Never


Ou, na versão psicodélica:


O mesmo vale para goths e, principalmente, nerds. Never trust a nerd.

Search

E os últimos sujeitos que vieram parar aqui via Google ou demais mecanismos de busca (por Lugh, não é que tem gente que ainda usa o AltaVista?!) estavam procurando as seguintes tetéias: “cidade garotas” (?), “Quadrinhos de Zumbis”, “gta 3 portugues” (sim, usem minha tradução, seus psychos), “desenhos em 3D”, “alfa gama” (?), “Edward Nigma charada”, “quadra de tenis mais alta do mundo”, “usar nanquim”, “gabriel knight tradução”, “Por um punhado de dólares”, “luchadores 5 jerry frissen” (what the fuck?), “New Avengers”, “Robin Wood (sic) história original”, “mulheres de cinta liga”, “GTA 3”, “evra adesivo anticoncepcional”, “Jack o estripador”, “tradução do gta vice city”, “todos os livros da agatha christie”, “dna forense” (!!!), “radio blog lords of acid”, “Bar do Chico” e “fotos gorila pelada” (!!!!!!!).

Pra vocês verem. E, sim, a quadra de tênis mais alta do mundo está aqui neste post velho.

Bad Manners

E agora para os maus entendedores:

Percebi duas coisas:

1) Amigos de Internet são fachos de luz, transmitidos entre dois processadores, como mero calor de dados.
Calor se dissipa.

2) O ano que passei sem Internet, em 2002 (acho) foi o ano em que mais produzi. Criei as melhores músicas, escrevi os melhores contos, pensei nos melhores plots, tomei as melhores drogas. A Internet propaga a escravidão à flatulência social. Ao menos o caráter declaradamente social dela. O caráter supostamente individual (como este blog) acaba sendo, paradoxalmente, mais social, mesmo que dependa do social me, myself and I (and now, singing for you tonight, our Lady day… Billie Holiday).

E, não, isso não é triste, for chrissakes. A vida está logo ali, dobrando a esquina. Blog vazio e vida cheia é um estado maior e melhor que o de Internet cheia e vida George Romero.

E não deixem de baixar a magnífica Souvenirs of Raymond, da trilha do cult Girl on a Motorcycle, com os meus tão queridos Marianne Faithfull e Alain Delon. Uma música com esse nome (how cool is that? Souvenirs of Raymond, pensem bem nisso) só pode ser genial e linda. Filme totalmente à frente de seu tempo, dirigido pelo maluco inglês Jack Cardiff em 1968, que simplesmente tem uma cena onde a personagem Rebecca (Marianne, who else?) pensa e diz:

Rebellion is the only thing that keeps you alive!

Sim.

Rebellion is the only thing that keeps you alive.

Bullit

OK, explicando para os bons entendedores: boa parte do aspecto social da Internet simplesmente… não é social. Quantas pessoas lêem o que é escrito, baixam e escutam o que é produzido? Em um universo amplo, o número de interessados é bastante restrito. Então, fuck it. Pra que se preocupar? Melhor tentar fazer a mesma coisa no “mundo real” (ei, Baudrillard, você aí atrás: cale a boca e vá tomar no cu, para ver se ele é “real”. Ou não. Whatever). No mundo real, os frutos podem ser igualmente não-reais quanto na Internet, mas ao menos são imediatos. São claros. São “gostei/não-gostei”. On/Off. Yes/No. A socialização do mundo das infovias de bytes produz um reflexo contrário? Será possível que, enquanto o “ciberespaço” (cyberpunk’s dead!!!!!!!!) vira pátio social de presídio, com merendas Orkut e cigarros Mengo Yahoogroups, a realidade fica mais binária?

Alt.binary.com. Na vida real, as reações são binárias e imediatas. Quantificáveis. É disso que preciso agora. Rostos. Olhares. Apertos de mão. É a hora de aproveitar que todos os malas e retardados estão online e tomar as ruas novamente. Debaixo da calçada, a praia (traga o filtro solar Guy Debord).

Go, Steve McQueen, go.

Under My Skin

Após os cinco anos que com certeza foram os piores anos da minha vida (quase cinco anos de desemprego e de freelas estúpidos que pagam pouco); indefinição profissional; namoros conturbados; a morte do meu pai; sumiço de amigos (com alguns deles se revelando perfeitos escrotos interesseiros), finalmente parece que as coisas estão se revertendo. Nada de concreto aconteceu ainda no plano profissional, mas tenho pela primeira vez a sensação de que, sim, caralho, vai acontecer. No plano pessoal, por outro lado, tudo aconteceu. Nas últimas semanas uma das pessoas mais importantes da minha vida apareceu quase que do nada, totalmente de surpresa, mudando tudo. Tudo. A mulher dos seus sonhos não aparece impunemente, you know.

Me sinto como uma cobra mudando de pele. Acabo de ter minha segunda epifania MDMA, desta vez acompanhado. Desfiz pseudo-sigilos e coisinhas escrotas que estavam atrapalhando a minha vida. E, finalmente, parei de dar atenção a situações e condições que não levam a nada, comezinhas que são. No processo, me desliguei de todas as listas de discussão que assinava na Internet, inclusive da minha própria lista (eh, eh, sim , isso é bizarro; ela deixa de se chamar hypervoid e passa a se chamar snoid, em homenagem ao clássico e querido personagem criado pelo Crumb. Quero mais Es, mais Pacha, mais plano físico e xamânico e menos Internet, menos Li(f)e e menos manés.

If They Move, Kill’ Em.

Ah, e parei de fumar, pondo fim a um hábito de quase 17 anos. O preço das cascas de pele de nicotina que caíram nesta mudança foi uma sucessão de chiliques e vacilos abstêmicos de dar medo a Christiane F, lançados injustamente sobre quem menos merecia (sorry, baby). Parece que não há expurgo sem erupção.

Os restos da pele antiga caem pelo caminho, descascados, multicores, como algas em pó. Eles compõem o pavimento para a ressurreição de Ch(X)ip(e) Totec(hno), são os degraus para a e-pifania prometida e já reservada pelos deuses. Cai a pele velha e carcomida, fica o brilho translúcido e leitoso, prestes a ser resguardado pela fusão inca-asteca.

Intergalactic, planetary, planetary, intergalactic.

Globber

Às vezes penso em transformar este Glob num glob fechado, não disponível para o público. Dentro dessa redoma blasé, o Glob viraria um mix entre um grimoire e um livro de sonhos molhados, elo perdido entre o sexo inca e a saudade soda cáustica.

Tssssss.

Mas não seria justo com os sete leitores que ainda acompanham essa trajetória trôpega de malabares gráficos, então só digo isso: desci para comprar chicletes agora por volta da meia-noite, já que os magníficos Trident sem açúcar são o pilar da minha abstinência tabagista deste mais de um mês sem fumar (sim, parei, após dezesseis anos de escravidão á Phillip Morris, à Souza Cruz e à estética naif do Zippo/John Constantine/Marlene Dietrich/Phillip Marlowe). Enquanto eu andava pelo meu derrubado bairro no início da madrugada, senti a cidade falando comigo. Não, cala a boca. É sério. Me senti “parte” dela.

Olhei para o céu e a Lua não estava em lugar algum. Que Hécate a guarde bem essa noite.

(E toca Planet Earth, Duran Duran, enquanto escrevo isso. Can you hear me nooooooooooww? This is planet Earth).

And I miss you

A saudade pode corroer, como soda cáustica sobre capôs de carros. Solta fumaça e faz aquele barulhinho, “tsssss”, de almas sendo centrifugadas para o alto.

E avante.

Today is my birthday

Nossa, não atualizo isso aqui desde julho. Bom, tive bons (na verdade, excelentes) motivos para estar distraído nas últimas semanas. Hoje é meu aniversário (Today is a birthday / They’re smoking cigars / He’s got a chain of flowers / And sows a bird in her knickers) e 35 anos são um bom motivo para atualizar.
Aliás, atualizar tudo.
Tudo.

Quadrinhos e Games

Estrearam esta semana minhas colunas de Quadrinhos e Games/Informática no Almanaque Virtual.

O site ainda tá em fase beta, tateando, mas tem um rol de colaboradores bem bacana que daqui a pouco vão começar a fazer suas colunas por lá, também. A coluna de quadrinhos vai ao ar toda egunda-feira, com notícias e resenhas (que foram poucas nessa estréia, mas nas próximas irão crescendo de número); a de games vai ao ar toda terça-feira e tem notícias de games, resenhas e coisas de informática que tenham alguma relação com a cultura.

Vão lá conferir e postem suas críticas aqui (tá em beta ainda, coisas podem mudar mais pra frente).

Brazil

O Brasil tá se esforçando pra ficar parecido com o meio-oeste americano: conservador, babaca, overpowered e sem noção.

Acho que esse americanismo caipira tem aumentado, talvez por causa da TV a cabo. Tem muito mais gente imitando personagens de Sex and the City, as falas de Gilmore Girls, ou o comportamento de alguém do CSI, sei lá. Antes isso era meio restrito à Barra e a Alphaville, mas já é meio geral agora.

O comportamento dos nossos chefes, vizinhos, etc, tá totalmente Mr. Flanders. Uma mistura de neurose, babaquice, reacionarismo e ilusão de
que overpower e “bons costumes” são o mesmo que funcionalidade e democracia. A gente tá parecendo um Oklahoma do inferno.

Comportamentos bem americanos já são padrão por aqui: seus amigos somem quando vc tá mais na merda, desempregado, etc; seus amigos somem
quando vc tá meio rico, com grana pra se divertir, etc; só se pensa em trabalhar, trabalhar, sem nenhuma hora pra viver; não se pensa em
viver, aliás, só em trabalhar; o lazer é visto cada vez mais como coisa de vagabundo e algo nocivo e pernicioso; e tudo virou questão de
status: quanto vc ganha, o que vc faz, quem vc come, quem vc conhece, etc. Todos sinais de extremo wannabe america.

Tinham que imitar logo o pior, pô. Eu quero tirar uma sesta depois do almoço e ter tempo para viver, não só para trabalhar. Ir ao cinema, ir
a um museu, ler um livro, viajar de trem. Mas, diabos, adotamos as 3 principais culturas americanas: a cultura do trabalho protestante; a
cultura do status social e do marketing pessoal higher-than-thou; e a cultura do carro.

Na verdade, viver no Brasil tá foda.