Quadrinhos (15/12)

Quadrinhos (lançados em 15/12)

AVENGERS – EARTH’S MIGHTIEST HEROES 3
Marvel
Texto: Joe Casey
Arte: Scott Kolins
Um número mais fraco que os anteriores e mesmo assim Casey obtém alguns bons momentos. os Vingadores recebem uma proposta de trabalho por parte do exército americano, enquanto a mídia se preocupa se os novos heróis não são tão perigosos quanto o Hulk. Steve Rogers fica sabendo sobre acontecimentos desastrosos como a Guerra do Vietnã e o grupo enfrenta os Mestres do Mal (lembro quando li a história original, por Lee e Kirby, quando eu era criança, ainda nas horrendas edições de Os Vingadores pela extinta editora Bloch). Uma edição apenas correta, com desenhos adequados de Scott Kolins.
Bom (7/10)

DAREDEVIL 68
Marvel
Texto: Brian Michael Bendis
Arte: Alex Maleev
Pff. Não acontece absolutamente nada nesta edição e terminamos exatamente da mesma forma que estávamos na edição anterior: Murdock preso e espancado por Melvin Potter, o Gladiador, a mando do tal sr. Bont, o gangster fracassado e velho da Cozinha do Inferno. Vários flashbacks sem sentido ou relevância (um deles envolvendo os medalhões do falecido Hector Ayala, o Tigre Branco) e Bendis preenche uma edição inteira sem na verdade mostrar nada de novo. Que picareta. Ah, Maleev continua usando sua máquina de xerox.
Fuja Dessa Merda (0 / 10)

CATWOMAN 38
DC
Texto: Scott Morse
Arte: Paul Gulacy
Esta é a primeira edição de Catwoman sem o texto de Ed Brubaker e as coisas não parecem muito promissoras. Scott Morse tem o mérito de ter criado um vilão TÃO bizarro (Wood Nickel, basicamente um cara feito de madeira) que ele acaba funcionando, num certo sentido Silver Age. Mas a história em si é boba e os diálogos são arrastados e metidos a “espertos”. Paul Gulacy. como sempre, é um mestre nas cenas de ação. É ele, aliás, que garante o interesse nesta edição. Mas, como um todo, um momento de queda para uma série que vinha mantendo um nível bastante bom ao longo dos anos.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

EX MACHINA 7
Wildstorm
Texto: Brian K. Vaughan
Arte: Tony Harris
Mitchell Hundred, o prefeito de Nova York e o homem que publicamente age como o herói conhecido como Ex Machina, decidiu tentar aprovar o casamento entre homossexuais na cidade. Enquanto isso, novas aparições da misteriosa tag no metrô causam novas vítimas de loucura. Brian Vaughan está criando uma pequena obra-prima aqui, misturando política, diálogos sensacionais e personagens interessantes e reais. A arte não fica atrás, já que Tony Harris talvez esteja criando aqui a melhor coisa de sua carreira (Starman incluso). O que você está fazendo que não está lendo isso?
Excelente (9,5 / 10)

FANTASTIC FOUR 521
Marvel
Texto: Mark Waid
Arte: Mike Wieringo
Assim é que se faz um quadrinho de super-heróis: idéias sensacionais, ao mesmo tempo absurdas e plausíveis; personagens criativos, ao mesmo tempo pop e dramáticos. Mark Waid está realizando aqui um de seus melhores trabalhos e, ao que parece, a saga atual vai lançar nova luz sobre o que Galactus realmente é. Mais duas edições para que Waid feche com chave de ouro sua fase nesta revista. A arte de Mike Wieringo está ótima, muito mais “clássica” e tradicional do que o sub-mangá que ele costumava criar. Um dos melhores títulos da Marvel atual (na verdade, um dos poucos títulos bons da Marvel atual).
Excelente (9 / 10)

HUMAN TARGET 17
Vertigo
Texto: Peter Milligan
Arte: Cameron Stewart
Esta edição one-shot tem como desenhista convidado Cameron Stewart (Seaguy) e ele cumpre muito bem seu papel, adequando seu estilo ao desta série, mas sem perder de vista seu estilo habitual. Peter Milligan continua utilizando o personagem Christopher Chance para explorar tópicos como identidade, auto-imagem, desejos e fugas. Nesta edição, Chance é contratado para mudar completamente uma mulher perseguida por mafiosos, mas até onde suas intenções apenas ditam seus desejos mais mesquinhos?
Bom (7 / 10)

IDENTITY CRISIS 7
Texto: Brad Meltzer
Arte: Rags Morales
Não vou perder muito tempo falando sobre isso. Até mesmo a arte de Rags Morales está ruim e confusa nesta edição. E nada faz sentido neste que é um dos plots mais pobres que já vi. Várias pontas soltas ficam abertas, como o filho do Capitão Bumerangue e seus poderes de ultra-velocidade, a lavagem cerebral realizada em Batman, etc. Aparentemente, Eléktron e Homem-Elástico agora são personagens muito menos interessantes e “adultos”. Bela porcaria. E, retroativamente, a “solução” (ah, ah, ah) deste “mistério” contradiz não só partes do texto das edições anteriores, mas também as dicas visuais deixadas pelo desenhista. Péssima idéia, péssima realização, com péssimas e tristes consequências. Misógino, grotesco, de mau gosto, sensacionalista, estúpido, picareta, reacionário, mau escrito, cafona, bobo, Identity Crisis só ganha uma nota “zero” por não haver uma categoria inferior.
Fuja Dessa Merda (0/10)

LUCIFER 57
Vertigo
Texto: Mike Carey
Arte: Peter Gross
Lilith continua os preparativos de sua ofensiva contra o trono de Yahweh. Para isso, ela segue sua parte no acordo e começa a eliminar alguns de seus próprios filhos, que sofrem mortes terríveis. Lucifer é um dos melhores quadrinhos atuais e, embora às vezes tenha mos a impressão de que as coisas poderiam ser mais rápidas ou que a história não está levando a lugar algum, logo Mike Carey nos reafirma que está no comando, unindo todas as pontas de forma única. Peter Gross, contudo, já foi um melhor artista, mas desconfio que esteja sendo uma vítima da arte-final.
Bom (7,5 / 10)

MADROX 4 (de 5)
Marvel Knights
Texto: Peter David
Arte: Pablo Raimondi
Não bastasse Pablo Raimondi ser um excelente artista, mais do que adequado para histórias urbanas e noturnas como esta, essa mini ainda conta com um dos melhores texto de Peter David. Através de Jamie Madrox, o Homem-Múltiplo, David expõe suas idéias mais bizarras e legais. Nesta edição o cerco parece se fechar em torno de Madrox, em Chicago; enquanto isso, Rahne Sinclair, em Mutant Town, Nova York, acaba de descobrir o primeiro caso de traição gay através de formas astrais.
Muito Bom (8,5 / 10)

MARVEL TEAM-UP 3
Marvel
Texto: Robert Kirkman
Arte: Scott Kolins
Desta vez Kirkman une as forças de Doutor Estranho e do Quarteto Fantástico e, embora ainda não seja aparente qual a ligação, esta história faz parte do mesmo arco envolvendo Homem-Aranha e Wolverine, que teve lugar nas duas edições de estréia desta revista. Finalmente Kirkman acerta mais a mão em sua dosagem de coisas legais da Era de Prata e da Era de Bronze, enquanto Kolins entrega uma arte competente. Aparições especiais de Hulk e Cavaleiro da Lua, além de um cliffhanger digno dos velhos tempos da Marvel. Aliás, essa revista prova que a Marvel é como rap: funciona bem melhor quando é old skool.
Muito Bom (8 / 10)

METAL HURLANT 14
Humanoids Publishing
Vários Artistas
Bons artistas como Guy Davis, Gerald Parel e Stefano Raffaele,mas esta antologia ainda deixa muito a desejar. Pra começar, as duas séries recorrentes são muito parecidas. Tanto The Zombies That Ate the World, de Jerry Frissen e Guy Davis, quanto Fragile, de Raffaele, abordam futuros próximos onde o mundo foi tomado por zumbis. OK, uma delas é de humor, enquanto a outra é um drama, mas ainda assim… zumbis. Uma melhor seleção faria maravilhas por esta revista. E esta edição em special é mais fraca que o normal, pois duas das histórias fechadas são insuportavelmente fracas. Uma pena, mas nem de longe faz juz ao que a Mètal Hurlant francesa era nos anos 70 e 80.
Tá, é Bacana (6 / 10)

OCEAN 3 (de 6)
Wildstorm
Texto: Warren Ellis
Arte: Chris Sprouse
Putz. Existe uma boa história aquei em algum lugar e tenho certeza que ela pode ser encontrada na leitura do futuro TPB desta minissérie. Mas, em capítulos mensais, ela simplesmente não aparece, porque NADA acontece. Como nada acontece, não há o que resenhar. Tenho a impressão de que, em TPB, Ocean deverá parecer um daqueles filmes de FC dos anos 70, com longos momentos de silêncio. Adoro… no cinema. Ellis deveria se afastar um pouco da TV e tentar voltar a ler. Quadrinhos são uma mídia estática e as cenas de sense of wonder que ele tenta impôr ao talentoso Chris Sprouse não impressionam, porque são apenas figuras estáticas numa página. É como ver fotogramas aleatórios de 2001. Esta edição se salva graças ao conceito de “humanos corporativos” que Ellis aborda aqui.
Tá, é Bacana (6 / 10)

TRIGGER 1
Vertigo
Texto: Jason Hall
Arte: John Watkiss
Trigger é a nova série mensal da Vertigo, escrita por Jason Hall (o mesmo da minissérie do Rastejante). E é uma boa estréia. Hall nos mostra um futuro onde tudo é controlado por uma corporação Ethicorp (cujo slogan é “We Get the Bad Out”). Desde o transporte público até a censura à TV, a Ethicorp está presente em tudo, observando cada casa com uma câmera para garantir que “os caras maus estejam fora”. Parece uma ambientação clichê, mas tudo indica que Jason Hall tenha várias cartas na manga. O protagonista é Carter Lennox, empregado da Ethicorp (como quase todo mundo), que leva uma vida de merda, sem trepar com sua esposa, com um trabalho sem sentido e desinteressante e cuja única diversão é escrever (em antiquadas máquinas de datilografia) e ler romances de Phillip Marlowe (em edições antiquadas e “assassinas de árvores”, feitas de papel; ou seja, livros). Parece uma mistura de 1984 e Fahrenheit 451, mas as tonalidades bi brotherianas não são ingênuas e descaradas como as destes livros. Antes, se parecem com as táticas corporativas de hoje: as pessoas são controladas porque querem e porque assim tudo se torna mais “fácil” e “limpo” (nos dê mais alguns anos e chegaremos lá, pelo visto). O desenho de John Watkiss (Sandman Mystery Theatre) é único e mescla genialmente art dèco, film noir e cyberpunk (sou só eu, ou “cyberpunk” soou o mais antigo nesta frase?). Mas o destque vai para a fantástica colorização de Jeremy Cox, que acerta em cheio o tom da história. Enfim, uma estréia mais do que promissora, com os toques certos de subversão, drama, FC e mistério.
Excelente (9 / 10)

Quadrinhos da Semana (08 / 12)

Ainda tirando o atraso de fim-de-ano. Vamos lá:

ANGELTOWN 2 (de 5)
Vertigo
Texto: Gary Phillips
Arte: Shawn Martinbrough
A trama se complica ainda mais neste noir-Los-Angeles-Spike-Lee-GTA 3. O texto de Gary Phillips às vezes soa forçadamente “hip” e “street”, mas funciona. Os desenhos de Martinbrough são simples, mas captam bem o clima realista, ensolarado e exagerado da história, que nesta segunda edição começa a pegar fogo. Mas a narrativa às vezes soa desnecessariamente complicada, em um exemplo perfeito de história que funciona melhor quando lida de uma vez só, em TPB, do que em pílulas mensais.
Bom (7,5 / 10)

AQUAMAN 25
DC
Texto: John Arcudi
Arte: Patrick Gleason
John Arcudi toma as rédeas da nova fase deste título após um arco introdutório a cargo de John Ostrander. Aquaman precisa lidar com algo que nunca viu antes no fundo do mar: viciados em heroína. Isso acontece, claro, em Sub Diego, a antiga San Diego que agora está no fundo do mar, habitada por humanos que respiram debaixo d’água. A condição desgraçada destes humanos, que repentinamente se vêem em uma realidade totalmente diferente, é bem retratada por Arcudi, que é ótimo em caracterizações. Mas não sei se fazer de Aquaman um personagem com uma cidade fixa de atuação é algo tão legal assim.
Bom (7 / 10)

B.P.R.D. – THE DEAD 2 (de 4)
Dark Horse
Texto: Mike Mignola e John Arcudi
Arte: Guy Davis
Hellboy e as séries do grupo B.P.R.D. talvez sejam o que o quadrinho americano tem de mais parecido com um fumetti. Personagens fortes e tramas inteligentes, dentro de uma continuidade clara, mas não dependentes de uma cronologia limitadora. Mignola e Arcudi criam nesta nova mini um bom conto de horror, onde Abe Sapiens finalmente tem parte de seu passado revelado. Enquanto isso, na nova base do Colorado, Liz Sherman, Roger e Johann descobrem algo esquisitíssimo. Guy Davis está ótimo nesta série e o colorista Dave Stewart também merece uma menção.
Muito Bom (8,5 / 10)

DEMO 12 (de 12)
AiT/PlanetLar
Texto: Brian Wood
Arte: Becky Cloonan
A maxissérie em 12 partes Demo é concluída nesta edição, deixando em seu rastro uma trilha de altos e baixos. Grandes momentos se alternaram com outros não tão satisfatórios. Esta edição tem duas histórias. A primeira, com desenhos de Cloonan, a artista da série, é uma pequena pérola. Escrita por Wood através de estrofes, como a letra de uma música silenciosa, é uma espécie de nouvelle vague passada no Brooklyn. A história de back-up inverte os papéis: Cloonan escreve e Wood desenha. É bom ver o ótimo traço de Brian Wood mais uma vez, com toda sua poesia stencil-urbana.
Muito Bom (8,5 / 10)

GOTHAM CENTRAL 26
DC
Texto: Ed Brubaker
Arte: Michael Lark
É a primeira edição sem a excelente arte de Michael Lark, que partiu para um contrato de exclusividade com a Marvel. Uma pena. O texto de Ed Brubaker continua afiado e de altíssima qualidade, tanto em termos de plot como de caracterização e diálogos. Brian Bendis, aliás, faria muito em prestar atenção aqui e aprender como se escreve histórias policiais. Mas o novo artista, Jason Alexander, deixa muito a desejar. Ele não é ruim, mas seu estilo fluido talvez ficasse muito melhor em uma história em preto e branco (e os personagens não são facilmente reconhecíveis, o que é um problema numa revista onde ninguém usa sem super-uniformes; quer dizer, este número é uma exceção, já que aparece em cena a Mulher-Gato, em uma ótima trama de “whodunnit?”).
Bom 7,5 / 10)

HULK & THING – HARD KNOCKS 4 (de 4)
Marvel
Texto: Bruce Jones
Arte: Jae Lee
Que completa perda de tempo. Esta minissérie é uma triste despedida de Bruce Jones de sua fase no Hulk e de seu retorno à Marvel. Ausência total de idéias, os diálogos mais idiotas e forçados do planeta; nem mesmo a arte do normalmente ótimo Jae Lee está boa aqui. Este encontrinho cheio de bate-bocas e briguinhas infantis entre Hulk e Coisa poderia ter rendido uma história divertida de oito páginas para coletâneas como a extinta Marvel Fanfare, mas alguém na Marvel estava doente quando deu sinal verde para que esta coisa fosse transformada em uma minissérie em quatro partes. Chato e pavoroso.
Uma Porcaria (3,5 / 10)

JLA 109
DC
Texto: Kurt Busiek
Arte: Ron Garney
O Sindicato do Crime deixa a Terra-2 e chega à nossa realidade, enquanto o planeta Qward passa por uma pequena revolução política e se prepara para voltar a ser o império colonialista de décadas atrás. A Liga aparece brevemente por duas páginas (o que já é um avanço, já que ela esteve sumida completamente da edição anterior). Busiek demonstra boas idéias aqui (como de praxe), mas há algo de errado no ritmo e abordagem desta história. E o que diabos aconteceu com o antes excelente Ron garney? Não está ruim, mas é uma mera amostra do que ele desenhava antes.
Tá, é Bacana (6 / 10)

THE PUNISHER 15
MAX
Texto: Garth Ennis
Arte: Dougie Braithwaite
A terceira parte do arco “Mother Russia” e Frank Castle e um delta force mané invadem uma base nuclear secreta na Rússia, para “salvar” uma menina que carrega um vírus mortal. Ennis acerta mais a mão nesta edição do que nas anteriores, com boas cenas de ação e tiroteios absurdamente exagerados. Braithwaite é um artista apenas correto e por vezes seu estilo soa um tanto repetitivo. Nada demais, mas um bom quadrinho de ação, despretensioso e ágil. Ainda assim, bem diferente da fase anterior de Ennis na revista, quando ele lançava mão do humor negro em altas doses.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

SHE-HULK 10
Marvel
Texto: Dan Slott
Arte: Paul Pelletier
Um número atípico, onde Dan Slott conta a origem secreta de Titãnia, desde sua infância até a época de Secret Wars. Slott tem uma grande vantagem sobre outros escritores: ao invés de ignorar a cronologia passada destes personagens ou, num outro extremo, de ceder sob o peso de épocas anteriores, ele utiliza a continuidade a seu favor, tecendo histórias divertidas e inteligentes. Com certeza um dos melhores argumentistas atualmente escrevendo para a Marvel, ele tem feito um ótimo trabalho nesta série. pelletier, sempre competente, continua aqui com seu estilo normal, bastante semelhante ao de Alan Davis.
Bom (7,5 / 10)

Comic Remix

Os personagens de Peanuts lêem Avengers Disassembled. Sensacional. Cortesia do Hector Lima.

RIP – Will Eisner

Will Eisner, o genial criador do Spirit, faleceu ontem, dia 3 de janeiro, aos 86 anos, após uma cirurgia cardíaca. As maiores homenagens desse blog a um dos principais gênios e revolucionários dos quadrinhos.

Quadrinhos da Semana (01/12)

DETECTIVE COMICS 801
DC
Texto: David Lapham
Arte: Ramon Bachs
Lapham estréia em Detective Comics com uma história bastante padrão para o Batman. Basicamente, é o morcego andando por Gotham e resolvendo problemas de seus habitantes. Uma menina de 14 anos que morre de overdose, um playboy mimado que está traficando, um incêndio num cortiço, etc. Bons desenhos de Ramon Bachs, com ecos de Will Eisner, mais do que adequados a um conto urbano como este. A mão de Lapham às vezes é meio pesada nos recordatórios e ele consegue ser ainda mais “vigilantista” do que Frank Miller (que ele claramente está decalcando aqui), mas é um começo interessante. A história de backup, a cargo de Mike Carey e o péssimo desenhista John Lucas, me fez perder o interesse na segunda página. Mas é sobre um circo que se apresenta em uma cidade vizinha à Gotham. A história é centrada nos manés do circo, sem Batman ou outros personagens reconhecíveis.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

DOC FRANKENSTEIN 1
Burlyman Entertainment
Texto: Larry e Andy Wachowsky
Arte: Steve Skroce
A revista que inaugura a nova editora de quadrinhos dos criadores de Matrix. Doc Frankenstein é um conto de realidade alternativa, explorando possibilidades pulps e diferentes linhas temporais, nos moldes da Liga Extraordinária de Alan Moore. Eu não sabia o que esperar desta edição, mas me surpreendi: é uma revista empolgante. O personagem-título é o próprio monstro criado por Mary Shelley, que deixa sua solidão no Ártico para buscar refúgio na América. De caçador de recompensas do velho oeste a herói involuntário, Doc Frankenstein é um personagem que já nesta primeira história oferece o mesmo frescor de Tom Strong e outras criações de Moore para a linha ABC. E não é exagero dizer que Steve Skrove faz aqui aquele que é, de longe, o melhor trabalho de sua carreira: a arte está simplesmente fenomenal. Na introdução da revista, os irmãos Wachowsky dizem que criaram um selo de quadrinhos por amarem esta forma de arte e por estarem de saco cheio com a atual tendência dos quadrinhos imitarem o que é mostrado na TV e no cinema. Como eles apontam (com toda razão), figuras como Jack Kirby eram geniais justamente por desenharem o impossível. Quadrinhos não dependem de verbas, não estão sujeitos a produtores intrometidos. Quadrinhos têm liberdade e possibilidade de mostrar o impossível. Me pareceu pretensão quando li, antes de ler a história, mas eles conseguiram: Doc Frankenstein esbanja sense of wonder e retrata o inexistente.
Excelente (9 / 10)

FALLEN ANGEL 18
DC
Texto: Peter David
Arte: David Lopez
Esta edição seria a última da série, por isso Peter David nos oferece o que teria sido um final para parte da trama. Mas felizmente a DC resolveu dar mais um ano de chance para este excelente título e com isso a edição 19 estará nas lojas em fevereiro. E, putz, que final teria sido. Shadow Boxer finalmente conhece o seu terrível e patético destino, enquanto o Magistrado descobre a verdade sobre o filho de Lee. Quer dizer, não tão verdade assim, talvez… mas dizer mais seria estragar a graça de quem ler. David Lopez mais uma vez realiza um fantástico trabalho nos desenhos e esta edição confirma que Fallen Angel talvez seja a melhor coisa que Peter David já escreveu.
Muito Bom (8,5 / 10)

THE INTIMATES 2
Wildstorm
Texto: Joe Casey
Arte: Giuseppe Camuncoli
Intimates é bem divertido e Casy parece estar dando boas risadas escrevendo isso. Não é histriônico, mas é leve como um bom sitcom (se é que isso existe). Aliás, a idéia de Casey é justamente tornar esta revista o mais “reader-friendly” possível, apesar dela estar encharcada de conceitos tipicamente super-heroísticos. Imagine uma Legião dos Super-Heróis repleta de meta-comentários a la Bloomsbury ou Slashdot e você não estará muito longe do que é esta série. Esta segunda edição funcionou bem mais do que a de estréia, mas isso pode se dever em parte ao estranhamento causado pelo estilo adotado por Casey. Estranhamentos podem ser um grande sinal de qualidade inerente – e acho que é bem possível que seja este o caso de Intimates. Vamos esperar para ver como isso se desdobra, esteticamente falando. mas a experiência de Casey é válida e, num mercado covarde como o dos quadrinhos atuais, é saudável que alguém com o status de Casey esteja disposto a colocar o dele na reta em prol de possíveis inovações narrativas. Camuncoli está correto nos desenhos, mas o letrista precisa ser trocado urgentemente (é o Richard Starkings, que é um dos melhores; mas ele está muito mal aqui, com péssimas escolhas de cores que deixam algumas coisas completamente ilegíveis).
Bom (7,5 / 10)

THE NEW AVENGERS 1
Marvel
Texto: Brian Bendis
Arte: David Finch
Alguém paga o Electro para provocar uma fuga em massa de supervilões da ilha Ryker, justamente quando a prisão está sendo visitada por Matt Murdock, seu guarda-costas Luke Cage e Jessica Drew. No meio da confusão, o Homem-Aranha e o Capitão América também resolvem investigar o que está acontecendo. Não acontece muita coisa, no estilo lerdeza do Bendis. Mas de qualquer forma é muito superior à total excrescência que foi Avengers Disassembled, com certeza porque aqui Bendis está lidando com os únicos personagens que sabe escrever: Demolidor, Aranha, Luke Cage e Jessica Drew. Uma história correta, apesar de alguns furos (Bendis lista entre os prováveis fugitivos da prisão vilões como o Homem-Púrpura e o retalho, que mal têm poderes e não dariam trabalho nenhum a qualquer grupo de heróis decentes). E, felizmente, apesar de ser apenas uma edição de setup, a premissa até que é interessante. O que estraga tudo é o fato de Bendis ter aniquilado os Vingadores para poder escrever este grupo com esta formação. Por que simplesmente não deixaram os Vingadores nas mãos de alguém melhor, batizaram esta revista de The Champions ou algo assim e pronto? O hype anterior só estragou tudo. Ah, e David Finch não esquece a Image.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

THE QUESTION 2 (de 6)
DC
Texto: Rick Veitch
Arte: Tommy Lee Edwards
Rick Veitch obtém bons resultados nas cenas em que Vic Sage, o Questão, tenta interpretar os sinais randômicos “enviados” pela cidade de Metrópolis, como um xamã urbano. A quadrilha de criminosos conhecida como Ghost Train também é uma boa sacação de Veitch, já que é um dos poucos modus operandi que fariam sentido numa cidade habitada pelo Superman (que, aliás, aparece rapidamente neste número). Junte a isso planos de Lex Luthor envolvendo Feng Shui e você tem uma história diferenciada ambientada no universo do Superman, com uma arte simplesmente genial de Tommy Lee Edwards, cheia de grafismos e toques abstratos.
Bom (7,5 / 10)

TOMB OF DRACULA 3
Marvel
Texto: Robert Rodi
Arte: Jamie Tolagson
A primeira edição desta série foi passável, a segunda foi divertida graças às cenas de ação, mas desta vez tudo fica mais fraco. Os personagens são claramente unidimensionais, até mesmo para os padrões dos quadrinhos de super-heróis. O chefe “inseguro”, a samurai que se sacrifica, o mago caladão, etc. Você já viu esse filme antes milhares de vezes. Robert Rodi parece ter utilizado o tempo necessário para desenvolver os personagens com pesquisas sobre folclores vampirescos: aparecem aqui os vampiros do Himalaia, os vampiros japoneses, etc. Mas essas sequências soam didáticas e “Google” demais, enquanto as demais cenas (incluindo as de ação) são rasas. Os desenhos de Jamie Tolagson são confusos e feios. Mais um título cortado da lista de resenhas.
Só Para Fãs (5,5 / 10)

Y – THE LAST MAN 29
Vertigo
Texto: Brian K. Vaughan
Arte: Pia Guerra
A trama se complica: Yorick na verdade está com botulismo, não com a praga que exterminou todos os homens do planeta. Parece que finalmente, na edição seguinte, vamos descobrir porque Yorick sobreviveu à praga. Enquanto isso, sua irmã Hero encontra a agente 355 e três malucas em um estádio. Um encontro com consequências fatais. Ação, intriga, mistério, ótimos personagens e diálogos simplesmente sensacionais e plausíveis, nesta que só não é a melhor série da vertigo porque existe Human Target na frente dela.
Muito Bom (8,5 / 10)

“You’re the “bleeding man” around here?? Fine!! Then bleed!!!!”
(Shadow Boxer, em sua infância, em Fallen Angel 18)

Quadrinhos da Semana (24/11)

Meio atrasado, vou correr para compensar isso. Vamos lá:

30 DAYS OF NIGHT – BLOODSUCKER TALES 2
IDW
Segunda edição da antologia de contos de vampiros, dando continuidade às duas histórias.
Dead Billy Dead (Texto: Steve Niles; Arte: Kody Chamberlain) é um conto sobre o que aconteceria se um sujeito realmente virasse vampiro no mundo real. A ambientação e os diálogos de Steve Niles são realistas e bem escritos, mas a história avança de forma meio lenta para uma revista mensal (são poucas páginas por edição).
Juarez or Lex Nova And The 400 Dead Mexican Girls (texto: Matt Fraction; Arte: Ben Templesmith) mostra a verve de humor negro de Fraction, que tem diálogos hilários e um detetive com o genial tique nervoso de falar em voz alta o texto padrão de “narração em off de filmes noir”. Ainda conta com bons toques sobre a terrível realidade das adolescentes desaparecidas e assassinadas da cidade mexicana de Juarez. Os desenhos de Chamberlain e Templesmith seguem o estilo padrão da IDW: um mix de Sienkiewicz, Kyle Baker e Kent Williams
(Bom – 7 / 10)

ADAM STRANGE 3 (de 8)
DC
Texto: Andy Diggle
Arte: Pascal Ferry
Diggle continua com sua sensacional minissérie, onde Adam Strange tenta descobrir se o planeta Rann foi realmente desintegrado pela explosão de uma supernova. Salvo da morte certa em um mar cósmico de radiação por uma nave imperial thanagariana, Strange é considerado culpado pelo extermínio de Rann, após um julgamento-farsa em uma corte de Thanagar (que com isso pretende mostrar que é capaz de tomar o lugar de vigilantes do cosmo, deixado vago após o fim da Tropa de Lanternas Verdes, comandada pelos guardiões de Oa). É a deixa para que Diggle, pela terceira vez consecutiva, termine a edição com um cliffhanger de tirar o fôlego. Pascal Ferry tem se mostrado nesta série um dos 10 melhores artistas do atual quadrinho americano, imprimindo à revista uma estética de quadrinho europeu e um impecável senso de design. As naves, roupas, máquinas e o próprio planeta Thanagar exalam pura perfeição de design. Um dos melhores quadrinhos do ano, fácil.
Excelente (9 / 10)

AMAZING SPIDER-MAN 514
Marvel
Texto: J. Michael Straczynski
Arte: Mike Deodato Jr.
Termina aqui a saga Sins Past, em seu sexto capítulo (!!) e… Meu Deus do céu. Isso é TÃO ruim que desafia as descrições e palavras. Straczynski desce aqui ao nível dos piores argumentistas que já pisaram num quadrinho. O Homem-Aranha salva a filha de Gwen Stacy e Norman Osborn, com uma transfusão de sangue, porque “o sangue dele é especial e alterado geneticamente como o de Osborn”. Mary Jane Watson fica o tempo todo no hospital ao lado do Homem-Aranha e, diabos, ninguém se toca de que aquela mulher ao lado daquele super-herói desacordado num leito de hospital cercado por repórteres é uma famosa top model casada com um certo fotógrafo. O filho de Osborn e Gwen, por sua vez, vira uma espécie de versão acinzentada do Duende Verde (Duende Cinza?), luta com o Aranha no hospital, é baleado pela própria irmã (que foi salva pelo Aranha, ooh), cai do seu treco voador e perde a memória. E olha que eu nem falei dos diálogos ainda. Crom, os diálogos. Não, só com exemplos: Mary Jane observa o Aranha ser internado para fazer a transfusão de sangue e diz “Go get him, tiger”. mais? Que tal este, onde Peter pensa e explica para nós porque ele acha que o seu sangue vai funcionar na transfusão: “Porque uma vez eu perguntei a Gwen qual era o seu tipo sangüíneo, porque… Bem, porque você pensa nessas coisas quando está pensando em casar com alguém um dia”. Me poupe. Baixo nível de texto, idéias que conseguem ser tão ridículas quanto a Saga do Clone (e piores que qualquer coisa que o Howard Mackie escreveu para o Aranha) e nem mesmo o desenho do Deodato, que aqui tem recaídas Image em algumas páginas, salva essa revista de ganhar um belo zero. É tão horrendo, cafona, gratuito, repleto de clichês de séries de TV de quinta (como, err, Babylon 5) e totalmente implausível que conseguiu até mesmo me fazer perder o respeito pelo editor Axel Alonso, que editou coisas ótimas quando trabalhava na Vertigo e ainda não tinha o hábito de deixar seu cérebro em casa em prol de um contra-cheque mais gordo. Sim, é ruim nesse nível.
Fuja Dessa Merda (0 / 10)

CHOLLY AND FLYTRAP 1 (de 4)
Image
Texto e arte: Arthur Suydam
Arthur Suydam é um dos grandes gênios do quadrinho americano e deixou sua marca nos anos 80, quando colaborou para revistas como Heavy Metal e Epic Illustrated. Foi no selo Epic que Suydam começou a série Cholly & Flytrap, sobre dois mercenários em um estranho e fantasioso mundo pós-apocalíptico. C & F é um verdadeiro clássico dos anos 80 e retorna nesta minissérie em quatro partes, com material inédito e recente pelo próprio Suydam. A boa notícia é que sempre é sensacional ver alguém como Suydam ter seu material publicado. A má notícia é que a leitura deste novo material da série revela que, infelizmente, Suydam estacionou na primeira metade dos anos 80. Seu estilo de desenho continua fantástico e único, uma mistura de Will Eisner, Richard Corben, quadrinhos da golden age e Yellow Submarine, com toques de Moebius (sim, é uma mistureba, meio realista, meio cartum – e é isso que faz a arte de Suydam funcionar). Mas é uma estética extremamente datada, que certamente será familiar para quem lia a Metal Hurlant ou a Heavy Metal original, dos primeiros anos da década de 80, algo em torno de 1982 ou 1983. Personagens mezzo-surrealistas mezzo-noir em um mundo pós-apocalíptico (existe algo mais oitentista que mundos pós-nucleares?) e vilões típicos de filmes de gangsters dos anos 40 e 50, com direito a sotaques “de bandido”. Cholly & Flytrap continuam sendo personagens cativantes e o estilo de Suydam certamente garante seu espaço entre os grandes dos quadrinhos – mas é certamente um produto do seu tempo. De qualquer forma, ainda vale pela inventividade, talento e total distinção em relação a qualquer coisa que é publicada hoje em dia. Se fosse uma republicação, eu levaria em conta a época de criação e daria uma nota maior; mas, como é material novo, fica mesmo na nota 7.
Bom (7 / 10)

BATMAN 634
DC
Texto: Andersen Gabrych
Arte: Paul Lee
Apesar dos créditos errados na capa, esta edição ainda é a última a cargo do time criativo de Gabrych e Lee. E é o epílogo (finalmente) de War Games, a saga que virou o mundo de Batman de pernas para o ar. Stephanie, que foi a nova Robin por poucos meses, está morta; Tim Drake (que volta ser o Robin) e a nova Batgirl, assim como Barbara Gordon (a Oráculo) e o Comissário Gordon, estão morando e agindo fora de Gotham. Batman está numa volta às raízes: procurado pela polícia e contando apenas com a ocasional ajuda de Alfred e Dick Grayson. Gabrych aproveita esta edição de despedida para mostrar a cena até agora não contada onde Batman conta a Drake sobre a morte de Stephanie, sua namorada. Aldfred e Dick também comentam sobre lembranças e consequências de War Games. Uma edição correta, que mostra que o novato Andersen Gabrych compreende Batman como personagem e poderia ter realizado uma melhor passagem como roteirista desta revista se não tivesse sido assolado por um crossover após o outro. O traço de Paul Lee é realista e lembra o estilo de Rodolfo Damaggio (que eu gosto bastante). Bom, ao menos War Games terminou e a nova situação de Batman em Gotham é mais interessante: sem seus inúmeros ajudantes uniformizados e sem contar com a polícia. Acho que o personagem funciona melhor dessa forma mais solitária e “não-oficial”. Vamos ver o que Judd Winick e Doug Mahnke nos reservam a partir da próxima edição.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

BLACK WIDOW 3 (de 4)
Marvel Knights
Texto: Richard K. Morgan
Arte: Goran Parlov (layouts) e Bill Sienkiewicz (desenhos)
O autor de best-sellers Richard K. Morgan continua sua estréia nos quadrinhos com esta minissérie da Viúva Negra. Esqueça a Natasha Romanoff que foi líder dos Vingadores e namorou o Demolidor, aqui a Viúva está de volta ao estilo de histórias que a Marvel fazia com ela nos anos 70 e 80, em suas revistas em tamanho grande e em preto e branco: histórias de espionagem, sem super-heróis à vista. O texto de Morgan é interessante e os diálogos são fluidos e plausíveis. A trama é legal: envolve assassinos do antigo serviço secreto russo, morte em série de mulheres e uma indústria de cosméticos. Nada sensacional, mas uma história sólida e que ganha pitadas de road movie, já que a Viúva está sempre pra lá e pra cá pelas estradas americanas. Este número em especial merece uma nota acima dos dois anteriores, já que Morgan usa as ações de Natasha para abordar algumas questões envolvendo gênero e machismo, mas sem soar panfletário. A arte de Sienkiewicz se beneficia dos layouts previamente desenhados por Goran Parlov.
Bom (7 / 10)

DAREDEVIL 67
Marvel Knights
Texto: Brian Bendis
Arte: Alex Maleev
Continua a saga Golden Age, agora em sua segunda parte. Maleev continua utilizando três estilos diferentes: seu padrão normal nas cenas passadas no presente; um estilo mais simples em preto e branco para as cenas dos anos 40; e um estilo com pontilhados Roy Liechtenstein para as sequências da “década de 60” (na verdade, da época em que Murdock usava o uniforme amarelo; sei lá em que época isso se passa na cronologia Marvel atual). Bendis obtém boas tiradas com os diálogos, mas, como era de se esperar, ao longo da edição ele incorre em seus três erros primordiais: 1) Forçar o plot sobre os personagens, como peças quadradas em buracos redondos. De forma alguma Melvin Potter, o antigo Gladiador, aceitaria fazer o que ele faz nesta edição (ajudar um velho gangster a raptar, espancar e tentar matar Matt Murdock, o homem que o ajudou a se regenerar, como Demolidor e como advogado. 2) NADA acontece. Mais um número se passou e o final é exatamente o mesmo da edição anterior. Avanço de plot: zero. Nada. 3) pele fininha demais para críticas e tentativas de ser “esperto”. O diálogo da agente do FBI onde ele usa o termo “chaos magic” é forçado além do aceitável e uma tentativa infantil e francamente cretina de mostrar a língua para as críticas que ele recebeu pelo seu recente e horrendo Avengers Disassembled, cheio de furos, partes mal escritas e péssima caracterização (na série, Bendis mostra o Dr. Estranho dizendo que a magia do caos não existe; bem, Warren Ellis, em sua fase na revista do Estranho, disse exatamente que ele usava magia do caos. Isso rendeu críticas pela Internet e nas revistas especializadas). Ao invés de ficar quieto, Bendis resolve usar outra revista para sacanear quem – supostamente – o sacaneou: os leitores. E nem me peçam para começar a falar sobre os diálogos entre parênteses. Quem é que fala frases entre parênteses em voz alta?!? De escritor que eu achava bastante razoável, Bendis se revelou mais tarde um sujeito capaz de realizar apens um truque e contar apenas uma história (respectivamente, o diálogo vacilante e chato que tenta ser “realista” e o noir mal feito). Finalmente, agora, graças a esta edição e a Avengers e ao seu comportamento arrogante e debochado frente a uma enxurrada de críticas mais do que justas, ele ganha um novo status: de escritor que eu realmente não suporto. Saco, mais um ano pela frente deste mané escrevendo Daredevil ainda. No total, serão quatro anos ou algo assim da mesma história chata e auto-consciente de suas falsas qualidades “hip”. Nada leva a lugar nenhum. Se sustenta em pouquíssimos momentos de bons diálogos e graças à arte de Alex Maleev (que já me enjoou, mas é competente).
Só Para Fãs (4,5 / 10)

FLASH 216
DC
Texto: Geoff Johns
Arte: Howard Porter
Geoff Johns é um escritor bastante decente e é uma pena que justamente a revista do Flash esteja ligada à horrenda idéia que é a saga Identity Crisis. Nesta edição, Wally West consegue realizar um desejo póstumo de Barry Allen: encontrar o vilão conhecido como o Peão e, com a ajuda de Zatanna, devolver-lhe a mente e a personalidade originais (que haviam sido eliminadas pela lobotomia de vilões promovida pela Liga da Justiça – putz, só esta frase já soa incrivelmente errada). Acontece que, uma vez com sua mente restaurada, o Peão diz que, enquanto agiu como “herói”, ele “obedeceu ao evidente desejo de Barry Allen” e também realizou lobotomias em toda a Galeria de Vilões do Flash. Isso leva, evidentemente, à patética e entediante noção de que Onda Térmica e Flautista, que se regeneraram, na verdade estão apenas sob o efeito de uma lavagem cerebral. Isso é especialmente ridículo no caso do Flautista, personagem que teve sua personalidade cuidadosamente construída ao longo dos anos por Mike Baron, William Messner-Loebs e Mark Waid (e é um dos poucos personagens gays da Marvel/DC). E o mais irônico e patético é que, nesta tentativa de soar “realista”, “adulta” ou o que quer que seja, Identity Crisis só consegue ser mais binária e simplista do que os conceitos da Era de Prata. Afinal, ao que parece, ser “herói” ou “vilão”, fazer o bem ou o mal, está a apenas uma boa lobotomia de distância. Identity Crisis certamente vai ter consequências que vão deixar não só o Flash, mas toda a Liga da Justiça e o universo DC como um todo incrivelmente chato. Péssima idéia desde o início. Ah, pra piorar tudo, Howard Porter está aos poucos voltando a usar seu estilo original – que é feiaço.
Que Meleca, Hein? (2 / 10)

GREEN LANTERN – REBIRTH 2
DC
Texto: Geoff Johns
Arte: Ethan Van Sciver
A Liga da Justiça resolve encarar Hal Jordan (agora, o Espectro), mas parece que ele não foi o responsável pelas estranhas ações da edição anterior. Guy Gardner (agora novamente com um anel esmeralda) e John Stewart parecem repentinamente possuídos e atacam a Liga da Justiça. Enquanto isso, um igualmente estranho Kilowog tenta matar Kyle Rayner e roubar o corpo de Hal Jordan que (descobrimos nesta edição) está sendo protegido por Ganthet. O que me incomoda nesta saga (e me incomodava em coisas como Zero Hora) é que ela existe somente para “consertar” a cronologia e desfazer antigas ações estúpidas. Ainda não está claro o que Johns pretende (quer dizer, além de obviamente reposicionar Hal Jordan como o Lanterna Verde da Terra), mas o que ele vai fazer com Gardner, Stewart e Kyle é uma incógnita. Porém, tudo indica que a causa da loucura e subsequente transformação de Hal Jordan em um serial killer, dos atos estranhos de John Stewart (que exterminou acidentalmente um planeta em Odisséia Cósmica, lááá nos anos 80, lembram?) e da maluquice absurda de Gardner na época em que ele era um Lanterna (na Liga da Justiça de Keith Giffen) é a impureza do anel dos Lanternas Verdes. Pelo que vi e ficou subentendido nesta edição, a tal impureza, além de deixar o anel vulnerável à cor amarela, aos poucos transforma seus usuários em malucos completos. E mais: a tal impureza tem nome: Parallax. Sim, Parallax na verdade seria a impureza do anel, o que nos faz crer que Jordan esteve “possuído” esse tempo todo. É o que tudo indica. Vamos aguardar a próxima edição pra ver. Poderia ser péssima essa mini, mas Geoff Johns é bom em caracterizações e aqui está ao menos se esforçando para transformar esta idéia em algo razoável. A arte de Van Sciver é muito boa, talvez o melhor que ele – um desenhista claramente menor – já tenha feito até agora.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

HELLBLAZER 202
Vertigo
Texto: Mike Carey
Arte: Leonardo Manco
Algumas figuras proeminentes do círculo de ocultismo de Londres estão sendo atacadas – e tudo indica que Constantine é o alvo. Infelizmente, o próprio Constantine percebe isso tarde demais. Mike Carey, em algumas cenas, utiliza conceitos e ações que talvez sejam exageradas demais para esta revista, que sempre foi mais realista do que algumas outras coisas da Vertigo. Na verdade, em alguns momentos você parece estar lendo algo que se encaixaria melhor em Sandman ou Lucifer (ou em algum quadrinho de super-heróis, por incrível que pareça). Mas Carey é um bom escritor e consegue segurar nossa suspensão da descrença por boa parte do tempo. Ainda assim, espro que ele baixe a bola dos tons fantásticos nas edições seguintes. O misticismo em Constantine é mais sutil do que ele mostra aqui. Leonardo Manco, por outro lado, está irrepreensível. Seu Constantine é perfeito e desde já um dos meus favoritos; as cenas, os detalhes, a ambientação e a narrativa de Manco também são excelentes. Ótima escolha para a série.
Bom (7 / 10)

MARVEL TEAM-UP 2
Marvel
texto: Robert Kirkman
Arte: Scott Kolins
Homem-Aranha e Wolverine fazem um team-up, concluindo a história que começou na primeira edição desta série. Eu queria muito gostar desta revista, mas Robert Kirkman não está ajudando muito. Queria muito gostar pelo seguinte motivo: um título como Marvel Team-Up tem tudo para ser o antídoto perfeito à chatice realista que tem assolado a maior parte dos títulos de super-heróis. E alguns bons elementos clássicos estão presentes: a aparição de Nova em apenas uma página; a volta do Doutor Destino de uma outra dimensão, em outra página (referência a uma história recente do Quarteto Fantástico); a participação especial da SHIELD em outra página; e a aparição de um vilão maior por trás de tudo no final da história, um certo Titannus. Enfim, elementos que caracterizam a fase clássica da Marvel, nos anos 60 e 70. É engraçado, mas pela primeira vez em vários anos eu tive a sensação de “estar lendo uma história passada no universo Marvel”. Adicione-se a isso tudo a alta qualidade da arte de Scott Kolins e você tem em mãos um título vencedor, certo? Errado. Infelizmente. E são alguns tiques bobos de Kirkman que estragam tudo aqui. Assim como acontece no superestimado Invincible (que até parei de ler e resenhar por achar bem chato), Kirkman confunde “era de prata” com bobeira em excesso. Confunde “ingenuidade” com “implausibilidade”. Ele está tão empenhado em deixar a história leve que ela não fica apenas leve: fica totalmente irreal. Parece que nada está acontecendo “de verdade”. E as piadas típícas de fanboy da Internet não ajudam: “É isso que sobrou após o fim dos Vingadores? Thor deve estar rolando na tumba” (o vilão, sacaneando Aranha e Logan); “Ciclope e seus malditos uniformes” (Wolverine, irritado por ter de andar por Nova York ridiculamente vestido de amarelo e azul); “Por que nós heróis temos sempre de lutar quando nos encontramos?”. “Não sei dizer”. (diálogo entre Aranha e Logan, assim que se encontram nesta edição). “Você é tão esperto, não me admira que esteja em vários supergrupos” (Aranha zoando Logan). Enfim, o número de piscadas de olho para o leitor por página é muito grande e chega uma hora que irrita. Kirkman quer bancar o esperto e só consegue com isso deixar o plot ainda mais implausível. Dá vontade de falar para ele “cale a boca, seu babaca, e me conte uma história”. Ele não faz isso. Resultado: chegamos ao fim desta edição sem saber afinal quais eram os poderes do vilão, que nunca foram explicados. Mas os pontos altos (a integração maior entre os diversos elementos do universo Marvel, a arte de Kolins e o tom mais divertido, ao invés de sombrio, dark e recalcado como coisas como o atual Demolidor e Identity Crisis) fazem valer a torcida. Vamos ver se Kirkman consegue um equilíbrio melhor nisso tudo na próxima edição, onde o team-up é entre Dr. Estranho e Quarteto Fantástico (felizmente o Aranha não é o astro principal desta série, ao contrário da versão original dos anos 70). É só ele se concentrar na história e parar de tentar provar o que quer que seja.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

MYSTIQUE 21
Marvel
Texto: Sean McKeever
Arte: Manuel Garcia
Mystique continua sendo um dos títulos mais sólidos da Marvel e é uma pena o que foi anunciado, que será cancelado na edição 24. Bom, melhor ir embora no auge e com um final decente do que se arrastar na lama por anos a fio, como a maioria das séries. Nesta edição Mística é obrigada a fazer um trabalho para Fantomex, para que ele concorde em não denunciá-la a Charles Xavier (que ela quer matar). Para isso, ela deve ir até as Ilhas Virgens, invadir a mansão de um milionário e roubar uma determinada peça para Fantomex. Toda a sequência do roubo é sensacional, com surpresas hilárias (incluindo o próprio objeto a ser roubado, que é simplesmente genial e hilário). Enquanto isso, o diminuto telepata Shortpack continua aprisionado pelo Quiet Man, o mesmo homem para quem Mística pensa estar trabalhando. O final desse arco é imprevisível, mas certamente Mística vai matar alguém de raiva. A arte de Garcia é fluida e competente, com uma boa narrativa.
Muito Bom (8,5 / 10)

NEW THUNDERBOLTS 2
Marvel
Texto: Fabian Nicieza (com consultoria de Kurt Busiek)
Arte: Tom Grummett
Os Thunderbolts enfrentam a Gangue da Demolição e ganham um novo integrante: o velocista conhecido como Speed Demon, que também pretende se regenerar. Logo depois, eles são obrigados a enfrentar os manés da quadrilha do Games Master, que ataca o prédio das Nações Unidas, onde estão Namor e o Senhor Fantástico. Com isso, o grupo ganha mais um novo membro, a mercenária conhecida como Joystick, que agora precisa de proteção por ter traído Games Master. Talvez o título mais tradicional publicado pela Marvel atualmente, mas uma boa diversão. Apesar das injustas críticas que recebe, não acho que Fabian Nicieza seja um argumentista tão ruim assim; pelo contrário. Sólida diversão nos moldes da Marvel clássica, com excelente caracterização (o que é mais do que se pode dizer de muitos roteiristas de suposta “primeira linha” que estão por aí). E tem plots e tramas paralelas (como as que envolvem o Barão Strucker e o Homem-Púrpura), ao contrário dos plots de figuras como Bendis, por exemplo, que são lineares e contam apenas uma história de cada vez (deve ser medo dele se perder, coitado). A arte de Tom Grummett é correta.
Bom (7,5 / 10)

THE LOSERS 18
Vertigo
Texto: Andy Diggle
Arte: Jock
A penúltima parte da invasão dos Losers a uma fortaleza da al-Qaeda no meio do nada. A história se passa em 1998 e revela mais sujeiras da CIA que fizeram os Losers deixar a agência e se rebelar contra o governo americano, passando a se dedicar a detonar os planos da CIA. Diggle tem se revelado, aqui e em Adam Strange, um mestre das cenas de ação e esta edição é de tirar o fôlego, tanto em termos de ação como de revelações bizarras. A arte de Jock, como sempre, é de primeira grandeza, com grandes qualidades narrativas e sensacional senso de design. A melhor coisa da Vertigo atual, ao lado de Human Target.
Muito Bom (8,5 / 10)

FRANK IRONWINE 1
Apparat/Avatar
Texto: Warren Ellis
Arte: Carla Speed McNeil
Frank Ironwine é a primeira de uma série de quatro histórias fechadas escritas por Warren Ellis para seu selo imaginário, o Apparat. Cada edição é o primeiro número “fictício” de uma série que jamais vai continuar a ser publicada, em uma tentativa de Ellis de imaginar como seriam os gêneros policial, ficção científica, horror, etc, nos quadrinhos se o meio nunca tivesse passado pelos super-heróis. Ou seja, se os elementos dos pulps originais tivessem migrado diretamente para os comics, sem precisar ser destilados por roupas colantes circenses e super-poderes. Frank Ironwine, o detetive que bebe até cair e acorda literalmente dentro de uma lata de lixo, é um investigador à moda antiga, pré-CSI e manias forenses: ele investiga as pessoas, não só as pegadas; as cidades, não apenas os rastros. Liga as vítimas, suspeitos e paisagens em um todo psicológico, à moda de Sherlock Holmes e Columbo. A edição é curta, mas esta seria uma grande série se fosse realmente levada a cabo. Ironwine é um personagem fascinante, embora às vezes tenha uma recaída que o enquadra no “personagem-Ellis-resmungão-e-tough-guy” padrão. Carla Speed McNeil, a autora da série Finder e que também já passou por Queen & Country, tem um estilo que se alinha diretamente à sensibilidade do quadrinho underground, mais solto e expressionista do que realista propriamente dito. McNeil é genial e seu traço funciona à perfeição nesse tipo de história. Ironwine é um começo promissor desta falsa linha de quadrinhos do falso selo Apparat. Não chega a fazer desejar que os quadrinhos tivessem tomado este rumo, como talvez tenha sido a idéia de Ellis. Mas quase faz isso, o que é um tento e tanto.
Muito Bom (8 / 10)

“We’re reading traces of fossil fuel particules in the lungs… Looks like a primitive”.
(Um thanagariano após analisar os traços do organismo de Adam Strange, em Adam Strange 3).

Lembrando que o sistema de notas é
BUENO EXCELLENTE! (10)
Excelente (9 – 9,5)
Muito Bom (8 – 8,5)
Bom (7 – 7,5)
Tá, é bacana (6 – 6,5)
Só para fãs (4 – 4,5 – 5 – 5,5)
Uma porcaria (2,5 – 3 – 3,5)
Que meleca, hein? (1 – 1,5 – 2)
Fuja dessa merda (0 – 0,5)

Just Like Haney 2

Mark Evanier escreveu uma bela homenagem a Bob Haney em seu site. Me lembrei que Haney também era o autor da série do Soldado Desconhecido, sempre muito legal.

Just Like Haney

O lendário roteirista de quadrinhos Bob Haney infelizmente faleceu no dia 25 de novembro, Dia de Ação de Graças. Haney tinha 78 anos e estava internado após ter um derrame.

Bob Haney era uma das grandes coisas da DC quando eu era criança, nos anos 70. Suas histórias de Batman eram sempre interessantes e levavam o Batman a lugares inóspitos do planeta, o que era muito legal. Haney tinha um estilo ao mesmo tempo realista e divertido, como um bom filme de ação. Destaque total para a revista The Brave and the Bold, que mostrava Batman sempre em parceria com algum outro herói DC. Haney não se furtava em emparelhar o Cavaleiro das Trevas com os personagens mais bizarros, como o Desafiador e o Monstro do Pântano. No Brasil, estas histórias saíram na revista Invictus, da Ebal (bons tempos em que a DC era publicada aqui no Brasil, não apenas Superman, Batman e Flash).

As maiores homenagens deste blog ao grande Bob Haney.

Quadrinhos da Semana (17/11)

Recuperando o tempo perdido para o meu vício pelo RPG online Runescape:

AVENGERS – EARTH’S MIGHTIEST HEROES 2 (de 8)
Marvel
Texto: Joe Casey
Arte: Scott Kolins
Joe Casey realiza um bom trabalho mostrando os diversos ângulos em relação à volota do Capitão América à realidade,após décadas congelado em um iceberg. A reação de Steve Rogers ao ligar a televisão pela primeira vez é ótima, assim como suas conversas com Jarvis (o único “membro” dos Vingadores originais que teria capacidade de entender melhor o Capitão – e vice-versa -, graças à idade. Casey e Kolins estão criando aqui uma história clássica de super-heróis e Joe Casey claramente amam estes personagens, o que se traduz de forma muito positiva na história. A arte de Scott Kolins tem se mostrado fantástica nas cenas sem ação, para minha surpresa. Na verdade, Kolins aqui dá um grande salto de qualidade em relação a trabalhos anteriores. Uma ótima série, realista, escapista, inovadora e clássica na medida certa, como um bom quadrinho deve ser.
Muito Bom (8 / 10)

CAPTAIN AMERICA 1
Marvel
Texto: Ed Brubaker
Arte: Steve Epting
O quinto “número 1” na história do Capitão América. E desta vez a nova fase fica a cargo de Ed Brubaker e Steve Epting. Por mais que eu gostde Brubaker e do que ele fez em séries ótimas como Batman e Deadenders, eu tinha dúvidas de que ele fosse o escritor certo para esta revista. Bom, a julgar por esta primeira edição, nada há a se temer. Brubaker usa um ritmo mais lento e climático, incomum para o Capitão América, mas que funciona incrivelmente bem (claro, não é a lentidão sem motivo da “descompressão”, onde nada acontece). Coube a Brubaker assentar a vida de Steve Rogers após as tragédias de Avengers Disassembled: a destruição da Mansão dos Vingadores; a morte do Gavião Arqueiro; a traição da Feiticeira Escarlate; a total destruição do prédio de apartamentos onde Rogers morava; o fim dos Vingadores, etc. felizmente, Brubaker não perde tempo em reminiscências sobre a péssima fase de Brian Bendis em Avengers e vai direto ao ponto. Rogers agora mora em um imenso loft abandonado no Brooklyn, com direito a entrada de parede holográfica e outras defesas típicas da SHIELD. Nesta edição, ele recebe a visita de Sharon Carter, que agora é seu elo oficial de ligação com a agência de contra-espionagem. Nos bastidores, o Caveira Vermelha prepara sua volta, após escapar da prisão (ele foi preso na edição do mês passado, ainda a cargo de RObert Kirkman) e recuperar o Cubo Cósmico. Ainda que isso pareça uma história padrão do Capitão, o ritmo, a ambientação, os ótimos diálogos e a boa caracterização, cortesia de Brubaker, fazem a diferença. Sem falar no final, que me pegou totalmente de surpresa e certamente muda os rumos da vida do Capitão. Destaque ainda para a excelente arte de Steve Epting, que trilhou um longo caminho desde os tempos em que desenhava os Vingadores de Bob Harras, nos anos 90. Seu estilo aqui está maduro, hiperrealista, cheio de nuances e extremamente competente tanto nas cenas de ação como nos diálogos (ele faz você realmente acreditar que aquele escudo possa fazer aquelas coisas bizarras).Um forte e impressionante começo, para uma série que promete. Já era hora do Capitão América voltar a ter boas histórias, o que não acontecia desde, sei lá, a primeira fase de Mark Waid no título, anos atrás.
Muito Bom (8 / 10)

CONAN 10
Dark Horse
Texto: Kurt Busiek
Arte: Cary Nord e Thomas Yeates
Busiek volta a adaptar mais um conto de Robert E. Howard, cumprindo a função deste título, que é contar todas as histórias de Conan criadas por Howard em sua ordem cronológica, intercalando-as com contos originais criados por Busiek, como os das duas últimas edições. No caso de adaptações do texto de Howard, como acontece nesta edição, boa parte dos diálogos e recordatórios vêm das linhas originais de Howard. O conto em questão é The God in the Bowl, aqui com o nome de The Temple of Kallian Publico. Dando prosseguimento ao contrato que assumiu na edição anterior, em uma taverna, Conan invade um templo com a intenção de recuperar um objeto, supostamente roubado dos pertences do sujeito que o contratou, um nobre almofadinha típico do reino da Nemédia. Mas Conan é surpreendido por um dos guardas e, para piorar tudo, o dono do templo é encontrado morto, estrangulado. É o ponto de partida para que Busiek (após Howard, claro) nos surpreenda contando uma história de mistério policial no título do Conan. Funciona muito bem, graças ao senso climático de Busiek e à arte lírica de Cary Nord.
Bom (7,5 / 10)

FANTASTIC FOUR 520
Marvel
Texto: Mark Waid
Arte: Mike Wieringo
É a primeira parte do arco Rising Storm, em quatro edições, que encerra a ótima fase de Waid e Wieringo no título. Galactus recrutou Johnny Storm como seu novo arauto, já que seus novos poderes de invisibilidade são capazes de rastrear os planetas que estão invisíveis, escondidos do gigante cósmico. Na Terra, Sue, Ben e Reed, que estão sem espaçonaves, pedem a ajuda de Quasar para viajar até o espaço. Entre as cenas, ótimos e curtos lances de flashback que mostram como Waid entende e gosta destes personagens. Uma fase um tanto subestimada desta revista, que parece estar terminando em grande estilo. Diálogos excelentes e hilários, situações bizarras e um tom pop permeando tudo. O Quarteto não era tão bom assim há muito tempo, talvez desde a fase de John Byrne, lááá atrás. Pena que stá no final e só resta torcer para que a Marvel não escolha seus patetas habituais para o próximo grupo de criação desta série.
Muito Bom (8,5 / 10)

GREEN ARROW 44
DC
Texto: Judd Winick
Arte: Phil Hester
O penúltimo e quinto capítulo do arco (sem trocadilhos) New Blood, onde Mia, a sidekick de Oliver Queen, o Arqueiro Verde, descobre que é HIV positiva. Poderia soar barato e apelativo nas mãos de um escritor chulé como Brad Meltzer, mas Judd Winick, que já perdeu um parceiro para a AIDS e tem uma certa sensibilidade de quadrinho independente (ele era o autor de Barry Ween, Boy Genius) lida com esta situação de forma competente. Winick consegue ser esclarecedor sem soar panfletário e sensível sem ser piegas em nenhum momento. Peter David já lidou de forma magistral com a questão da AIDS em seu Hulk, anos atrás, e são poucos os personagens da DC que permitiriam esse tipo de approach sem que tudo soasse forçado. Mas o Arqueiro Verde sempre foi palco para este tipo de temática, desde os anos 70 e as histórias de Denny O’Neil até os anos 80 e a fase “mature readers” a cargo de Mike Grell. Graças a isso e ao bom senso de Winick, o tema não parece fora de lugar aqui. E, claro, é um alívio ler histórias pelo menos razoávgeis do Arqueiro Verde após quase quatro anos de nonsense a cargos de péssimos escritores como Kevin Smith e Brad Meltzer. Phil Hester se firma como bom artista e vem evoluindo visivelmente neste título, com um estilo bem menos confuso do que o que adotou em seu Swamp Thing. Boas caracterizações de Oliver Queen, Mia e Connor Hawke e – felizmente – a mão de Winick jamais chega a pesar sobre o tema, que já é pesado por si só.
Bom (7 / 10)

HUMAN TARGET 16
Vertigo
Texto: Peter Milligan
Arte: Cliff Chiang
A conclusão de The Second Coming e as terríveis consequências do fato de Christopher Chance, o Alvo Humano, estar representando um suposto realizador de milagres. É curioso como Chance se torna Paul James, o tal rapaz miraculoso, agindo e pensando como ele, quase à beira da insanidade. O que é representação, o que é terapia e o que loucura em toda a performance de Chance? Difícil dizer. Milligan, sabiamente, também evita respostas definitivas nesta reta final, o que só iria prejudicar e enfraquecer todo o arco. Chance é louco? Paul James realmente realiza milagres? A morte vem para quem merece? Uma boa conclusão para um momento impressionante desta série, com arte ágil e enxuta de Cliff Chiang, que está cada vez melhor.
Muito Bom (8 / 10)

JLA 108
DC
Texto: Kurt Busiek
Arte: Ron Garney
Em sua edição de estréia, no mês passado, Kurt Busiek mostrou Flash e Ajax enfrentando o Constrtuo, um velho vilão da Liga da Justiça que agora é uma espécie de ciberespaço senciente (ele faz muito mais sentido hoje em dia do que na Era de Prata, graças à Internet, etc). Nesta edição, Busiek concentra seus esforços no Sindicato do Crime da América, a versão negativa da Liga (aquela mesma do especial Terra-2, de Grant Morrison e Frank Quitely). Assim como na edição anterio, Busiek dá a impressão de estar trabalhando com “altos conceitos” e ameaças absurdas, seguindo a linha de Morrison na época em que este escrevia a JLA. Ainda não está claro se o bom e velho Kurt é páreo pra essa missão, aparentemente um pouco distante do seu estilo atual de escrita. Mas este número é melhor que a edição de estréia, que foi meio brochante e repleta de infodump. Entediados, o Sindicato do Crime varre o universo de anti-matéria onde vivem em busca de algo para saquear, até que encontram – justamente – o planeta Qward, lar dos guerreiros trovejantes que são inimigos tradicionais do Lanterna Verde (Hal Jordan).A luta entre o maior grupo de supervilões do universo e a mais terrível raça de guerreiros toma proporções terríveis, claro, até que é interrompida por um esquisitíssimo dèja vu, que faz com que o início da história se repita de forma diferente. O que isso quer dizer, só na próxima dição. Aliás, a LIga em si também é só na próxima edição, já que toda esta história é focada no universo de anti-matéria e no Sindicato do Crime, sem que a Liga apareça sequer em uma ponta. Nenhum problema com isso, mas ainda não está claro o que Busiek pretende não só com este arco, mas com este tipo de abordagem da JLA como um todo. Ainda assim, mais intrigante e interessante que a quase rasteira edição anterior. Ron Garney, um dos meus desenhistas favoritos, sofre com a arte-final de Dan Green, que deixa seu traço um tanto “solto” demais, com jeito de esboço. Esta nova fase a cargo de Busiek tem potencial, mas por enquanto temos a impressão de que ele está tentando escrever a Liga de forma “morrisoniana” e não sei se isso combina com o seu estilo.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

MADROX 3
Marvel Knights
Texto: Peter David
Arte: Pablo Raimondi
James Madrox descobre mais sobre o mistério que envolve a morte de um de seus duplos, em Chicago. Peter David está em plena forma aqui e, quando eu já achava que ele não iria manter o nível das duas primeiras edições, ele surpreende com situações e diálogos inacreditáveis. Madrox, o Homem-Múltiplo, tem um dos poderes mais interessantes e de maior potencial nas mãos de um bom escritor. Felizmente, este é o caso de David. Uma mistura sensacional de noir (propositalmente meio fake, às vezes), mistério, policial e mutantes, com um ótimo plot e desenhos extraordinários de Pablo Raimondi. Uma das melhores coisas do ano, ao lado de Fallen Angel (do mesmo David), We3, Rex Mundi, Love and Rockets e Queen and Country.
Excelente (9 / 10)

BOOKS OF MAGICK – LIFE DURING WARTIME 5
Vertigo
Texto: Si Spencer (a partir de uma história de Spencer e Neil Gaiman)
Arte: Dean Ormston
O mais legal desta série é que, apesar de envolver magia, uma realidade alternativa (futuro possível?), a Rainha de Faerie e essas coisas todas, ela soa mais como uma história de espionagem e guerra do que um conto de fadas. Quero dizer, todo o plot gira em torno de magia, mas o clima geral é mais épico do que fantasioso. Si Spencer tem boas i´dieas e agora que o plot está mais claro, a fica mais fácil curtir esta série. Nesta edição, Brewster (na verdade, Sirius) aparentemente se sacrifica para salvar Timothy Hunter, enquanto Zatanna consegue se apossar da terceira e última chave capaz de invocar os Livros de Magia (que, por sua vez, serão usados para conjurar Hunter da falsa realidade onde ele está preso). No final, a surpreendente revelação de que Constantine (claro, tinha que ser ele) na verdade tem um plano maior e está agindo em conjunto com sua suposta inimiga, a Rainha de Faerie – e, ao que parece, prestes a trair seus amigos, como Lorde Midian e Zatanna. Uma exótica mistura de magia, fantasia, guerra e intriga de espionagem. E, pior, tem funcionado. Os desenhos de Dean Ormston são bem especiais e provocam o tom de estranheza necessário (este número, por sinal, foi o que mais se pareceu com uma história de horror até agora, com toques bem bizarros).
Bom (7,5 / 10)

LUCIFER 56
Vertigo
Texto: Mike Carey
Arte: Peter Gross
Mais uma edição sem a presença do personagem-título, mas funciona. Mazikeel resolve ir em busca de sua mãe, Lilith, para saber sobre o paradeiro de Lúcifer, que desapareceu nas raízes de Yggdrasil, a Árvore-Mundo. Ela encontra Lilith de partida de seu mundo, que cai em ruínas enquanto ela se afasta. Lilith conta que chegou o momento de equilíbrio, onde a balança pode pender para qualquer lado. No Inferno, as hostes estão unidas pela primeira vez, como um só exército: demônios e condenados, lado a lado. Lilith então nos leva a uma sequência de flashback, onde ela conta a Mazikeel como abandonou um de seus filhos à danação infinita após iniciar uma jornada pelo caos, pelos terrenos além da criação e do mundo sólido. Nesse limbo, o “mundo mole”, ela encontra nada menos que um restaurante macrobiótico (um genial trocadilho, já que o restaurante se assentava sobre uma das raríssimas bases sólidas do caos, uma espécie de montanha viva, uma “macro-voda”. Lá ela encontra uma pequena conspiração para destronar Yahweh e arruinar a Cidade Prateada (os céus). Uma edição interessante, mas espero que Lucifer não demore mais tanto tempo para concluir seus principais plots. Peter Gross oferece uma arte sólida, no estilo tradicional de fantasia da Vertigo.
Bom (7 / 10)

METAL HURLANT 13
Humanoids/DC
Vários artistas
Compilações são o meu formato favorito de revistas, mais ainda do que o álbum ou TPB. Adoro essa mistura de gêneros, artistas e climas. Infelizmente, não é um veículo que venda muito atualmente no mercado americano. Metal Hurlant, por exemplo, em sua nova encarnação, vende pouquíssimo e só existe ainda porque a Humanoids (braço americano da francesa Humanoides Associés, criadora da primeira e seminal Mètal Hurlant) se associou à DC Comics para efeito de distribuição e vendas. Bom, normalmente essa nova Metal Hurlant é meio irregular, mas quando acerta no alvo acerta lindamente. A primeira história desta edição, The Second Son, é um bom exemplo. Intriga e brigas familiares em uma ambientação de fantasia, com textos de Brian Robertson e belíssimos desenhos do francês Fred Beltran. A melhor história da edição é a estréia da série Lucha Libre, a cargo de Jerry Frissen (plot) e Bill (texto e desenhos). A arte do francês Bill é caricatural e hilária, se encaixando á perfeição nesta absurda história que mostra um grupo de lutadores de telecatch (no estilo do Santo, aquele personagem mexicano) que são a “reencarnação das múmias astecas”. Os cinco – El Gladiator, Red Demon, Diablo Loco, Kid Karateca e Dr. Panthera – devem enfrentar uma gangue de lobisomens que roubam rádios e toca-fitas de carros. Mas, coitados, sempre se fodem e são ridicularizados. Absurdo e sensacional, que venham mais histórias dos Luchadores Five.
Elemental, por Jim Alexandre e David Lloyd, é um típico quadrinho inglês de horror, que funciona a contento. A série The Zombies That Ate The World, por Jerry Frissen e Guy Davis, prossegue com sua absurda história de um mundo onde humanos devem conviver pacificamente com zumbis. Tem momentos hilários, mas às vezes soa meio forçada. Marcel, dos franceses Nicolas Pothier e Yannick Carboz é uma boa história curta envolvendo um sujeito e seus devaneios com o mundo dos gangsters. Finalmente, Fragile é uma série em continuação, a cargo do italiano Stefano Raffaele. Um desenho ágil e expressivo, mas a história em si demora a decolar (e, apesar de não envolver humor e ser realista, sua ambientação é um tanto parecida demais com a da outra série em capítulos da revista, The Zombies That Ate The World: num mundo apocalíptico, o planeta é habitado por zumbis.
Enfim, os pontos altos são The Second Son, Lucha Libre e Marcel, que elevam o nível da revista. As demais histórias não são ruins, pelo contrário. Mas se mantêm em um patamar padrão de qualidade para o quadrinho europeu e americano. Acho que essa revista se beneficiaria com a ausência de histórias seriadas.
Bom (7,5 / 10)

THE PUNISHER 13 e 14
Marvel Max
Texto: Garth Ennis
Arte: Dougie Braithwaite
Duas edições de The Punisher esse mês, abrindo a saga Mother Russia. Na primeira edição, Frank Castle mata um líder da máfia russa em Nova York, somente para descobrir que era uma isca plantada por Nick Fury. O agente da SHIELD deseja contratar Castle para um serviço federal extra-oficial: invadir uma base militar na Rússia e obter uma amostra de um novo vírus capaz de fazer o Ebola parecer uma gripe. Bom, Garth Ennis é um escritor de talento, com ótimos diálogos e boas idéias, mas seu Justiceiro, desde que passou a ser mature readers e parte do selo Max, se mostrou uma leitura no máximo correto e bastante burocrática. Não há nada de errado com os plots e roteiros, mas eles não são nem um pouco empolgantes. Parece que Ennis está em piloto automático nesta série e nestas duas edições em especial ele ainda tem a extremamente infeliz idéia de usar sua “versão Max” do Nick Fury, que apareceu pela primeira vez na minissérie Fury. Acontece que este Nick Fury “garth-enisado” é simplesmente insuportável, um velho linha dura chato, ranheta e “durão”. E duvido que Frank Castle estaria disposto a realizar serviços sujos para o governo americano. Enfim, não é uma leitura ruim, mas é burocrática, irritante às vezes (principalmente as cenas envolvendo Fury) e bem aquém do que Ennis é capaz de fazer. Aliás, após anos de histórias de guerra e do Justiceiro, está na hora de Ennis mudar o disco. A arte de Braithwaite é competente e realista, mas nada demais. O melhor acaba sendo a arte-final de Bill Reinhold, ex-desenhista de Badger e do próprio Justiceiro, na época em que o personagem era escrito por Mike Baron. Seu estilo dá um certo brilho ao desenho.
Tá, é Bacana (6 / 10)

BIRDS OF PREY 76
DC
Texto: Gail Simone
Arte: Joe Prado e Ed Benes.
Gail Simone é uma boa escritora e Birds of Prey vem mantendo um bom nível de qualidade nos textos. Esta edição mantém esta qualidade, embora eu não esteja tão certo de que esta série permita a aparição de seres super-poderosos de forma confortável. Canário Negro, Caçadora e Oráculo devem resolver o problema de uma adolescente capaz de utilizar poderes mágicos de outras pessoas e que está matando traficante de drogas (seria uma espécie de versão teen e feminina do Justiceiro, se ela não pudesse replicar os poderes do Sr. destino e Zatanna, entre outros. Meio fora de lugar nesta série, mas a história se mantém graças ao bom ritmo e diálogos do texto de Gail. A edição, contudo, perde pontos com o desenho burocrático e pobre de Prado e Benes, que insistem na falida opção pelo sub-mangá.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

CATWOMAN 37
DC
Texto: Ed Brubaker
Arte: Paul Gulacy
A despedida de Ed Brubaker desta série, após mais de três anos e de ter feito Selina Kyle uma personagem interessante novamente, resgatando a Mulher-Gato das trevas da fase desenhada pelo horroroso Jim Balent. Nada muito a fazer, a não ser se despedir dos personagens. Todos eles aparecem: é aniversário de Selina e estão lá, entre outros, Ted Grant (o Pantera) e Slam Bradley. Uma história low-profile concluindo uma das melhores séries dos últimos anos (infelizmente atrapalhada pelo crossover War Games nas edições recentes). Felizmente, Paul Gulacy permanece na arte e, apesar das críticas dos fariseus, mostra que ainda é um excelente desenhista. Vamos ver o que novo roteirista, Scott Morse, tem reservado para esta série, no mês que vem. Mas sem Brubaker não vai ser mais a mesma coisa.
Bom (7 / 10)

EX MACHINA 6
Wildstorm
Texto: Brian K. Vaughan
Arte: Tony Harris
Ex Machina é, facilmente, um dos cinco melhores quadrinhos do ano e de longe a melhor coisa que Vaughan já escreveu (incluindo aqui o ótimo Y – The Last Man). Esta edição é o início do arco Tag, onde Hundred começa a tentar descobrir o que é afinal o estranho símbolo parecido com ideogramas chineses que foi encontrado nos destroços da explosão que lhe deu seus poderes de “comandar” as máquinas. Como além de super-heróis ele também é o prefeito de Nova York (felizmente Ex Machina não se passa em nenhum “universo” compartilhado), a edição tem diversos toques geniais: o papo entre Hundred e um agente federal; a conversa sobre o vale-esco9la e a falência do ensino público; e, ao que parece, em um sensacional cliffhanger, a decisão de Hundred de legalizar o casamento de homossexuais. Soma-se a isso uma fantástica sequência passada no metrô, onde dois operários discutem as diferenças morais entre a ejaculação facial e o golden shower antes de descobrirem um cachorro estranhamente eviscerado e você tem nas mãos o melhor quadrinho da semana.
Excelente (9,5 / 10)

SHE-HULK 9
Marvel
Texto: Dan Slott
Arte: Paul Pelletier
She-Hulk talvez seja a melhor revista mensal da Marvel atualmente, graças ao humor absurdo de Dan Slott, que não por coincidência apresenta ecos da Liga da Justiça de Giffen e DeMatteis. Esta edição mistura um bizarro processo criminal entre Hércules e Constritor, além de uma genial aparição relâmpago de Howard, o Pato, processando George Lucas. O estranho é que, ao mesmo tempo que é histriônica e hilária, esta série soa como material clássico da Marvel dos anos 70 e 80. Faz pensar seriamente como quadrinhos de super-heróis metidos a “adultos” não são apenas ridículos, no final das contas. Em sua estréia nesta série, Paul Pelletier mostra segurança nas cenas de ação e nas situações absurdas.
Excelente (9 / 10)

WONDER WOMAN 210
DC
Texto: Greg Rucka
Arte: Drew Johnson
Após várias edições burocráticas e sem grandes atrativos, Greg Rucka finalmente mostra aqui o brilho e a compreensão dos antigos gregos que ele demonstrou possuir na edição especial Hiketeia. Diana enfrenta Medusa em um estádio de futebol, em uma luta que tem o próprio Ares como juiz. O que ela não sabe é que a luta está sendo televisionada para o mundo todo, graças à feitiçaria grega, em uma tentativa de transformar bilhões de seres em pedra em homenagem à Poseidon. Extremamente brutal, a luta é retratada de forma brilhante, mostrando de vez que, apesar de super-heroína, Diana é uma amazona com seus próprios códigos de ética e honra. Rucka ainda aproveita para mostrar como nosso mundo moderno, apesar de suas barbáries peculiares, está a milhas de distância da selvageria clássica. As últimas páginas têm duas cenas de tirar o fôlego e que certamente vão alterar a personagem Mulher-Maravilha de forma definitiva (pra melhor, acredito). O ponto fraco, mais uma vez, é o desenho sem brilho de Drew Johnson, uma espécie de Ron Randall piorado. Pra quem estava querendo mais ação na fase de Rucka nesta revista, esta edição foi literalmente um pancadão.
Excelente (9 / 10)

STRAY BULLETS 35
El Capitán
Texto e arte: David Lapham
Stray Bullets é legal, mas é meio exagero chamar lapham de gênio, como fazem alguns críticos “especializados”. A série é um bom quadrinho, mas lapham deixa muito a desejar em termos de diálogo, que muitas vezes derrapam nos clichês mais horrendos (como nesta edição e a frase “I’ll show you mine and you’ll show me yours”; alguma crianã realmente fala isso?). Sem contar as gírias, que parecem escritas por um cara de 50 anos. Mas, bem, não quero parecer cruel com esta revista, que é um bom quadrinho. Lapham é muito bom no ritmo e na construção de alguns dos personagens (parte deles, infelizmente, é mais unidimensioanl do que qualquer personagem de uma história de super-heróis, como o “vilão” desta edição). Enfim, tem os méritos e os defeitos da maioria das séries “indies” do mercado de quadrinhos americano: tem boas idéias, boas situações e bons personagens, mas cai feiamente em clichês de narrativa e caracterização. No fim das contas, séries como Seaguy ou X-Statix são totalmente diferentes de tudo que você vê nas outras mídias, enquanto este Stray Bullets soa apenas como um David Lynch de categoria inferior. Bem, nem todo mundo pode ser genial como um Jaime Hernandez.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

DETONATOR 1
Image
Texto: Mike Baron
Arte: Mel Rubi
A volta de Mike Baron (Nexus, Badger, Flash, Punisher) aos quadrinhos após mais de uma década afastado, trabalhando como roteirista de TV e cinema. E ele volta em grande estilo, com sua habitual mistura de situações simultaneamente realistas e fantásticas e personagens um tanto insanos. Desta vez o maluco é Frank Grace, apaixonado por explosivos (“especialista” é pouco pra ele, já que ele literalmente dorme sobre caixas de dinamite em uma mina abandonada de Montana) que, em busca de vingança por alguma tramóia a ser explicada nas edições seguintes, vai até Hong Kong explodir a sede do chefão local do crime. É incrível como Baron, habituado ao ritmo mais rápido dos quadrinhos dos anos 80, conta mais história nesta edição do que um Brian Bendis ou um Warren Ellis (o atual Ellis) contam em uma minissérie de seis partes. E isso sem deixar que as coisas fiquem rasas ou unidimensionais. Detonator é lido como um bom filme de ação e certamente vai agradar aos fãs de Badger ou da fase de Baron no Justiceiro. Os desenhos de Mel Rubi são muito legais e pop, com uma agilidade incomum – e recebem um ótimo reforço das cores propositalmente simples e chapadas de Brett Evans. Uma boa estréia.
Bom (7,5 / 10)

As melhores frases da semana são:

“You ain’t never seen a five hunnert pound bungee jumper come flyn’ outta the sky before?”
(do Coisa, em Fantastic Four 520)
e
“Ben, please. There’s no place for sexism in the realm of empirical science”.
(de Reed Richards, em She-Hulk 9)

Lembrando que o sistema de notas é
BUENO EXCELLENTE! (10)
Excelente (9 – 9,5)
Muito Bom (8 – 8,5)
Bom (7 – 7,5)
Tá, é bacana (6 – 6,5)
Só para fãs (4 – 4,5 – 5 – 5,5)
Uma porcaria (2,5 – 3 – 3,5)
Que meleca, hein? (1 – 1,5 – 2)
Fuja dessa merda (0 – 0,5)

Quadrinhos da Semana (10/11)

ANGELTOWN 1
Vertigo
Texto: Gary Phillips
Arte: Shawn Martinbrough

Primeira edição da minissérie em cinco partes. Hard-boiled policial, escrito com clara paixão pelo gênero por Gary Phillips. Um detetive particular precisa achar um astro do basquete que talvez tenha assassinado a ex-esposa. Situação tipicamente OJ Simpson (a própria história cita o caso OJ), mas funciona. Uma Los Angeles repleta de personagens curiosos e realistas dá o molho especial ao roteiro, mas o melhor da edição é mesmo o desenho ágil e expressivo de Shawn Martinbrough. Um início interessante, mas nada espetacular. Vamos aguardar as próximas edições. O cliffhanger, contudo, é surpreendente e deixa o leitor com vontade de saber mais.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

AQUAMAN 24
DC
Texto: John Ostrander
Arte:Chris Batista

Conclusão da fase de John Ostrander nesta revista – ele vai embora com uma história bem legal. Marauder, o vilão da edição anterior, é anulado por Aquaman e os Sea Devils (que perdem um de seus membros numa morte terrível).Resta agora a Aquaman lidar com a questão de Sub Diego, a San Diego que afundou e agora tem habitantes que só respiram debaixo d’água. Uma fase bem interessante da revista, com ótimo texto e plot de Ostrander. Os desenhos de Chris Batista estão muito bons, com um toque levemente clássico (no sentido “golden age” da palavra). No mês que vem sobe à bordo o argumentista John Arcudi, que também é muito competente. Por enquanto, a mistura de ação, intrigas nucleares e metamorfoses biológicas de John Ostrander tem garantido a diversão.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

AVENGERS FINALE
Marvel
Texto: Brian Bendis
Arte: Neal Adams, David Finch, Alex Maleev, Steve Epting, Lee Weeks, Michael Gaydos, Eric Powell, Darick Robertson, Mike Mayhew, David Mack, Gary Frank, Mike Avon Oeming, Jim Cheung, Steve McNiven e George Pérez.

A edição one-shot que (tenta) amarrar as pontas soltas da ridícula saga Avengers Disassembled é melhor que a saga em si. Ao menos aqui os Vingadores não estão agindo como completos idiotas. Ao menos, não o tempo todo, mas os tiques de Bendis aparecem aqui e ali. Os Vingadores remanescentes se reúnem nos destroços da Mansão para render uma homenagem aos mortos (Valete de Copas, Homem-Formiga, Visão, Gavião Arqueiro e Thor) e à nova vilã “enlouquecida” (Feiticeira Escarlate).Um saldo um tanto quanto patético e exagerado, se levarmos em conta a qualidade abissal de Disassembled. Os diálogos aqui até que funcionam, mas é sempre a pessoa errada que está dizendo algo. Por exemplo, é estranho que justamente Carol Danvers afirme que a sua “saga” favorita dos Vingadores é a Saga de Thanos, já que ela sequer era Miss Marvel ainda nesta época. Enfim, as posições estão erradas e Bendis mais uma vez força o plot goela abaixo dos personagens, que lutam para tentar se encaixar ao papel que lhes foi imposto. O desaparecimento de Thor não parece afetar muito o grupo e descobrimos, ridiculamente, que Tony Stark não tem mais dinheiro para financiar os Vingadores e que ele decidiu deixar a Mansão em ruínas mesmo, como um “monumento” (à estupidez de Bendis, deve ser). Enfim, um trsite final para esta revista que já durava 40 anos.
A arte em si tem altos e baixos. George Pérez, Steve Epting, Lee Weeks e Gary Frank são os destaques. Alex Maleev, David Mack e Mike Avon Oeming são as pontas mais fracas do tecido. Novamente, são justamente os amigos de Bendis, que nada têm a ver com a história passada dos Vingadores (nem com o estilo das cenas que retratam). A regra de Bendis, tanto em termos de escolha de personagens e situações como de artistas colaboradores, parece ser essa: “não combina, mas dane-se. Vamos fazer combinar à força”.
Um fim patético para esta revista e que não deixa muito ânimo para ler os vindouros New Avengers (que, pela capa que eu linkei no post aí embaixo, vão continuar no mesmo naipe).
Só Para Fãs (5,5 / 10)

BATMAN – LEGENDS OF THE DARK KNIGHT 185
DC
Texto: Shane McCarthy
Arte: Tommy Castillo

Início da saga Riddle Me That, em cinco partes. Batman encontra algumas pistas deixadas pelo Charada, mas em situações estranhas e mais radicais, que não parecem ser o habitual de Edward Nigma. Enquanto isso, um velho professor encontra por casao, em um parque de Gotham, um mendigo aparentemente genial em resolver puzzles e palavras cruzadas, que talvez seja o próprio Nigma. Um começo bastante interessante. McCarthy não quer reinventar a roda, apenas contar uma boa história do Batman. E aqui o morcego está bem retratado, usando ao máximo suas capacidades de detetive e observaçáo – e seus espantosos conhecimentos específicos. A arte de Tommy Castillo é interessante, com ecos de Michael Golden.
Tá, é Bacana, (7,5 / 10)

B.P.R.D. – THE DEAD 1
Dark Horse
Texto: Mike Mignola e John Arcudi
Arte: Guy Davis

Primeira edição da nova minissérie em quatro partes do BPRD (na prática, a edição 13 desta série de minisséries). O BPRD é o Bureau de Pesquisa Paranormal criado por Mike Mignola para a série Hellboy. Estão todos aqui: Abe Sapiens, o anfíbio; Liz Sherman, que lança fogo pelas mãos; Dra. Kate Corrigan, a folclorista; Roger, o homúnculo feito de sangue humano e ervas; e Johann Kraus, a forma astral em uma garrafa. Enquanto Corrigan e Abe Sapiens investigam o que talvez seja o misterioso passado deste último, com boas cenas de investigação, os outros três conhecem seu novo chefe de campo, um marine que voltou á vida após passar três dias morto. É este sujeito que consegue com o Pentágono verba e autorização para que o BPRD se mude de Connecticut para uma base abandonada do governo nas montanhas nevadas do Colorado. A chegada à base é impressionante e os dois plots paralelos são muito intrigantes. De quebra, o grupo ainda tem que lidar com o avanço dos homens-sapos, que parecem estar indo para o oeste. Ótimo texto de Mignola e Arcudi e arte simplesmente sensacional e climática de Guy Davis.
Muito Legal (8,5 / 10)

GOTHAM CENTRAL 25
DC
Texto: Greg Rucka
Arte: Michael Lark

O Comissário Akins, após romper com os vigilantes de Gotham na saga War Games, manda retirar o bat-sinal do terraço da sede policial da cidade. As amarras com Batman e seus sidekicks estão definitivamente cortadas, para tristeza de Renee Montoya, que já teve sua vida salva pelo morcego inúmeras vezes. Uma história menor nesta série, criada para assimilar as mudanças impostas pelo crossover. Mas funciona. Uma pena que Michael Lark, que está cada vez melhor, vá abandonar em breve esta revista, pois acaba de assinar um contrato de exclusividade de dois anos com a Marvel.
Tá, é Bacana (7 / 10)

IDENTITY CRISIS 6
DC
Texto: Brad Meltzer
Arte: Rags Morales

A desgraça criativa continua e esta série fica cada vez mais ridícula. Esta edição é coalhada de textos cafonas, sobre “a família, como nós, super-heróis, corremos perigo, nossos entes queridos, meu filho, e, oh, meu marido”. Enfim, parece uma letra do Kenny Rogers ou alguém assim. Para piorar tudo, o Capitão Bumerangue e o pai de Tim Drake, o Robin, se matam mutuamente, em uma cena patética e apelativa. Robin chega em casa e vê o pai morto, sendo abraçado por Batman, em uma situação que apenas retira de Tim Drake tudo o que fazia dele um Robin diferente dos anteriores. O pior mesmo é a sequência final, onde o Dr. Meia-Noite, durante a autópsia no corpo de Sue Dibny, descobre que talvez o assassino seja Ray palmer, o Eléktron, porque encontrou “micro-pegadas” no cérebro da vítima. Sim, micro-pegadas. No cérebro. Essa série é o pior do ano, de longe, ao lado de Avengers Disassembled. É como ver um acidente de carro em andamento.
Que Meleca, Hein? (1 / 10)

IRON MAN 1
Marvel
Texto: Warren Ellis
Arte: Adi Granov

Até que a maldição da “descompressão” não afeta tanto assim este primeiro número da nova fase do Homem de Ferro, por Warren Ellis. Ou talvez os desenhos de Adi Granov sejam bonitos o suficiente para que você olhe para eles e esqueça que quase nada está acontecendo. De qualquer forma, um começo promissor, com Tony Stark sendo sabatinado por um sub-Michael Moore a respeito de seu passado como inventor de armas. O Stark de Ellis é bem caracterizado e, felizmente, não é o “personagem-Ellis” da história. Alguns tiques de Ellis, porém, aparecem: o uso de celular, essa maravilha da tecnologia; as três páginas de Iron Man voando, onde nada acontece (sim, é cheio de sense of wonder o fato de um sujeito poder voar em sua propria armadura, Ellis, mas já vimos isso várias vezes nos últimos 41 anos de Iron Man, então não vamos ficar muito impressionados com isso); e as telecomunicações wireless e sua praticidade. Ainda assim, Iron Man é o melhor personagem Marvel para alguém como Ellis: contatos internacionais, alta tecnologia, etc. Adi Granov está claramente investindo muito nesta série. Sua mistura de imagens renderizadas em 3-D, polidas para que não pareçam frias e distantes, e traço tradicional é fantástica e responsável por mais da metade da graça desta edição. Mas, se Ellis não apressar o ritmo nas revistas seguintes, as coisas vão começar a dar bocejo.
Muito Legal (8 / 10)

MARVEL TEAM-UP 1
Marvel
Texto: Robert Kirkman
Arte: Scott Kolins

Robert Kirkman (de Invincible) é um argumentista tremendamente superestimado. Fez mais ou menos feio em sua fase recente no Capitão América, com um tom Era de Prata meio forçado, diferente do adotado por um Kurt Busiek ou um Mark Waid, por exemplo. Esta volta da Marvel Team-Up vem em hora bem estranha, mas vamos ver o que acontece. Nesta edição, Homem-Aranha deve salvar um garoto mutante das garras de Wolverine, aparentemente. O final, claro, muda tudo isso e abre espaço para a edição seguinte. Kirkman tem boas idéias, mas às vezes sofre de uma certa “leveza” forçada. Nema Era de Prata era tão leve assim. De qualquer forma, tem boas cenas, como a que mostra Wolverine escapando das teias do Aranha. Aliás, as novas teias orgânicas do Aranha já mostram um problema: elas são brancas. Isso tira todo o grafismo das teias, que se perdem em meio ao fundo do cenário. Os desenhos de Scott Kolins são competentes e dão muito mais graça ao roteiro de Kirkman. Pontos para ele. Um início divertido, mas precisa de ajustes.
Tá, é Bacana (7 / 10)

NEW THUNDERBOLTS 1
Marvel
Texto: Fabian Nicieza e Kurt Busiek
Arte: Tom Grumett

É a volta dos Thunderbolts, mais uma vez aproveitando a ausência dos Vingadores para se firmar como o principal supergrupo de Nova York. Abe Jenkins, o Mach 4 (antigo Besouro), sai da cadeia e resolve reativar o grupo, para isso convidando Songbird (a menina com poderes de luz sólida, sua antiga namorada), Atlas (que agora não usa mais as partículas Pym e funciona como faz-tudo mecânico do grupo) e a nova aquisição, o Nevasca (antigo vilão do Homem de Ferro, que quer se regenerar). Logo de cara eles enfrentam um grupo de supervilões atlantes, uma batalha salva pela intervenção de Genie, o novo Capitão Marvel. Boas idéias, excelente caracterização e bons momentos, principalmente a cargo de Nevasca, que tem problemas em sua primeira missão como “super-herói”. O texto soa muito mais Fabian Nicieza do que Kurt Busiek, que aqui age como consultor do plot, creio. Mas é um começo promissor, com bons desenhos funcionais de Tom Grumett, mais ndo adequados ao estilo de uma revista como Thunderbolts. Engraçado como os quadrinhos que seguem o estilo clássico de super-heróis da Marvel, como esta revista, a nova minissérie dos Vingadores, por Joe Casey, Madrox, She-Hulk e algumas outras têm servido como um antídoto muito bem-vindo à chatice apelativa e “realista” de Bendis, Straczynsky e Millar. E olha que sou um fã da Vertigo.
Muito Legal (8 / 10)

OCEAN 2
Wildstorm
Texto: Warren Ellis
Arte: Chris Sprouse

Se a primeira edição desta mini em seis partes acertou no sense of wonder, desta vez o ritmo cai para a chatice lenta dos trabalhos recentes de Warren Ellis, graças á maldição da “descompressão”. Looongas páginas de diálogos, que parecem ter sido tiradas de algum manual para roteiristas de personagens “espertos”. Felizmente, não chega a irritar (ainda) graças a dois elementos: os desenhos maravilhosos de Chris Sprouse e a introdução de nvos e intrigantes elementos ao plot. Entre eles, o fato de que Europa, uma das luas de Júpiter, contém “caixões” com corpos humanóides de bilhões de anos de idade. A edição seguinte claramente implora por um avanço maior do plot, vamos esperar para ver se Ellis consegue fazer isso ou vai manter o ritmo ponto morto de seu trabalho atual. Infelizmente, aposto na segunda opção.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

PLASTIC MAN 12
DC
Texto e arte: Scott Morse

Uma atípica edição fill-in, a cargo do escritor e desenhista Scott Morse. O cara até que tenta imitar o estilo de Kyle Baker no traço, mas no quesito piadas e situações ele está muito longe de demonstrar o brilhantismo insano de Baker. O resultado final soa bobo e derivativo. Espero que Baker esteja de volta na próxima edição.
Só Para Fãs (5 / 10)