Quadrinhos da Semana (22/09) – Parte 2

CONAN 8
Dark Horse

Cary Nord está fora desta edição, para poder adiantar as edições seguintes, mas o artista Greg Ruth mostra ser uma boa escolha.Kurt Busiek aproveita a mudança temporária de desenhista para contar uma história do passado de Conan. Mais especificamente, o nascimento do personagem, que acontece em pleno campo de batalha, durante uma sangrenta luta entre os cimérios e os vanires. O conto cumpre muito bem sua função, que é mostrar por que Conan viria a se tornar o bárbaro que mais tarde tomaria a Era Hiboriana de assalto. Mas o mais legal nesta nova série do Conan criada por Kurt Busiek é que ela tem atrativos mais do que suficientes para garantir uma boa leitura mesmo para quem nunca foi fã do personagem.

Conan mostra a cada edição que é uma excelente série de fantasia e sword-and-sorcering, mesclando os elementos tradicionais dos pulps de Robert E. Howard com uma certa roupagem épica mais moderna, esperta e adequadamente planejada para atrair os fãs de sagas como O Senhor dos Anéis. E Busiek é um dos mestres modernos em criação de épicos. Poucos escritores conseguem mesclar tão bem ação, caracterização, sense of wonder e ritmo narrativo, o que faz deste Conan um dos produtos mais bem acabados de toda a longa história do personagem nos quadrinhos.

O estilo de Greg Ruth é bastante diferente do que os fãs brasileiros de Conan estão acostumados. Ao invés do nanquim rigoroso e detalhista de figuras como John Buscema e Alfredo Alcala, temos tintas e aquarelas fluidas e etéreas, que conspiram para que a história ganhe climas ao mesmo tempo sombrios, fantasiosos e épicos. Ruth, uma espécie de mistura de Frank Frazetta e Kent Williams, realmente não nos deixa sentir falta do traço de Cary Nord nesta edição. No fim das contas, uma série cada vez mais sólida e competente, que em muitas passagens soa mais como um fumetti do que um quadrinho americano.
Muito Legal (9 / 10)

SLEEPER – SEASON TWO 4
Wildstorm

A “segunda temporada” de Sleeper está demorando a engrenar. É difícil dizer o que está errado com esta série. Sean Phillips está criando aqui uma das melhores artes de sua carreira e o texto de Ed Brubaker está competente como sempre, com bons diálogos. O principal problema é que… a história é chata. Sleeper quer ser um conto de espionagem, onde um sujeito acaba preso na própria operação de infiltração e é abandonado peloa sua agência. Mas se passa no universo Wildstorm, o que garante a ocasional aparição de figuras superpoderosas. Ainda que estas aparições não tenham importância para a história, acabam desviando a atenção do leitor e retirando de cena sua impressão de realismo bem-construído. Nesta edição, alienígenas também entram em cena, o que dá á coisa toda um gosto ainda mais indigesto. Eu adoro saladas temáticas, mas elas só funcionam quando não levam seu realismo tão a sério – o que Sleeper faz, e bastante.

Para ser cruel, o grande mérito de Sleeper até agora tem sido unicamente o fato de ser uma série de outro gênero que não super-heróis. É ótimo termos uma série intrincada de espionagem, com várias mudanças de plot, mas a leitura de Sleeper é chata e arrastada. É difícil se importar com estes personagens e o que acontece com eles. Enfim, tem faltado um editor melhor. Nas mãos de um editor profissional, como Archie Goodwin, Sleeper estaria brilhando. Da forma como está, mal tem conseguido manter o meu interesse. O que é uma pena, já que dá para perceber que as intenções de Brubaker e Phillips são as melhores e que o grau de investimento deles nesta revista é imenso. Mas falta aquela fagulha de brilhantismo que faz uma série de espionagem ser catapultada para algo mais do que meras reviravoltas de plot. É bem escrito, bem desenhado, mas não tem alma.
Só Para Fãs (5 / 10)

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Alex Mandarino

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