Time

Sei que o blog voltou a ficar desatualizado, mas não foi esquecido. Estou novamente em uma das minhas fases sazonais (como bem disse o Norrin) de falta de interesse pela Internet. Mas essas coisas vêm e vão comigo e espero ainda nessa semana voltar a atualizar o blog. E, mais legal ainda, atualizar também o Hyperpulp. Give it time, give it time.

search and destroy

As últimas pessoas que vieram parar aqui pelos mecanismos de busca do Google, MSN e Yahoo! estavam procurando: “you don’t come from this town”, “revista em quadrinho sobre kgb e cia”, “Howl’s Moving Castle”, “Magneto”, “fanfic liga da justiça”, “ibuki”, “Alex Mandarino” (epa), “Brian Wood”, “sites de super-heróis como o hulk” (não acredito que tem gente que dá search assim), “Vic Sage, o Questão”, “o boxer é capaz de proteger uma cada” (sic; não, não olhem pra mim), “blogger mulheres peitudas”, “sue dibny”, “arquivos tsunamis”, “Grant Morrison”, “alfa, beta, gama…” (WTF?), “GTA Liberty City Stories”, “cheaters GTA Vice City” e “GTA tradução português”.

Keep coming, all of you.

Melting

43 graus aqui no Rio hoje.

Que coisa desumana e insuportável.

Never


Ou, na versão psicodélica:


O mesmo vale para goths e, principalmente, nerds. Never trust a nerd.

Search

E os últimos sujeitos que vieram parar aqui via Google ou demais mecanismos de busca (por Lugh, não é que tem gente que ainda usa o AltaVista?!) estavam procurando as seguintes tetéias: “cidade garotas” (?), “Quadrinhos de Zumbis”, “gta 3 portugues” (sim, usem minha tradução, seus psychos), “desenhos em 3D”, “alfa gama” (?), “Edward Nigma charada”, “quadra de tenis mais alta do mundo”, “usar nanquim”, “gabriel knight tradução”, “Por um punhado de dólares”, “luchadores 5 jerry frissen” (what the fuck?), “New Avengers”, “Robin Wood (sic) história original”, “mulheres de cinta liga”, “GTA 3”, “evra adesivo anticoncepcional”, “Jack o estripador”, “tradução do gta vice city”, “todos os livros da agatha christie”, “dna forense” (!!!), “radio blog lords of acid”, “Bar do Chico” e “fotos gorila pelada” (!!!!!!!).

Pra vocês verem. E, sim, a quadra de tênis mais alta do mundo está aqui neste post velho.

Bad Manners

E agora para os maus entendedores:

Percebi duas coisas:

1) Amigos de Internet são fachos de luz, transmitidos entre dois processadores, como mero calor de dados.
Calor se dissipa.

2) O ano que passei sem Internet, em 2002 (acho) foi o ano em que mais produzi. Criei as melhores músicas, escrevi os melhores contos, pensei nos melhores plots, tomei as melhores drogas. A Internet propaga a escravidão à flatulência social. Ao menos o caráter declaradamente social dela. O caráter supostamente individual (como este blog) acaba sendo, paradoxalmente, mais social, mesmo que dependa do social me, myself and I (and now, singing for you tonight, our Lady day… Billie Holiday).

E, não, isso não é triste, for chrissakes. A vida está logo ali, dobrando a esquina. Blog vazio e vida cheia é um estado maior e melhor que o de Internet cheia e vida George Romero.

E não deixem de baixar a magnífica Souvenirs of Raymond, da trilha do cult Girl on a Motorcycle, com os meus tão queridos Marianne Faithfull e Alain Delon. Uma música com esse nome (how cool is that? Souvenirs of Raymond, pensem bem nisso) só pode ser genial e linda. Filme totalmente à frente de seu tempo, dirigido pelo maluco inglês Jack Cardiff em 1968, que simplesmente tem uma cena onde a personagem Rebecca (Marianne, who else?) pensa e diz:

Rebellion is the only thing that keeps you alive!

Sim.

Rebellion is the only thing that keeps you alive.

Bullit

OK, explicando para os bons entendedores: boa parte do aspecto social da Internet simplesmente… não é social. Quantas pessoas lêem o que é escrito, baixam e escutam o que é produzido? Em um universo amplo, o número de interessados é bastante restrito. Então, fuck it. Pra que se preocupar? Melhor tentar fazer a mesma coisa no “mundo real” (ei, Baudrillard, você aí atrás: cale a boca e vá tomar no cu, para ver se ele é “real”. Ou não. Whatever). No mundo real, os frutos podem ser igualmente não-reais quanto na Internet, mas ao menos são imediatos. São claros. São “gostei/não-gostei”. On/Off. Yes/No. A socialização do mundo das infovias de bytes produz um reflexo contrário? Será possível que, enquanto o “ciberespaço” (cyberpunk’s dead!!!!!!!!) vira pátio social de presídio, com merendas Orkut e cigarros Mengo Yahoogroups, a realidade fica mais binária?

Alt.binary.com. Na vida real, as reações são binárias e imediatas. Quantificáveis. É disso que preciso agora. Rostos. Olhares. Apertos de mão. É a hora de aproveitar que todos os malas e retardados estão online e tomar as ruas novamente. Debaixo da calçada, a praia (traga o filtro solar Guy Debord).

Go, Steve McQueen, go.

Under My Skin

Após os cinco anos que com certeza foram os piores anos da minha vida (quase cinco anos de desemprego e de freelas estúpidos que pagam pouco); indefinição profissional; namoros conturbados; a morte do meu pai; sumiço de amigos (com alguns deles se revelando perfeitos escrotos interesseiros), finalmente parece que as coisas estão se revertendo. Nada de concreto aconteceu ainda no plano profissional, mas tenho pela primeira vez a sensação de que, sim, caralho, vai acontecer. No plano pessoal, por outro lado, tudo aconteceu. Nas últimas semanas uma das pessoas mais importantes da minha vida apareceu quase que do nada, totalmente de surpresa, mudando tudo. Tudo. A mulher dos seus sonhos não aparece impunemente, you know.

Me sinto como uma cobra mudando de pele. Acabo de ter minha segunda epifania MDMA, desta vez acompanhado. Desfiz pseudo-sigilos e coisinhas escrotas que estavam atrapalhando a minha vida. E, finalmente, parei de dar atenção a situações e condições que não levam a nada, comezinhas que são. No processo, me desliguei de todas as listas de discussão que assinava na Internet, inclusive da minha própria lista (eh, eh, sim , isso é bizarro; ela deixa de se chamar hypervoid e passa a se chamar snoid, em homenagem ao clássico e querido personagem criado pelo Crumb. Quero mais Es, mais Pacha, mais plano físico e xamânico e menos Internet, menos Li(f)e e menos manés.

If They Move, Kill’ Em.

Ah, e parei de fumar, pondo fim a um hábito de quase 17 anos. O preço das cascas de pele de nicotina que caíram nesta mudança foi uma sucessão de chiliques e vacilos abstêmicos de dar medo a Christiane F, lançados injustamente sobre quem menos merecia (sorry, baby). Parece que não há expurgo sem erupção.

Os restos da pele antiga caem pelo caminho, descascados, multicores, como algas em pó. Eles compõem o pavimento para a ressurreição de Ch(X)ip(e) Totec(hno), são os degraus para a e-pifania prometida e já reservada pelos deuses. Cai a pele velha e carcomida, fica o brilho translúcido e leitoso, prestes a ser resguardado pela fusão inca-asteca.

Intergalactic, planetary, planetary, intergalactic.

Globber

Às vezes penso em transformar este Glob num glob fechado, não disponível para o público. Dentro dessa redoma blasé, o Glob viraria um mix entre um grimoire e um livro de sonhos molhados, elo perdido entre o sexo inca e a saudade soda cáustica.

Tssssss.

Mas não seria justo com os sete leitores que ainda acompanham essa trajetória trôpega de malabares gráficos, então só digo isso: desci para comprar chicletes agora por volta da meia-noite, já que os magníficos Trident sem açúcar são o pilar da minha abstinência tabagista deste mais de um mês sem fumar (sim, parei, após dezesseis anos de escravidão á Phillip Morris, à Souza Cruz e à estética naif do Zippo/John Constantine/Marlene Dietrich/Phillip Marlowe). Enquanto eu andava pelo meu derrubado bairro no início da madrugada, senti a cidade falando comigo. Não, cala a boca. É sério. Me senti “parte” dela.

Olhei para o céu e a Lua não estava em lugar algum. Que Hécate a guarde bem essa noite.

(E toca Planet Earth, Duran Duran, enquanto escrevo isso. Can you hear me nooooooooooww? This is planet Earth).

And I miss you

A saudade pode corroer, como soda cáustica sobre capôs de carros. Solta fumaça e faz aquele barulhinho, “tsssss”, de almas sendo centrifugadas para o alto.

E avante.