Ada Lovelace Day: Ada JPG vira Ada WAV

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Ada Lovelace foi a precursora de tantas coisas que é inusitado que ela não tenha mais datas dedicadas a ela. Primeira programadora da história, Ada burlou os traumas herdados por não ter conhecido o pai – o poeta Lord Byron – movendo seus pensamentos do hemisfério direito para o esquerdo. Ao invés da poesia do pai, transitou pela matemática e pelo mundo lógico que permeavam a vida de sua mãe. Mas métrica e números andam sempre juntos e não tardou para que a poesia alcançasse Ada, ainda que por vias mecânicas. Lovelace foi a primeira pessoa a postular que computadores (na época chamados apenas de “máquinas analíticas”) seriam capazes de ajudar na criação de música, arte e artefatos estéticos.

 

A existência dessa genial e única pioneira é comemorada no dia 24 de março, o Ada Lovelace Day. Nesse dia, a relação entre mulheres e tecnologia é comemorada em blogs, sites e locais físicos onde esta confluência tecno-feminina acontece. Para participar dessa comemoração, eu e minha namorada, Leandra Lambert (do projeto de música eletrônica Voz Del Fuego) criamos três peças de arte sonora em homenagem a Ada Lovelace. As peças são a transformação de imagens em sons.

 

Para isso, coletamos diversas imagens relacionadas ao universo de Ada, como retratos seus, fotos da máquina analítica de Charles Babbage, cartas, algoritmos, trechos da linguagem de programação ADA, quadros de sua mãe e diversos outros elementos pictóricos. Estas imagens foram então convertidas em sons, usando um software específico para isso. A partir daí, criamos peças sonoras usando única e exclusivamente os fragmentos de áudio obtidos com a conversão da Ada imagética para a Ada auditiva. Estes fragmentos foram organizados e sequenciados em outro programa.

 

Linhas sonoras, ambientações drone e até mesmo peças rítmicas foram criadas com os arquivos de áudio resultantes das imagens coletadas. Os três trabalhos se chamam Droning By Numbers, Lovelace e Analytical Engine e podem ser escutados no site Blanktape, ligado ao grupo BR.Ada, que fez a curadoria da mostra virtual. É só clicar aqui e ir direto para a página. Ou clicar aqui e ir conferindo todos os trabalhos participantes (se ficar confuso, é só clicar no símbolo “+” no fim do texto e, na página seguinte, clicar na seta de navegação que está ao lado da palavra “Intro”, no topo da página). Ada Lovelace merece sua visita. Sem ela, você não teria essa Internet aí na sua frente.

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Alex Mandarino