Bluetooth

Bluetooth, o nome dado ao padrão de comunicações wireless entre aparelhos eletrônicos, vem do rei Harald “Bluetooth” Gormsson, do século X. Harald encorajou a comunicação entre tribos nórdicas e dinamarquesas, então em guerra. O Bluetooth moderno tem em seu logo as runas correspondentes às iniciais do velho rei, H e B:

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No livro The Mother of the Kings, o escritor Poul Anderson mostra o rei norueguês Erik Bloodaxe e uma parte apresenta um ainda jovem Harald, que engana diversas facções e líderes vikings para que se voltem uns contra os outros.

Há comunicações e comunicações.

Costumes estranhos da idade média

Game of Thrones afinal estreou na HBO e, graças aos poderes mágicos de teleportação do BitTorrent, posso afirmar que a série é sensacional. Atores, roteiro, diálogos, cenários, direção de arte, ritmo, trilha sonora, abertura, locais; tudo é encharcado de sense of wonder e plausibilidade narrativa. Tyrion Lannister é o Omar Lyttle desta década.

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Mesmo com todo o extremo cuidado da produção, que rivaliza e, em muitos casos, supera o nível de produções cinematográficas do gênero, há os críticos toscos. Alguém do New York Times alegou que a série não possui poder apelativo junto ao público feminino, por pertencer a um gênero (fantasia) “que repele as mulheres e por exigir um glossário para seu completo entendimento”. Que o pobre escriba tenha vindo a público admitir sua burrice é louvável, mas a injustiça com a série e com o gênero não tem razão de ser. E, não, não vou linkar para o artigo original, pois não quero atrair visitantes e page views para o referido tabelião das resenhas. use o Google ou, pensando bem, não; não faça isso.

A triste visão de alguém de Q.I. 48 abrindo um dicionário ilustrado para checar o significado de palavras como “kingsroad” me remeteu a livros de ficção história como o ótimo “Londres”, de Edward Rutherfurd, e à série História da Vida Privada. Tão fascinante e tão detestada pelos filisteus do “agora”, a História é injustiçada como uma tribo indígena coberta por trapos com varíola. E a pobre Idade Média, musa inspiradora para tantos e tantos exemplos de worldbuilding, nos brinda com diversos exemplos de costumes e hábitos bizarros, que fazem par às coisas mais estapafúrdias imaginadas por figuras como George R. R. Martin. J.R.R. Tolkien e outros R.R. menos votados.

A Idade Média (Baixa, propriamente Média ou Alta) sempre me fascinou. Leio sobre aspectos medievais desde bem criança e recentemente tive de pesquisar sobre celtas e Roma antiga para a minha série Wyrd, publicada pelo site Hyperfan. Algumas coisas da História Medieval que poderiam muito bem ter saído de um tomo de alta fantasia:

1) Em 1086, 10% da população registrada no Domesday Book, um censo, era composta de escravos. Em alguns lugares, os escravos chegavam a 20% do pessoal. O Domesday (não confundir com Doomsday, por favor, ainda que haja correlações involuntárias) foi uma pesquisa realizada em quase toda a Inglaterra e em partes do país de Gales.

2) A Inglaterra era a terra nativa dos Ursos Marrons, que se tornaram extintos ali por volta do século XI. Em épocas mais tardias, da Alta Idade Média, ursos eram importados para a ilha para manter a tradição da caça.

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3) Ainda na Inglaterra, não era incomum que animais fossem postos em julgamento por supostos crimes. Bichos podiam ser condenados à morte se considerados culpados.

4) Uma das receitas de prevenção contra a peste negra era beber uma taça de cerveja misturada com a casca esmagada de ovos cozidos, folhas e pétalas de mal-me-quer e melaço. Não funcionava (óbvio).

5) Na Inglaterra, os sobrenomes só foram introduzidos em 1066. Até então, os nascidos ganhavam apenas um nome. Quando os sobrenomes foram adotados, eram inicialmente apelidos. John Red, por exemplo, se o John em questão fosse ruivo. E sobrenomes mudavam ao longo da vida da pessoa. O mesmo John Red poderia metamorfosear-se para John Bald (ou Ball, “careca” em inglês medieval). Uma espécie de numerologia às avessas, onde o sentido seguia a imagem e não o contrário. Com o tempo os filhos começaram a adotar os apelidos dos pais, dando início aos sobrenomes como são hoje.

6) Na noite de 18 de junho de 1178, cinco jovens monges de Canterbury estavam sentados ao ar livre observando o céu quando presenciaram algo espantoso. Suas crônicas relatam que observaram chamas e erupções surgirem diversas vezes da ponta superior de uma brilhante lua crescente, e movimentos semelhantes aos de serpentes ao longo da superfície lunar. Cientistas modernos acreditam que um enorme meteorito teria explodido na atmosfera terrestre, na linha de visão da Lua; ou que os monges teriam presenciado algo caindo na própria Lua, o que teria criado a enorme cratera hoje conhecida como Giordano Bruno, em homenagem ao astrônomo (morto pela Igreja, em mais um costume medieval pouco recomendável). Em Game of Thrones, há a lenda de que os ovos de dragão teriam caído do céu. Obscurantismo e cosmos, quando se juntam, sempre geram boas histórias.

7) A “Atenas do Oeste”, a capital moura de Córdoba, na Andalusia, sul da Espanha, tinha por volta do ano 900 uma biblioteca de 400 mil volumes, quilômetros de estradas pavimentadas e uma população de, talvez, meio milhão. Ao norte, Paris e Londres eram ilhas isoladas em uma tentativa de se proteger dos pilhadores vikings.

8) Talvez o pior ou mais absurdo papa tenha sido Otaviano, Conde de Tusculum. Consagrado Papa João XII em 955, Otaviano logo começou a fazer das suas. Em 963, o Sacro Imperador Romano Otto I convocou um concílio para lidar com as acusações sofridas pelo Papa, que teria ordenado um diácono em um estábulo, consagrado um menino de dez anos como bispo de Todi, transformado o Palácio Laterano em um bordel, estuprado peregrinas na Catedral de São Pedro, roubado doações à igreja, brindado ao demônio e pedido a ajuda de Jove, Vênus e outros deuses pagãos  enquanto jogava dados. Foi deposto, mas voltou a ser Papa depois que Otto deixou Roma, matando e mutilando os que haviam se oposto a ele. Em 11 de maio de 964, foi espancado pelo marido de uma de suas amantes, morrendo três dias depois (e felizmente não ressuscitando).

9) No século XI, Robert, o Diabo, pai de William, o Conquistador (o normando que reclamou Londres para si) garantia que uma opala lhe dava poderes mágicos maléficos. Robert também afirmava que era o filho do diabo, que havia comprado os favores sexuais de sua mãe com uma opala.

10) Santos eram as celebridades de então e relíquias sagradas eram tão procuradas que, quando Elizabeth da Hungria, uma mulher religiosa, morreu em 1231, seu corpo foi rapidamente desmembrado por uma turba.

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Santa Elizabeth da Hungria em vitral.

Programa decifra linguagem perdida milenar

Uma rotina de inteligência artificial desvendou segredos que desafiavam arquelogistas há várias décadas. A análise computacional afirma que símbolos com mais de 4 mil anos de idade usados no Vale do Indo representam uma linguagem falada. Linguistas até então achavam que os símbolos eram apenas ilustrações. A escrita do Indo foi utilizada entre 2.600 e 1.900 a.C. na área que hoje compreende o leste do paquistão e o noroeste da Índia. 

Para decifrar o código da linguagem perdida, Rajesh Rao, da Universidade de Washington, alimentou o computador com quatro línguas faladas: sumério antigo, sânscrito, tamil (língua indiana arcaica) e inglês moderno. Ao sistema também foram fornecidas amostras de quatro sistemas comunicacionais não-falados: DNA humano, a linguagem de computador Fortran, sequências de proteínas de bactérias e uma linguagem artificial. O programa então calculou o nível de ordem existente em cada linguagem; as não-faladas eram altamente ordenadas ou totalmente caóticas. As linguagens faladas ficavam em um meio termo.

Via BLDG BLOG.

Visionários

“Máquinas voadoras mais pesadas do que o ar são impossíveis.”
(Lord Kelvin, presidente da Royal Society, 1895)

“Acho que existe no mundo todo um mercado para no máximo cinco computadores.”
(Thomas Watson, chairman da IBM, 1943)

“Não há razão alguma para que uma pessoa queira ter um computador em sua casa.”
(Ken Olsen, presidente e fundador da Digital Equipment, 1977)

“O telefone tem problemas demais para ser seriamente considerado um meio de comunicação. O aparelho não tem valor algum para nós.”
(memorando interno da Western Union, 1876)

“Aviões são brinquedos interessantes mas sem valor militar.”
(Marechal Ferdinand Foch, comandante francês das Forças Aliadas durante o final da Primeira Guerra Mundial, 1918)

“Tudo que pode ser inventado já foi inventado.”
(Charles H. Duell, chefe do Escritório Americano de Patentes, 1899)

E a minha favorita:

“Quem diabos quer ouvir um ator falando?”
(H. M. Warner, um dos Warner Brothers, 1927)

Get a Job

O Channel 4 lista aqui Os Piores Trabalhos da História, dividido em épocas (Antiga, Medieval, etc). Coisas inacreditáveis que alguns pobres diabos tiveram de fazer para sobreviver.

Vira, Vira, Vira

The Book of Were-Wolves, de 1865, está inteiro no link aí ao lado. Uma compilação de menções e “visões” de lobisomens desde a Grécia Antiga até a Europa do século XIX.

E este site quer provar que existem documentos que provam que Jesus foi enterrado em uma obscura vila do Japão (!).

Batata

Conchas

Cientistas descobriram em uma caverna na África do Sul os mais antigos exemplares de “joalheria” conhecidos: conchas perfuradas, que eram provavelmente usadas como colares há 75 mil anos.

Além de serem as jóias mais antigas conhecidas, as conchas também são exemplo de um dos primeiros traços de pensamento abstrato no homem primitivo. E o ne´gócio deu trabalho: as conchas, do tamanho de ervilhas, eram extraídas de um pequeno molusco e os rios mais próximos estavam a 20 km de distância da caverna.

Cliquem aqui para ver mais detalhes e ótimas fotos dos colares de conchas.

Os primitivos usavam bijuterias, os egípcios se maquiavam; o homem (do sexo masculino) talvez tenha ficado mais e mais rude e tosco com o passar dos séculos e não o contrário (claro, em determinados aspectos).

Jack, o Estripador, Revelado?

Essa eu não vi chegando. A escritora americana Patricia Cornwell, milionária autora de livros policiais, resolveu investigar o mistério de Jack, o Estripador utilizando técnicas de DNA e chegou a uma conclusão surpreendente: o assassino é o pintor impressionista alemão Walter Sickert. Patricia expõe suas teorias no livro Retrato de Um Assassino – Jack, o Estripador – Caso Encerrado, lançado no ano passado e que chega agora ao Brasil pela Cia. das Letras.
Entre as evidências reunidas pela escritora e fundadora do Instituto de Ciência e Medicina Forense da Virginia, figuram:
1) Um teste de DNA mitocondrial numa carta enviada por Sickert, que contém o mesmo DNA das cartas que Jack enviava à polícia.
2) O domínio de técnicas de pintura demonstrado por Jack em suas cartas (e uma vez o estripador usou o mesmo pseudônimo que Sickert usava como ator: Mr. Nobody).
3) Os desenhos feitos por Sickert no livro de hóspedes da Pensão Lizard, na Cornualha, onde vivia, que batem com os desenhos que Jack fazia em suas cartas.
4) As iniciais que Sickert usava em sua correspondência, que eram grafadas muitas vezes de forma idêntica às de Jack.

Não sei ainda se isso “encerra” o caso de Jack (e, se o faz, é de maneira surpreendente), mas é interessante. Vejam aqui uma entrevista com a autora.