The small tribe

Warren Ellis, que acompanho desde o final dos anos 90 e tem escrito cada vez melhor, compartilha ótimos insights sobre os rumos sociais que a Internet tomou e seu respectivo - e necessário - backlash. Também tenho adorado newsletters:

"I personally wish I could start nominating or commanding people to start newsletters. This is the part of internet2015 I have really enjoyed: people writing open letters. Newsletters are on their way to being professionalised the way blogs were, as I think I've said, and, who knows, maybe 2016 will be significantly less fun in the newsletter space.  But there are lots of little bits of joy out there right now.

I don't get much email. I like newsletters."

E esta parte que adoro:

"in a more fractionated and less operable digital-social world, maybe newslettering is the fallback into a functional tribal living. People used to complain about "walled garden" technologies that weren't on the open web, but, ultimately, people like walled gardens. Choosing to tend a small communal garden is preferable to being pissed on for daring to walk outside, or letting just anybody in and dealing with them pouring flat lager on your bushes and shitting in the cabbages."

Extraído da genial newsletter de Ellis, Orbital Operations.

Posted on October 26, 2015 .

"Death came in like thunder"

Parece que ambient é a trilha do quase morte. Mais epecificamente, cientistas descobriram que esta faixa de ambient drone, de um músico grego de new age dos anos 70, é a que mais se aproxima do som que teria sido ouvido pelas pessoas que passaram pela experiência de quase morte e penetrado naquele tal túnel de luz etc e tal.

Escutem:

Perdão pela imagem.

Bem, de qualquer forma, me pareceu irônico (e, se eu fosse paranoico e pessimista, teria achado também alarmante) que a ambient music tenha ganho força redobrada justamente agora, na esquisitíssima década de 10.

Traduzi hoje 4431 palavras, cerca de nove páginas. É mais ou menos a média diária com a qual me sinto confortável, em termos de tradução, para este livro e tendo que compartilhar as traduções com meu day job diário. Muito menos do que isso é pouco e mais do que isso fica mais cansativo do que eu gostaria.

Mais de 30 pessoas demitidas do jornal O Dia, onde trabalhei entre 1999 e 2001, como sub-editor do caderno semanal de informática e tecnologia (e onde mantive ainda uma coluna sobre games). mais uma da série de demissões em massa recentes que têm assolado o jornalismo impresso. Entendo que o jornalismo impresso não tenha meios de competir com o imediatismo da Internet, mas continua sendo algo triste, ainda que o taoista em mim ache tudo isso normal. Mais triste ainda por ser no Brasil, onde os motivos da crise passam ainda por analfabetismo funcional, crença na capacidade do Facebook de mostrar notícias e multiplicação de blogs escritos por pessoas que não sabem concatenar as frases com seus respectivos e supostos (e bota supostos nisso) raciocínios.

De certa forma me deu um alívio por ter sido demitido ainda em 2001, quando o jornalismo ainda existia, em seus estertores. Fiquei amargos, longos e traumáticos cinco anos e meio fazendo frilas mal pagos/procurado emprego, mas foi o "estímulo" final para que eu abandonasse de vez essa profissão, da qual nunca realmente gostei. Tendo acontecido em 2001, fez com que eu tivesse tempo para virar funcionário público, ter estabilidade e escapar dessas demissões recentes, muito mais avassaladoras e sem luz no fim do túnel, pois agora nem há para onde correr.

OUVINDO: The Handsome Family.

LENDO: O livro que estou traduzindo.

VENDO: O ocasional episódio (que dá nome a este post) da ótima série policial Longmire.

Posted on August 19, 2015 and filed under Personal.

"good morning, Dr. Chandra"

Photo by Alex mandarino - Buenos Aires, 2007

Photo by Alex mandarino - Buenos Aires, 2007

Uma das leituras rápidas mais prazerosas que venho tenho nos últimos meses é a newsletter de Warren Ellis, Orbital Operations. Seu blog matinal Morning, Computer também funciona como uma quase newsletter, via feed. Tenho grande carinho pelo modelo newsletter, que parece estar voltando. Além de Ellis, tenho assinado novas newsletters de diversos outros escritores, quadrinistas, artistas, digeratis, tarólogos et al, a maioria muito interessantes. Agora é a vez do Tor.com lançar a sua, abordando novos lançamentos e sua iniciativa de lançar "novelas e romances curtos".

As duas tendências, aliás, seguem motivações parecidas, ainda que partindo de pontos opostos. A volta do modelo newsletter reflete um cansaço do constante zapping involuntário de Facebitter e Twook, um desejo de imergir por alguns minutos em alguma coisa que VOCÊ escolheu e não é imposta de cima para baixo por um algoritmo maluco que apenas emula - e mal - a sua escolha. Uma fuga do extremo horizontalismo das redes sociais, que abarcam a tudo e a todos, mas com a profundidade de uma folha de papel manteiga.

Já a aposta (na verdade também uma volta) em novelas e romances curtos reflete um esforço por descobrir brechas temporais para a leitura de ficção em realidades cotidianas cada vez mais robotizadas.

Nunca vi, aliás, tantas matérias apontando os malefícios do trabalho. Defensores do trabalho em pé dizem que passar horas seguidas sentado é tão prejudicial à saúde quanto ser fumante. E aí defendem pausas para que se fique de pé e mesas para trabalho em pé (que, por bem intencionadas que sejam, me lembram as rodinhas de hamsters).

Da mesma forma, diversos artigos falam dos malefícios da falta de sono: obesidade, perda de tesão, memória, etc. E, claro, as pessoas ficam mais acordadas porque estão trabalhando mais em casa ou porque estão usando o tempo de sono para ter alguma migalha de leisure time. Tudo muito bom e bonito, mas nunca se aponta o x da questão, nunca se estende o leisure finger (epa) na direção da ferida escancarada: foda-se o trabalho, todos deveríamos trabalhar MENOS.

Seremos vistos no futuro como a geração das trevas do trabalho.

OUVINDO: Stateside Sessions: Drum & Bass Vol. 1 - Mixed by Sage - Excelente compilação de jungle pesadão.

LENDO: O ótimo site literaurapolicial.com

Posted on August 13, 2015 and filed under Personal.

"of the poison creosote"

Ontem andando do trabalho para casa consegui amarrar duas linhas soltas da cena final do Tarô, que me incomodavam há anos. Andar sempre faz meu cérebro ter ideias, como se o inconsciente fosse movido a corda. Fiquei feliz com as ideias e por pouco esqueci de anotar assim que cheguei em casa. Felizmente lembrei e já estão nas notas do romance. Estou pensando em passar a usar algum aplicativo de gravação de voz do iPhone para anotar essas ideias enquanto ando. O problema depois vai ser lembrar que elas estão ali, em áudio, e não em um .txt ou alguma parte do Scrivener. O iOS já deveria ter um sistema de arquivos mais aberto e compreensível a essa altura.

Achei que o iCloud Drive fosse resolver isso, mas é apenas mais um serviço da Apple que deixa a desejar, como o iTunes Match, Apple Music, iCloud Mail e tantos outros. Se todos funcionassem azeitados como o Messages e o FaceTime seria ótimo. Mas a Apple sempre foi deficitária nos serviços online, que parecem apenas um hobby para eles, e além disso vem deixando cada vez mais bugs infestarem seus sistemas operacionais. Já vi usuários antigos de OSX gritarem que parece Windows mais de uma vez este mês, o que mostra o quão baixo o Yosemite chegou. Abre o olho, Apple.

Mas, enfim: feliz por ter amarrado de forma satisfatória dois ou três subplots do Tarô que eu ainda achava meio frouxos. Adoro caminhar, se morasse em um local mais verde eu certamente teria mais ideias andando e passeando. Vamos chegar lá.

Ouvindo: a trilha sonora da primeira temporada de True Detective.

Lendo: os vários novos sites que adicionei ao Feedly, em minha peregrinação para fora do Facebook (que site deprê).

Vista de uma catarata a partir da Mist Trail, no Yosemite real. Foto © David Fulmer, licensed Creative Commons Attribution.

Vista de uma catarata a partir da Mist Trail, no Yosemite real. Foto © David Fulmer, licensed Creative Commons Attribution.


Posted on August 5, 2015 and filed under Personal.

Literatura nada barata

"The Brazilian writer’s Complete Stories reveals she was a genius on the level of Nabokov", diz Jeff VanderMeer da genial Clarice Lispector. VanderMeer, por sua vez um autor também brilhante, reconhece, mesmo que através de traduções para o inglês, o brilhantismo de Clarice. Enquanto isso, no Brasil, nossos "autores" de fantasia defendem a falta de qualidade literária e a descrição de cenas de RPGs.

Aliás, tornou-se um tropo da ignorância entre nossos "autores" de fantasia atacar a literatura e defender o descerebralismo. Toda semana um deles aparece no FB atacando Tolkien. Há muito mais do que mera ironia no fato de Tolkien ser atacado como "mau escritor" ou até como "péssimo worldbuilder" por figuras que cometem livros decalcados em Dungeons & Dragons. Com a palavra, Gary Gygax, criador do D&D e, por conseguinte, do RPG como o conhecemos:

"Como Tolkien influenciou o jogo D&D? Opa, muito, claro. Praticamente todos os jogadores eram grandes fãs de JRRT e eles insistiram que eu colocasse no jogo o máximo possível de influência de Tolkien. Qualquer um que se lembre do jogo D&D original saberá que ele tinha Balrogs, Ents, e Hobbits. Depois foram removidos e substituídos por coisas novas, não-JRRT, coisas substitutas como os demônios Balor, Treants e Halflings. Na verdade, quem pode duvidar da excelência da escrita de Tolkien? É claro que teve um forte impacto nos jogos D&D."

Prefiro acreditar na opinião e no gosto crítico do criador de D&D do que em seus jogadores tardios, gente que confunde descerebralismo com entretenimento. Diversão não precisa ser cretina.

Ouvindo: There Were Seven, The Herbaliser.

 

 

Posted on August 3, 2015 and filed under Personal.