Quadrinhos da Semana (22/09) – Parte 1

OK, tá na hora de postar as resenhas dos quadrinhos da semana. Lembrando que, como sempre, são os lançamentos da última quarta-feira, dia 22 de setembro. Sem mais demoras, vamos lá:

ASTONISHING X-MEN 5
Marvel
De todos os personagens e franquias da Marvel, os X-Men são os mais curiosos (no bom e no mau sentido). Freaks demais para os anos 60 (sua primeira série foi cancelada em 1969 por falta de vendas), só encontraram a “voz” e o público certos no final dos anos 70, na clássica fase de Chris Claremont e John Byrne. Mas, após 1988 ou algo assim, praticamente todas as histórias da série passaram a ser um lixo absoluto, graças ao efeito colateral de uma inesperada mega-popularidade. Durante pouco mais de uma década, as histórias dos personagens mutantes da Marvel foram simplesmente ilegíveis, amostra grátis de como o “grim’n’gritty” mal-aplicado e mal-escrito (para não mencionar mal-desenhado) pode transformar boas idéias em lixo.

O elemento cool presente na fase original de Stan Lee e Jack Kirby e na primeira fase de Chris Claremont no título (no período onde os mutantes foram desenhados por Dave Cockrum, John Byrne, John Romita Jr. e Paul Smith) simplesmente havia evaporado em prol de uma “angústia” e de um “tom sombrio” que simplesmente eram insuportáveis e infantis. Mas isso mudou no início do século XXI, graças ao esforço de dois caras: Grant Morrison e, em menor grau, Bryan Singer. Dar sequência ao que Morrison fez em New X-Men era tarefa mais do que árdua. Diabos, Morrison até mesmo imaginou um motivo para tantos anos de péssimas histórias e batalhas sem sentido, no arco final de sua fase. Mas, nesta edição número 5, o roteirista Joss Whedon mostra ter sido uma escolha acertada.

Eu tinha minhas dúvidas. Um monte de gente idolatrava o cara graças ao seriado Buffy, mas nunca consegui ver aquilo (aquela atriz principal tem o mesmo carisma de um marisco). Com isso, Astonishing X-Men foi a primeira criação do cara com que travei contato. E, bom, ele tem se saído bastante bem, conseguindo uma mescla dos elementos que faziam a fase clássica de Claremont e Byrne funcionar com toques da maluquice deixada por Morrison. Ao menos, ao contrário do que Claremont e Chuck Austen têm demonstrado nos outros títulos mutantes (que não resenho por aqui porque não consigo ler aquelas tralhas), ele parece ter LIDO a fase de Grant Morrison. Com exceção da volta dos uniformes, que foi imposta pelo departamento de marketing (e que não me incomoda tanto), Whedon não tentou desfazer nada do que foi introduzido por Morrison. Pelo contrário: Emma Frost está muito bem escrita, com bons diálogos, e seu relacionamento com Scott Summers permanece o mesmo. Figuras como as Stepford Cuckoos continuam aparecendo. Enfim, pontos para Whedon por isso.

Na edição em questão, os X-Men estão na pior, abatidos por um grupo de cientistas que simplesmente descobriu a “cura” para a mutação. Enfim, uma idéia simples mas que nunca havia sido utilizada e que Whedon tem aproveitado para boas cenas, como a que mostra um dos alunos da Escola de Xavier que, obrigado a tomar o tal soro a força, perde seus poderes e volta a ser “apenas” humano. Mas o grande momento desse número é mesmo, claro, a volta de Colossus. Normalmente eu abomino personagens que voltam da morte, mas neste caso a morte original havia sido tão completamente estúpida que a “ressurreição” se justifica. E Whedon lida bem com toda a situação, de uma forma competente. Os desenhos de John Cassaday são sensacionais como sempre, embora longe do brilhantismo que ele demonstrou em Planetary. Cassaday tem uma certa dificuldade em desenhar personagens ou situações não tão realistas e suas renderizações de figuras como o Fera ou Colossus mostram um pouco essa deficiência. De qualquer forma, é uma arte muito, muito acima da média da Marvel e que se torna ainda mais especial com as cores de Laura Martin, sem dúvida a melhor colorista do quadrinho americano atual (e que também vem da série Planetary).

Enfim, uma sólida série mutante, que obtêm êxito em mesclar o clássico e a maluquice. E em não soar “depressiva”, chata, sombria e cafona como os X-Men foram ao longo de toda a década de 90.
Muito Legal (8,5 / 10)

AVENGERS 502
Marvel
O arco Chaos chega ao seu terceiro capítulo e… fica ainda mais claro que Brian Bendis não tem a mínima idéia de quem são esses personagens. Confesso que não achei tão péssimos os primeiros dois números, apesar do ritmo estupidamente falho e da caracterização flagrantemente errada de alguns personagens, principalmente de Hank Pym. Mas aqui Bendis FINALMENTE faz o plot avançar e, com isso, apenas mostra todas as falhas não só desse arco mas de toda a idéia por trás de “Disassembled”. Tudo soa estúpido. Diabos, os Vingadores são os caras que enfrentaram a guerra kree-skrull, Thanos e Terminus; eles não fiacm olhando, parados como babacas, quando algo sinistro acontece. Eles estão acostumados com merdas de ordem cósmica e com gente tentando destruir o grupo, a mansão, etc. Após duas edições de bate-papo, onde gente mais do que experiente, como o Capitão América, simplesmente agia como patetas, abismados com a situação em geral, Bendis mostra aqui o ataque de uma armada kree sobre as ruínas da mansão dos Vingadores e o Central Park. Quando isso acontece, praticamente todos os ex-Vingadores estão reunidos em frente à mansão, além das forças da SHIELD. E a forma como eles reagem ao ataque mostra de forma definitiva que Bendis a) não sabe escrever super-grupos e b) não sabe escrever histórias que envolvem superpoderes e ação.

Quando ele sai de seu desfile tradicional de talking heads e diálogos intermináveis cheios de erros de gramática, a coisa fica ainda pior. Apesar da quantidade ridícula de personagens presentes, apenas meia dúzia deles é mostrada participando da ação. Para piorar tudo (atenção, SPOILER), a morte do Gavião Arqueiro é uma das cenas mais ridículas que vi nos últimos anos. Ele é atingido por um raio e, ao que parece, suas costas pegam fogo. Enquanto isso, Capitão América e os outros ficam olhando, paralisados e chocados, sem fazer nada. No final, aparece o Doutor Estranho do nada, dizendo o que todo mundo já sabia: que os últimos sucessivos ataques aos Vingadores eram obra de algum poder místico (o que abre espaço para que o grande vilão seja a Feiticeira Escarlate, pirada). Para piorar tudo, os desenhos de David Finch são horríveis. Um sub-sub-Jim Lee, que desenha todos os personagens com exatamente a mesma cara e expressão o tempo todo. E quem teve a péssima idéia de usar uma paleta avermelhada de cores simplesmente não tem noção. Você tem a sensação de estar lendo a revista atrás de um filtro vermelho e isso incomoda como o diabo.

As duas primeiras edições me deixaram em compasso de espera, mas esta mostra de vez que Disassembled é uma péssima idéia e, pior, uma péssima idéia extremamente mal-executada. Em um ano tudo isso será desfeito e, neste caso, as ressurreições e retcons serão mais do que bem-vindos. O que mais espanta em tudo isso é a incompetência de Bendis para escrever esses personagens. Não por acaso, o único que age como deveria em toda a história é o Homem-Aranha, que já é escrito por Bendis. Todos os outros se comportam e falam como clones estúpidos dos originais. A história parece ser motivada apenas por táticas de choque e mortes desnecessárias, tudo para que Bendis possa substituir os Vingadores pelos únicos personagens que ele consegue escrever: Homem-Aranha, Jessica Drew, Wolverine e Luke Cage. Realmente lamentável.
Que Meleca, Hein? (1 / 10)

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Alex Mandarino

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