Lost in Translation

Lost in Translation é, desde já, um dos meus filmes favoritos. É fantástico. Preciso ver Virgens Suicidas agora. Enfim, Sofia Coppola não é apenas um fruto do nepotismo, mas uma excelente diretora.

Por falar em coisas perdidas na tradução:

No “making of” de Lost In Translation, que incluíram no DVD, o “tradutor” verte “the scene where plays a My Bloody Valentine song” para “a cena em que toca a canção ‘My Bloody Valentine’.”

Na edição 2 de Pride and Joy, ótima minissérie de Garth Ennis e John Higgins, o “tradutor” da Abril muda “He’s mad” para “Ele é maluco”, em uma cena em que claramente a expressão é usada em sua versão idiomática, ou seja, “ele está com raiva” ou “ele está puto”. Como a história envolve um psicopata, a cena em questão fica totalmente truncada e gera maus entendidos graças a esse escorregão.

Por que cargas d’água escolhem um tradutor que não entende nada de gírias e expressões idiomáticas para traduzir justamente os diálogos do Garth Ennis (e olha que “He’s mad” é bem corriqueiro, não é algo como “He’s dying to feel the mudda E’s pumping on his veins”)?
Por que diabos chamam um tradutor que não entende nada de música pop dos anos 80 para traduzir diálogos sobre uma trilha sonora que tem várias pérolas dessa época (e olha que no DVD tem um clip de uma música do Kevin Shields, líder do My Bloody Valentine)?

Sei que parecem besteiras, mas isso mostra a crescente ignorância e desleixo. Por que outras gerações tiveram tradutores como Jô Soares e Barbara Heliodora, que sabiam reconhecer as referências a Shakespeare ou Miles Davis e a nossa geração não pode ter um maldito tradutor que conheça o My Bloody Valentine (ou o Jesus and Mary Chain, ou as gírias do John Constantine, ou – coloque aqui seu erro de tradução “favorito”)?

Posted in Cinema.

Alex Mandarino

3 Comments

  1. Já vi como a pérola “estilo de Kung Fu baseado no movimento da manta religiosa”. Parecia algo próprio de monges, né? Ai me toquei que deviam ter traduzido “Mante Religieuse” do francês, que é simplesmente o inseto louva-a deus. Esse estilo, popularíssimo chama-se Ton Long Chuen em chinês. É o que dá um tradutor fora de contexto.Posted by Anônimo Veneziano at 12:59 Sunday September 15, 2004

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *