Histórias de uma l.a. noire

A sensacional Rockstar Games mais uma vez acerta em cheio. O vindouro game de investigação L.A. Noire, com data de lançamento marcada para o dia 17 deste mês de maio, será acompanhado pela edição de uma série de eBooks contendo histórias policiais escritas por autores de renome. Nada menos do que nomes como Joyce Carol Oates, Lawrence Block e Joe R. Lansdale.

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Os contos serão disponibilizados aos poucos em parceria entre a Rockstar e a editora Mulholland Books, na base de uma história por semana. Os eBooks com os contos poderão ser baixados em formato PDF ou lidos online no site da Rockstar.

Os contos expandem o mundo já enormemente imersivo de L.A. Noire e, o melhor, poderão ser baixados e lidos de graça. São as histórias: The Girl, por Megan Abbott; What’s In a Name?, por Jonathan Santlofer; Hell of an Affair, por Duane Swierczynski; Black Dahlia & White Rose, por Joyce Carol Oates (!); See the Woman, por Lawrence Block; Naked Angel, por Joe R. Lansdale; Postwar Boom, por Andrew Vachss; e School for Murder, por Francine Prose.

Uma excelente oportunidade para os fãs de noir e contos policiais em geral. Não é a primeira vez que a Rockstar faz a ponte entre games e outros veículos: L.A. Noire teve, antes de seu lançamento, um de seus episódios exibidos no festival de cinema independente de Tribeca, obtendo aplausos gerais; Red Dead Redemption e a série GTA (principalmente GTA 3, Vice City e GTA 4) revolucionaram o storytelling e a narrativa nos games, incluindo o uso criativo de estações de rádio e setlists para pontuar o clima da história e a ambientação.

Em 1999, quando li sobre o então vindouro GTA3, percebi claramente que o game seria um divisor de águas. O esquema open world, até então inédito, além de elementos emprestados de gêneros como ação, adventure, RPG e até jogos de plataforma, constituíam um conjunto inédito, fantasticamente coeso e com a dose exata e desejada de pretensão artística e narrativa (pretensão que foi, como vimos após a revolução GTA ter chegado aos PCs e consoles, mais do que recompensadora para a Rockstar e para os gamers; quem já dirigiu um carro roubado debaixo de uma chuva vespertina, ao som de drum’n’bass no rádio do carro, parou e admirou o arco-íris que se formava no horizonte de arranha-céus sabe do que estou falando). Na época eu era sub-editor e colunista de games do jornal O Dia, aqui no Rio, e apostei forte no GTA 3. Meu chefe na época, um janota que só compreendia games de estratégia militaresca, não enxergou nada de novo no que o jogo prometia. Nas imortais palavras de um correlato urbano do GTA morador de qualquer morro do Rio, “perdeu, Playboy”.

Se GTA trouxe open world, liberdade de escolha, tempo real e uso de música e urbanismo como trunfos narrativos, L.A. Noire promete ir ainda mais longe e mesclar mundo aberto e opções investigativas, role-playing whodunnit e sense of wonder movido pelo wonder mais nonsense e primal de todos: a nostalgia do que não vivemos, o anseio pelo clichê bem realizado, arquetípico. L.A. Noire, assim como GTA 3 fez dez (!!) anos atrás, vai mudar o que são os games.

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Alex Mandarino

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