Klabin

Fui com n-lo neste domingo no MNBA, ver a exposição da coleção das irmãs Eva e Ema Klabin. Pensei que fosse aquela típica coleção com alguns quadros impressionistas, mas – ledo engano. O acervo das irmãs é sensacional. Praticamente ítens de todos os estilos, épocas e lugares: vasos chineses, prataria inglesa, barroco brasileiro, mesas de xadrez, esboços de Rembrandt e Goya, telas de Renoir e Bruegel, artefatos gregos e egípcios, estátuas budistas, esculturas da Idade do Bronze, livros originais ilustrados por Picasso, manuscritos árabes. Enfim, um verdadeiro museu particular. Impressionante: parece que você está visitando outro planeta.

Curioso como algumas décadas se passarão e temos uma estirpe completamente diferente de milionários. Foram-se as bibliotecas, as grandes explorações, o mecenato, o amor pela arte e a joie de vivre; vieram o gosto vulgar pela mídia, pela publicidade barata e vazia e as viagens de compras a Miami. Você sai do Belas Artes após ver a exposição das Klabin como se tivesse acabado de descer de uma cápsula temporal, vindo de uma época onde as coisas eram mais belas, impressionantes e interessantes. Não sou nostálgico, mas uma alta classe de tal estirpe faz falta, numa épca em que o grande feito de Vera Loyola, por exemplo, é desfiar uma bolsa Louis Vuitton para mandar fazer um ridículo e inexistente sapato Louis Vuitton.

De que adianta dinheiro e atenção da mídia se a cultura e o amor à arte são inexistentes?

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Alex Mandarino

2 Comments

  1. Me lembrou a Sabina em “A insustentável leveza do ser” – demorei a ler esse porque me recusei a fazer isso quando era “moda” , rs…Ela recalma do enfeiamento do mundo, da crescente perda de senso estético. Lembro da cena no filme também, reclamando da “musak” em um restaurante

    Cada vez mais lembro disso, por onde passo…:-/Posted by ll(www) at 3:36 Thursday August 1, 2004

  2. Não li esse ainda, mas adoro aquele filme… Preciso ler o livro. E é verdade, o mundo se enfeiou progressivamente dos anos 40 para cá. Fico pensando se parte disso não é consequência da “adolescentização” da sociedade.Posted by Alexandre Mandarino(www) at 21:36 Wednesday August 7, 2004

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