Quadrinhos da Semana (15/09) – Parte 5

MAN-THING 3 (de 3)
Marvel
Essa minissérie só existe para promover o futuro filme do Homem-Coisa, que está em fase de pós-produção e montagem. Não sei se faz muito sentido, ainda mais agora que a Marvel anunciou que talvez o filme só saia no mercado direct-to-video. Bem, mas é uma chance de ver qual é a do Hans Rodionoff, que é o roteirista e diretor do filme. Aqui, ele escreve o roteiro para o traço sempre ótimo de Kyle Hotz. É Hotz, claro, quem consegue manter o interesse pela história. Seu desenho, influenciado por Kelley Jones, tece homenagens a Mike Ploog, clássico desenhista da série inicial do Man-Thing, nos anos 70 (alguns personagens coadjuvantes daquela fase aparecem em quadros na parede em algumas cenas, uma boa homenagem). Bom, desenhos garantidos, mas e a história?

Não é que Rodionoff seja um escritor ruim, pelo contrário. Mas ele erra a mão aqui, principalmente em relação à abordagem. Se o Homem-Coisa fosse um personagem novo, totalmente desconhecido, seu approach “filme de horror” teria funcionado. Rodionoff sabe criar clima, apesar de cair no erro da leeeeennntiddããããooo tão comum nessa maldita era de “descompressão”. Como a série tem apenas três edições, isso não se torna muito grave. Mas a opção de Rodionoff de focar a história em um humano que investiga o Homem-Coisa é meio mala. O monstro só aparece nesta edição final, após duas revistas inteiras do personagem humano principal perambulando pelo pântano e por uma cidadezinha no cu da Louisiana. Enfim, teria funcionado se nós já não conhecêssemos o Homem-Coisa, mas o problema é que, quando ele aparece, não é nenhuma surpresa. E pior, aparece e some após pouco menos de quatro páginas. Muito pouco para uma minissérie própria. A história não se passa na cronologia Marvel normal e serve como prefácio à trama do filme que vem por aí. Seria um bom quadrinho de horror, se Rodionoff tivesse a vantagem de estar lidando com um conceito inédito e um monstro realmente misterioso, não um que todo mundo já viu antes. É como o filme Alien – o *} Passageiro, só que sem a surpresa de não saber como é o monstro.

Enfim, faltou Man-Thing (no bom sentido). Os desenhos de Kyle Hotz, sombrios, mescla de clássico e moderno, salvam a situação.
Tá, é bacana (6 / 10)

STRANGE 1
Marvel Knights
J. Michael Straczinsky, o mesmo que atualmente escreve a revista do Homem-Aranha (e famoso por sua série de TV Babylon 5) reconta aqui a origem do Doutor Estranho, provavelmente tendo em vista uma futura nova revista mensal do personagem. Bem, não é que as mudanças propostas por Straczinsky sejam ruins, mas é que… Elas não são muito diferentes da versão original. Straczinsky troca alhos por bugalhos e, no final, você fica se perguntando se na prática não é a mesma coisa ainda. Stephen Strange tem uma das melhores origens do universo Marvel e Straczinsky tenta amainar justamente um dos aspectos mais legais: o fato de que Strange era um tremendo filho da puta egoísta e arrogante antes de ir para o Tibete e virar mago. Aqui, Strange alterna momentos de bom-mocismo com lances egoístas, sendo pintado mais como imaturo do que escroto propriamente dito. Vamos ver se isso não sai pela culatra, já que a faceta arrogante de Strange é justamente o que torna sua transformação no maior mago do planeta algo realmente intrigante e interessante.

Mas estamos no início ainda, vamos ver para onde Straczinsky (OK, é a última vez que escrevo esse nome tão mala de ser digitado) leva a série. Como primeiro número não é ruim, mas dá a sensação de que a segunda edição pode transformar tudo numa puta história ou estragar tudo de vez. É esperar pra ver. Ah, Brandon Peterson é péssima escolha para desenhar esta série. O estilo dele parece com o daqueles clones do Jim Lee que a Image paria às dúzias nos anos 90. Ou seja, aquele “realismo” datado e cheio de traços desnecessários que não tem nada a ver com os climas místicos do personagem.
Tá, é bacana (6/10)

Essa semana teve ainda a edição 4 de Identity Crisis, o “mega-crossover” (saco) do ano da DC, onde Brad Meltzer usa e abusa de táticas de choque em substituição ao que chamamos de plot. Mas, após as excrescências que foram as edições 2 e 3, desisti da série. Além do mais, não quero ter que criar um patamar de notas abaixo de zero só para ela.
Na semana que vem, resenhas das coisas que saíram ontem, dia 22: Conan 8, Catwoman 35, a estréia da minissérie de Elric (por Walter Simonson!), Lucifer 54, Plastic Man 10, Astonishing X-Men 5, Avengers 502 (continuando a matança – qual Vingador vai morrer agora? Dã), a primeira edição da nova mini da Black Widow, Mystique 19 e outras coisas. Volta aí.

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Alex Mandarino

2 Comments

  1. Exatamente! E no final, tudo isso é só pra fazer o Estranho parar de usar aquela roupa “Mago do Tivoli Park” dele. Era mais fácil mostrar, em uma página, ele se cansando daquela roupa e indo comprar um sobretudo ou algo assim. Decisões radicais demais para consequências que poderiam ser geradas sem tanta onda.Posted by Alexandre Mandarino at 4:23 Friday October 24, 2004

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