Sherlock Holmes – Lançamento

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Acontece hoje, das 19h às 22h, na Blooks Livraria, o lançamento da coletânea de contos Sherlock Holmes – Aventuras Secretas, da editora Draco. Organizada por Carlos Orsi e Marcelo Galvão, a coletânea apresenta um conto de minha autoria, A Aventura do penhasco dos Suicidas, além de histórias dos dois organizadores e de Octavio Aragão, Lúcio Manfredi, Cirilo S. Lemos, Rosana Rios e Romeu Martins. Uma das vantagens do sistema de direitos autorais é justamente o elemento que é mais atacado hoje pelas corporações: ele expira setenta anos após a morte do autor (ou ao menos assim o deveria). Isso permitiu a criação desta coletânea, já que Holmes e seu universo hoje são de domínio público.

Após muitos anos trabalhando para jornais e revistas, publicando artigos, críticas, colunas e entrevistas, este conto é a minha estreia em papel publicando ficção. sempre gostei de histórias que retratam finais de era, aquelas onde o protagonista ou o ambiente que o personaliza finalmente dão seus últimos suspiros. Foi assim com o velho oeste, retratado em seus estertores de glória no maravilhoso Unforgiven, de Clint Eastwood, e em várias outras histórias que aprecio. Tendo pela frente o desafio de escrever logo Sherlock Holmes, pensei de cara em mostrá-lo no fim da vida, aposentado, recluso, talvez um pouco gagá. Logo me pus à frente a tarefa de pesquisar se Conan Doyle tinha ou não imaginado algum fim para o personagem (não contando o gimmick das Cataratas de Reichenbach). Não, não havia. Ele chegou a pensar em um final para Watson, mas não para Holmes. Logo, ele poderia muito bem ter vivido até os 90 anos, pelo menos, e isso me permitiria sair da era vitoriana e abraçar o ambiente onde se passam meus romances policiais favoritos: os anos 40 e, a reboque, a Segunda Guerra.

Mas eis que descubro que Conan Doyle havia chegado a descrever a cidade que Holmes havia escolhido para sua aposentadoria. Em trechos de alguns contos e textos de seu diário, Doyle descrevia a cidade, a geografia, o ambiente e os arredores. Claro que fãs mais obcecados já haviam lido tudo sobre isso e deduzido (elementar?) que cidade seria. A única que preenchia todos os requisitos era uma certa Eastbourne, no condado de Sussex, costa sul da Inglaterra. Hum, e descubro que nessa cidade existe o Beachy Head, penhasco íngreme e alto, de triste fama por ser um ponto escolhido por suicidas. O tabuleiro estava estendido à minha frente; faltavam os jogadores e as regras do jogo.

As regras extraí de Conan Doyle e, em boa parte, de Agatha Christie. Ainda que não seja brilhante do ponto de vista estilístico, Christie me ensinou a importância da caracterização psicológica no romance policial. E seus personagens me eram mais próximos do que os vitorianos de Doyle. Surge aí A Aventura do Penhasco dos Suicidas, tentativa de criar um misto de Doyle, Christie e Chandler, que espero não tenha virado uma salada. Foi divertido escrever este conto. Agradeço ao Octavio Aragão, ao Galvão e ao Orsi pelo convite (agradeço ao Orsi ainda pelas sugestões de mudança do tom da cena final do conto) e ao Erick Sama, editor da Draco, por minha participação nesta empreitada. E agradeço à Leandra pela leitura prévia e dicas imprescindíveis para lapidar a narrativa.

O livro pode ser comprado no site da Draco, na Livraria da Travessa ou na Cultura, entre outras.

Leia no blog da revista Carta Capital uma resenha da coletânea, de autoria de Antonio Luiz M. C. Costa.

O lançamento e noite de autógrafos acontecem hoje, das 19h às 22h, na Blooks Livraria, na galeria do Unibanco Arteplex, na Praia de Botafogo, 316.

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Alex Mandarino

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