Quadrinhos da Semana (15/09) – Parte 4

IRON MAN 88
Marvel
Iron Man está integrado à saga Disassembled, onde Brian Bendis quer matar quantos Vingadores puder para colocar Luke Cage na equipe. Então, tem aquele clima de “reta final antes do próximo revamp”. Tony Stark está maluco: ameaçou de morte o embaixador latveriano nas Nações Unidas, na frente de todo mundo (vale lembrar que, assim como acontece com o Demolidor, todo mundo sabe agora que Stark é o Homem de Ferro); pagou mico, etc. O escritor Mark Ricketts é tremendamente fraco e não sabe muito bem o que fazer para refletir o que está acontecendo em Avengers. Pra falar a verdade, a culpa não é só dele: toda a saga está desconjuntada e com problemas de continuidade entre os títulos (diabos, a Marvel não sabe mais como manter uma cronologia coesa?).

Após vermos o Homem de Ferro matar a sangue frio todo o board de diretores da Stark Solutions e a ex-namorada de Stark, Rumiko, na edição passada, nesta edição descobrimos que não era Stark atrás da armadura, mas um mané com rusgas anteriores (e adequadamente apresentado em flashback na edição retrasada – dãã). Os desenhos de Tony Harris são surpreendentemente péssimos. Cadê o brilhantismo que esse cara mostrou em Starman? Aqui ele soa posado, artificial, com as cores e posições erradas, diagramação ruim e chata e, pior de tudo: claramente não nasceu para desenhar armaduras de ferro (requisito essencial para esse título). Enfim, matando o tempo enquanto Warren Ellis não chega.
Só para fãs (5 / 10)

MADROX 1 (de 5)
Marvel Knights
OK, vamos reconhecer que Jamie Madrox, o Homem Múltiplo, não é lá a primeira coisa que viria à sua mente em relação a novas minisséries. E, com a recente e ridícula avalanche de títulos mutantes da Marvel, ele passa desapercebido como apenas mais um caça-níquel da franquia X. Nada mais oposto. Peter David está em sua melhor forma aqui e conta com desenhos excelentes do novato Pablo Raimondi. Madrox tem uma certa vantagem sobre os outros mutantes. Além de aparições esporádicas na revista dos X-Men (na fase clássica de Claremont e Byrne e de passagem muito rápida peos New X-Men de Grant Morrison), ele só foi mais explorado justamente na ótima fase de Peter David na extinta série X-Factor. Portanto, ele não tem tralhas e melecas cronológicas agarradas nele e isso abre espaço para que Peter David crie um bom conto… policial.

O uso dos poderes de criação de duplos de Madrox ganha aqui uma ótica inédita e genial. Ele cria duplos e os solta pelo mundo, para que aprendam as coisas mais diversas. Após alguns poucos anos, eles voltam e se mesclam com o corpo do Madrox original, que assim absorve todo o seu conhecimento (destaque para a cena hilária em que um dos duplos retorna vestido de monge budista). Enquanto isso, Madrox se diverte em seu novo escritório de detetive particular em Mutant Town (o gueto mutante de Nova York, excelente idéia de Morrison que cai como uma luva aqui e também é bem aproveitada na boa revista District X). Imagine um Harlem ou Castro Street onde todos são mutantes, até mesmo as drogas. Sensacional.

Bom, mas o envio de duplos dá em merda quando um deles volta moribundo, esfaqueado. Cabe a Madrox agora saber quem quis matá-lo. A série usa de forma bem legal dois outros ex-integrantes do X-Factor na fase de David: Rahne Sinclair, a Wolfsbane (que tem o poder mutante de virar uma lobisomem) e Guido, o ótimo Strong Guy (Fortão), que agora é o “muscle man” de Jamie Madrox. Enfim, um excelente número 1, com destaque para a forma como David sacaneia sem piedade a “descompressão” e a lerdeza dos atuais roteiros de Bendis e Ellis e para o sábio colorista (Brian Reber) que evitou o clichê dos tons pastéis “envelhecidos” que sempre é usado quando querem fazer algo parecer “noir moderno”. O desenhista Pablo Raimondi tem uma excelente diagramação e ritmo narrativo e mostra ser um futuro mestre na sequência em que Madrox absorve as memórias do duplo esfaqueado. Muito bom, uma pena que seja apenas uma mini em cinco partes.
Muito legal (9 / 10)

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Alex Mandarino

2 Comments

  1. Sempre pensei que se eu tivesse o poder do Madrox isso seria exatamente o que eu faria: aprender várias artes e ciências.

    Ele pode fazer o que os fãs do Batman dizem que este faz, o que seria impossível para uma pessoa só, por mais disciplinada que fose.Posted by Anônimo Veneziano at 20:51 Thursday October 23, 2004

  2. Exatamente!! É um poder genial. Tem uma cena engraçada, quando o Madrox sai do escritório para ir a Chicago em busca do assassino. Ele deixa um duplo lá no lugar dele e, quando ele sai, o duplo fala: “Putz, eu sou a isca, é isso?”. O David ainda sacaneia o bendis no início da revista, quando o Madrox tem que repetir o que fala para um taxista e um transeunte que não entendem o que ele quer dizer e ele então diz: “Pô, tenho que falar tudo sempre três vezes seguidas?!”.Hilário.Posted by Alexandre Mandarino at 4:18 Friday October 24, 2004

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