista oficial da série, Enrique Breccia, na próxima edição. Enfim, vamos aguardar para ver o que Dysart e Breccia fazem com o Monstro do Pântano. As primeiras seis edições, escritas por Andy Diggle, desapontaram um pouco. Este arco escrito por Pfeifer não acrescentou nada a nada. talvez tivesse sido melhor deixar o Swamp Thing repousar em paz no limbo dos quadrinhos. Enfim, é esperar e ver se Dysart tem algo a acrescentar a esta velha série, que talvez já tenha esgotado todos os seus cartuchos.
Só Para Fãs (5,5 / 10)

THOR 85
Marvel
Texto: Michael Avon Oeming
Arte: Andrea DiVito

Michael Avon Oeming encerra com esta edição não apenas a saga Ragnarok, mas também mais de 40 anos da revista mensal The Mighty Thor. Conhecido anteriormente pelos desenhos da série Powers, Oeming surpreendeu neste arco como um escritor bastante competente, fechando a saga de Thor de uma forma que faz justiça a todos os bons momentos que este título abrigou antes (Lee e Kirby, Zelenetz e Buscema, Walt Simonson, etc). Bem, é o Ragnarok e daqui ninguém sai vivo. Nas edições passadas vários dos coadjuvantes tradicionais desta série já haviam tombado na batalha final (Balder, Fandral, Hogun, Valquíria, Karnilla, Heimdall, entre vários outros). Nesta edição, os dois únicos que ainda restavam, Volstagg e Sif, também empacotam de vez. Restam apenas Thor, a cabeça falante de um decapitado Loki e… o mistério por trás do significado do Ragnarok. É este o grande elemento que faz desta fase de Thor um fecho com chave de ouro, ao invés do triste canto do cisne que imaginei que seria. Oeming e seu texto éíco e adequado encontra eco na sensacional arte de Andrea DiVito, que mostra que nasceu para desenhar coisas cósmicas e grandiosas. Thor inevitavelmente voltará daqui a um tempo, ainda que em outra forma e com outro conceito, o que a Marvel jamais escondeu de seus leitores. Ainda assim, este Ragnarok fecha de forma adequada uma série tão antiga e, o que é melhor, faz isso com respeito e carinho por estes personagens e pela bizarra Asgard imaginada por Stan Lee e Jack Kirby. O que é melhor: abre espaço para que Thor e os deuses nórdicos sejam aproveitados de uma forma diferente no universo Marvel. Resta saber agora quem a Marvel vai escolher para essa tarefa. De todos os personagens Marvel, Thor talvez seja o que mais mostra sinais de cansaço e temas datados. O final foi ótimo; só espero que não estraguem tudo na futura “nova fase”, que deverá estrear em algum momento do ano que vem.
Muito Legal (9 / 10)

Quadrinhos da Semana (6/10) – Parte 2

HULK / THING: HARD KNOCKS 2
Marvel Knights
Texto: Bruce Jones
Arte: Jae Lee

Estamos na segunda edição desta minissérie em quatro partes e o propósito de sua existência continua pouco claro. O Coisa vai até o deserto, para bater um papo com o Hulk e contar antigos casos do Quarteto Fantástico, como os primeiros encontros com o Doutor Destino e com o próprio Hulk (as histórias originais eram de Stan Lee e Jack Kirby). Com isso, Ben Grimm parece querer falar com alguém que entenda o aspecto de ser um monstro freak e temido pelos humanos. Mas o comportamento dos dois personagens às vezes soa auto-consciente demais, cheio de piscadelas de olho para o leitor. Quero ver onde Bruce Jones leva esta minissérie, mas por enquanto parece ser mais um caso de encheção de linguiça enquanto a revista do Hulk não é relançada. Os desenhos de Jae Lee são muito bons, mas ele erra a mão justamente nos dois protagonistas, que parecem personagens que você nunca viu antes (principalmente o Coisa, renderizado de forma bastante ruim por Lee). Mas, fora estas exceções – ainda que importantes -, a arte de Lee está sensacional. O roteiro de Jones não é ruim, mas vamos esperar para ver se ele tem algum final que justifique tudo isso ou se é só uma enrolação.
Tá, é Bacana (6 / 10)

THE LOSERS 16
Vertigo
Texto: Andy Diggle
Arte: Jock

The Losers começa aqui um novo arco, que é até bastante amigável para pessoas que nunca leram a série. Talvez isso seja proporistal, já que Losers infelizmente tem vendido muito pouco. O que é que acontece com a Vertigo que só consegue vender coisas meio góticas, enquanto séries sensacionais como The Losers e Human Target vendem quase nada? Fico pensando se os “leitores adultos” da Vertigo não sofrem do mesmo mal que suas contrapartes que lêem super-heróis e só conseguem aceitar coisas que tenham fadas, duendes e pessoas vestidas de preto. Mas vamos lá: esta edição mostra finalmente como os Losers vieram a “morrer”, passando a enfrentar seus antigos patrões, a CIA. Tudo isso é contado pelo Coronel em flashback, durante um vôo de avião em que ele finalmente resolve explicar para Aysha, a afegã, como o grupo veio a se tornar sabotadores das ações de black ops da CIA. Uma boa edição, bem escrita e direta ao ponto, como sempre acontece com Andy Diggle. A arte de Jock é sensacional, talvez prejudicada um pouco nas sequências de flashback, que receberam um tratamento diferenciado de cor, com uso inusitado de retículas. O resultado é bom, mas fica um pouco aquém do que certamente era o objetivo inicial do colorista e do editor, graças à impressão meio bunda da revista. Ainda assim, uma leitura de qualidade.
Muito Legal (8 / 10)

WONDER WOMAN 208
DC
Texto: Greg Rucka
Arte: Drew Johnson

Greg Rucka acertou em cheio na edição especial Hiketéia, mas não conseguiu até agora repetir o mesmo grau de qualidade em sua fase na revista mensal da Mulher Maravilha. O pior é que a culpa não é só de Rucka, mas da própria personagem. Assim como Superman e Aquaman, Wonder Woman tende a ser chata pra caralho e só funciona quando é arrancada a força de seu mundo natural. Estes três personagens são muito datados e merecem, sim, uma boa mexida. Rucka segue pelo camninho certo, usando criaturas mitológicas e deuses do panteão grego (um dos elementos mais legais e subestimados do universo da WW), mas a história tem papo furado demais, ao menos nesta edição, que é passada inteiramente no interior da Casa Branca. Essa história da Mulher Maravilha ser a embaixatriz de Themyscira, representante sei lá do quê no “Mundo dos Homens”, é francamente um saco. Ela funciona quando é mostrada como uma guerreira, enfrentando seres mitológicos bizarros. Ainda assim, a luta dela contra a Medusa, nesta edição, é tão fraquinha que nem precisavam ter usado a Medusa para tal papel ridículo. E os desenhos de Drew Johnson são entediantes, apesar de mais ou menos competentes. Johnson é uma espécie de sub-Terry Dodson, seguindo aí éla linha do Adam Hughes e do Alan Davis, mas sem o brilho destes. Seus rostos em especial são feios e irritantes, com a perspectiva meio errada. Enfim, eu queria gostar desta série, graças a Greg Rucka, que é um bom escritor, mas parece que nem ele é capaz de salvar uma personagem que vem sendo retratada de maneira chatíssima há tantos anos. A DC precisa repensar esses três medalhões: se Batman, Flash e Lanterna Verde ainda funcionam mais ou menos bem, Superman, Aquaman e MM mostram horrivelmente o peso da idade.
Só Para Fãs (5 / 10)

Quadrinhos da Semana (6/10) – Parte 1

303 1
Avatar Press
Texto: Garth Ennis
Arte: Jacen Burrows

Nesta minissérie Garth Ennis conta mais uma de suas histórias de guerra, mas felizmente ele é bom nisso. Desta vez tudo se passa nas montanhas do Afeganistão, onde dois grupos de forças especiais lutam para ver quem encontra primeiro os destroços de um avião que se espatifou nas rochas. Os protagonistas são os russos, que correm para achar a aeronave antes dos ingleses. O texto de Ennis está bom, com cenas inovadoras que desafiam os clichês das histórias do gênero, ao mesmo tempo que continuam plausíveis. Os desenhos de Jacen Burrows, o nome de maior destaque das fileiras de desenhistas da Avatar, são competentes, apesar de sua total deficiência para desenhar montanhas, rochas e cenários naturais. O que, convenhamos, é um pré-requisito para uma história passada no árido e montanhoso terreno afegão. Apesar de algumas montanhas se parecerem mais com móveis cobertos por um lençol (as texturas de Burrows parecem mais adequadas para superfícies de pano do que rochas) e do trabalho um tanto bizarro da colorização, este primeiro número funciona.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

CAPTAIN AMERICA AND THE FALCON 8
Marvel
Texto: Christopher Priest
Arte: Andrea DiVito

Este é o segundo título mensal do velho Capitão, além de Captain America, que é o principal. Apesar de não ter uma razão muito clara para existir, a revista se segura graças ao texto competente de Christopher Priest. A história atual mescla uma conspiração da Marinha americana para criar um “Anti-Capitão”, sua própria versão do supersoldado. Só que o chefe do projeto está envolvido em uma trama para incriminar Sam Wilson, o Falcão, além de ter ligações com o cartel de drogas colombiano e com Modok. Parece uma salada, mas Priest amarra tudo de forma bacana e coerente. Claro que, assim como acontecia em Black Panther, Priest abre bastante espaço para os personagens negros da Marvel: além do próprio Sam Wilson, aparecem com frequência leila, ex-namorada de Sam; o editor do Clarim Diário, Joe Robertson; e o staff da embaixada de Wakanda, entre outros. A caracterização dos personagens é certeira, o que mostra que um sujeito como Priest, perto de nomes como Bendis e Millar, já pode ser considerado “old school” (e digo isso como um elogio). A arte de Andrea DiVito é competente, se destacando no ritmo da narrativa e na criação de cenas de suspense. Um bom quadrinho de super-heróis, com uma trama que poderia soar bizarra mas está funcionando bem. O único senão é que, após oito edições, já começa a chegar a hora de Priest amarrar o final deste arco.
Muito Legal (8 / 10)

CONAN AND THE DAUGHTERS OF MIDORA
Dark Horse
Texto: Jimmy Palmiotti
Arte: Mark Texeira

Nesta edição one-shot, Conan deve resgatar a filha de um rei, que foi sequestrada por um feiticeiro. Apesar dos desenhos competentes de Mark Texeira (que mesmo assim parece ter feito tudo meio na correria, se compararmos com seu trabalho dos anos 90), a edição afunda graças ao fraquíssimo texto de Palmiotti. Uma história bem abaixo da média da revista mensal de Conan e que não justifica seu lançamento em formato one-shot. Espero que a Dark Horse não caia no erro da Marvel, que afundou a qualidade de seu Conan justamente graças à quantidade absurdamente grande de séries e one-shots. Seria uma edição inofensiva, para fãs, se o plot e os diálogos de Jimmy Palmiotti não fossem tão, tão ruins. E ele sofre ainda mais com a comparação, já que o roteirista da série normal de Conan é Kurt Busiek, que vem fazendo um belo trabalho.
Só Para Fãs (4 / 10)