Agatha Christie em ordem cronológica

Longe de possuir o rigor estilístico urbano de um James Ellroy ou um Ross MacDonald, o lirismo de um Dennis Lehane ou um Georges Simenon e a extensão literária de um G.K. Chesterton, Agatha Christie, ainda assim, sustenta um papel único na história do romance de mistério. Sua força reside no ambiente, na caracterização psicológica sutil, que paradoxalmente se torna completa e complexa pelo uso de arquétipos de personalidade quase clichês que ela, mais do que ninguém, sabe subverter à perfeição.

Mas seu golpe de mestre são os momentos de revelação, não só do mistério final ou do inexorável whodunnit, mas também de pequenos vislumbres de coisas estranhamente fora do lugar (sim, ela é perfeita no uso de itálicos, essa sutil arma branca do maneirismo): um som indecifrável, uma porta aberta que deveria estar trancada, uma taça na mesa errada, um jarro quebrado. Coisas menores, mas aí está a força do impacto de sua estranheza, do esquisito no cotidiano.

Contemporânea de mestres como o já citado Chesterton (que transcende o policial e todos os outros gêneros aos quais parecia sobrescrever) e Dorothy L. Sayers, Dame Agatha legou uma obra pra lá de extensa, com mais de 80 livros, entre romances e contos. Histórias que merecerão resenhas curtas aqui neste blog, em ordem cronológica de publicação e continuidade, sempre sem spoilers. Um mero brinde de cianureto a uma das primeiras autoras que li, ainda criança, e que me fez enveredar pelos becos, praias, cruzeiros, mansões e charnecas da literatura policial. Ma foi!

Posted in Literatura and tagged .

Alex Mandarino

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *