Quadrinhos da Semana (24/11)

Meio atrasado, vou correr para compensar isso. Vamos lá:

30 DAYS OF NIGHT – BLOODSUCKER TALES 2
IDW
Segunda edição da antologia de contos de vampiros, dando continuidade às duas histórias.
Dead Billy Dead (Texto: Steve Niles; Arte: Kody Chamberlain) é um conto sobre o que aconteceria se um sujeito realmente virasse vampiro no mundo real. A ambientação e os diálogos de Steve Niles são realistas e bem escritos, mas a história avança de forma meio lenta para uma revista mensal (são poucas páginas por edição).
Juarez or Lex Nova And The 400 Dead Mexican Girls (texto: Matt Fraction; Arte: Ben Templesmith) mostra a verve de humor negro de Fraction, que tem diálogos hilários e um detetive com o genial tique nervoso de falar em voz alta o texto padrão de “narração em off de filmes noir”. Ainda conta com bons toques sobre a terrível realidade das adolescentes desaparecidas e assassinadas da cidade mexicana de Juarez. Os desenhos de Chamberlain e Templesmith seguem o estilo padrão da IDW: um mix de Sienkiewicz, Kyle Baker e Kent Williams
(Bom – 7 / 10)

ADAM STRANGE 3 (de 8)
DC
Texto: Andy Diggle
Arte: Pascal Ferry
Diggle continua com sua sensacional minissérie, onde Adam Strange tenta descobrir se o planeta Rann foi realmente desintegrado pela explosão de uma supernova. Salvo da morte certa em um mar cósmico de radiação por uma nave imperial thanagariana, Strange é considerado culpado pelo extermínio de Rann, após um julgamento-farsa em uma corte de Thanagar (que com isso pretende mostrar que é capaz de tomar o lugar de vigilantes do cosmo, deixado vago após o fim da Tropa de Lanternas Verdes, comandada pelos guardiões de Oa). É a deixa para que Diggle, pela terceira vez consecutiva, termine a edição com um cliffhanger de tirar o fôlego. Pascal Ferry tem se mostrado nesta série um dos 10 melhores artistas do atual quadrinho americano, imprimindo à revista uma estética de quadrinho europeu e um impecável senso de design. As naves, roupas, máquinas e o próprio planeta Thanagar exalam pura perfeição de design. Um dos melhores quadrinhos do ano, fácil.
Excelente (9 / 10)

AMAZING SPIDER-MAN 514
Marvel
Texto: J. Michael Straczynski
Arte: Mike Deodato Jr.
Termina aqui a saga Sins Past, em seu sexto capítulo (!!) e… Meu Deus do céu. Isso é TÃO ruim que desafia as descrições e palavras. Straczynski desce aqui ao nível dos piores argumentistas que já pisaram num quadrinho. O Homem-Aranha salva a filha de Gwen Stacy e Norman Osborn, com uma transfusão de sangue, porque “o sangue dele é especial e alterado geneticamente como o de Osborn”. Mary Jane Watson fica o tempo todo no hospital ao lado do Homem-Aranha e, diabos, ninguém se toca de que aquela mulher ao lado daquele super-herói desacordado num leito de hospital cercado por repórteres é uma famosa top model casada com um certo fotógrafo. O filho de Osborn e Gwen, por sua vez, vira uma espécie de versão acinzentada do Duende Verde (Duende Cinza?), luta com o Aranha no hospital, é baleado pela própria irmã (que foi salva pelo Aranha, ooh), cai do seu treco voador e perde a memória. E olha que eu nem falei dos diálogos ainda. Crom, os diálogos. Não, só com exemplos: Mary Jane observa o Aranha ser internado para fazer a transfusão de sangue e diz “Go get him, tiger”. mais? Que tal este, onde Peter pensa e explica para nós porque ele acha que o seu sangue vai funcionar na transfusão: “Porque uma vez eu perguntei a Gwen qual era o seu tipo sangüíneo, porque… Bem, porque você pensa nessas coisas quando está pensando em casar com alguém um dia”. Me poupe. Baixo nível de texto, idéias que conseguem ser tão ridículas quanto a Saga do Clone (e piores que qualquer coisa que o Howard Mackie escreveu para o Aranha) e nem mesmo o desenho do Deodato, que aqui tem recaídas Image em algumas páginas, salva essa revista de ganhar um belo zero. É tão horrendo, cafona, gratuito, repleto de clichês de séries de TV de quinta (como, err, Babylon 5) e totalmente implausível que conseguiu até mesmo me fazer perder o respeito pelo editor Axel Alonso, que editou coisas ótimas quando trabalhava na Vertigo e ainda não tinha o hábito de deixar seu cérebro em casa em prol de um contra-cheque mais gordo. Sim, é ruim nesse nível.
Fuja Dessa Merda (0 / 10)

CHOLLY AND FLYTRAP 1 (de 4)
Image
Texto e arte: Arthur Suydam
Arthur Suydam é um dos grandes gênios do quadrinho americano e deixou sua marca nos anos 80, quando colaborou para revistas como Heavy Metal e Epic Illustrated. Foi no selo Epic que Suydam começou a série Cholly & Flytrap, sobre dois mercenários em um estranho e fantasioso mundo pós-apocalíptico. C & F é um verdadeiro clássico dos anos 80 e retorna nesta minissérie em quatro partes, com material inédito e recente pelo próprio Suydam. A boa notícia é que sempre é sensacional ver alguém como Suydam ter seu material publicado. A má notícia é que a leitura deste novo material da série revela que, infelizmente, Suydam estacionou na primeira metade dos anos 80. Seu estilo de desenho continua fantástico e único, uma mistura de Will Eisner, Richard Corben, quadrinhos da golden age e Yellow Submarine, com toques de Moebius (sim, é uma mistureba, meio realista, meio cartum – e é isso que faz a arte de Suydam funcionar). Mas é uma estética extremamente datada, que certamente será familiar para quem lia a Metal Hurlant ou a Heavy Metal original, dos primeiros anos da década de 80, algo em torno de 1982 ou 1983. Personagens mezzo-surrealistas mezzo-noir em um mundo pós-apocalíptico (existe algo mais oitentista que mundos pós-nucleares?) e vilões típicos de filmes de gangsters dos anos 40 e 50, com direito a sotaques “de bandido”. Cholly & Flytrap continuam sendo personagens cativantes e o estilo de Suydam certamente garante seu espaço entre os grandes dos quadrinhos – mas é certamente um produto do seu tempo. De qualquer forma, ainda vale pela inventividade, talento e total distinção em relação a qualquer coisa que é publicada hoje em dia. Se fosse uma republicação, eu levaria em conta a época de criação e daria uma nota maior; mas, como é material novo, fica mesmo na nota 7.
Bom (7 / 10)

BATMAN 634
DC
Texto: Andersen Gabrych
Arte: Paul Lee
Apesar dos créditos errados na capa, esta edição ainda é a última a cargo do time criativo de Gabrych e Lee. E é o epílogo (finalmente) de War Games, a saga que virou o mundo de Batman de pernas para o ar. Stephanie, que foi a nova Robin por poucos meses, está morta; Tim Drake (que volta ser o Robin) e a nova Batgirl, assim como Barbara Gordon (a Oráculo) e o Comissário Gordon, estão morando e agindo fora de Gotham. Batman está numa volta às raízes: procurado pela polícia e contando apenas com a ocasional ajuda de Alfred e Dick Grayson. Gabrych aproveita esta edição de despedida para mostrar a cena até agora não contada onde Batman conta a Drake sobre a morte de Stephanie, sua namorada. Aldfred e Dick também comentam sobre lembranças e consequências de War Games. Uma edição correta, que mostra que o novato Andersen Gabrych compreende Batman como personagem e poderia ter realizado uma melhor passagem como roteirista desta revista se não tivesse sido assolado por um crossover após o outro. O traço de Paul Lee é realista e lembra o estilo de Rodolfo Damaggio (que eu gosto bastante). Bom, ao menos War Games terminou e a nova situação de Batman em Gotham é mais interessante: sem seus inúmeros ajudantes uniformizados e sem contar com a polícia. Acho que o personagem funciona melhor dessa forma mais solitária e “não-oficial”. Vamos ver o que Judd Winick e Doug Mahnke nos reservam a partir da próxima edição.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

BLACK WIDOW 3 (de 4)
Marvel Knights
Texto: Richard K. Morgan
Arte: Goran Parlov (layouts) e Bill Sienkiewicz (desenhos)
O autor de best-sellers Richard K. Morgan continua sua estréia nos quadrinhos com esta minissérie da Viúva Negra. Esqueça a Natasha Romanoff que foi líder dos Vingadores e namorou o Demolidor, aqui a Viúva está de volta ao estilo de histórias que a Marvel fazia com ela nos anos 70 e 80, em suas revistas em tamanho grande e em preto e branco: histórias de espionagem, sem super-heróis à vista. O texto de Morgan é interessante e os diálogos são fluidos e plausíveis. A trama é legal: envolve assassinos do antigo serviço secreto russo, morte em série de mulheres e uma indústria de cosméticos. Nada sensacional, mas uma história sólida e que ganha pitadas de road movie, já que a Viúva está sempre pra lá e pra cá pelas estradas americanas. Este número em especial merece uma nota acima dos dois anteriores, já que Morgan usa as ações de Natasha para abordar algumas questões envolvendo gênero e machismo, mas sem soar panfletário. A arte de Sienkiewicz se beneficia dos layouts previamente desenhados por Goran Parlov.
Bom (7 / 10)

DAREDEVIL 67
Marvel Knights
Texto: Brian Bendis
Arte: Alex Maleev
Continua a saga Golden Age, agora em sua segunda parte. Maleev continua utilizando três estilos diferentes: seu padrão normal nas cenas passadas no presente; um estilo mais simples em preto e branco para as cenas dos anos 40; e um estilo com pontilhados Roy Liechtenstein para as sequências da “década de 60” (na verdade, da época em que Murdock usava o uniforme amarelo; sei lá em que época isso se passa na cronologia Marvel atual). Bendis obtém boas tiradas com os diálogos, mas, como era de se esperar, ao longo da edição ele incorre em seus três erros primordiais: 1) Forçar o plot sobre os personagens, como peças quadradas em buracos redondos. De forma alguma Melvin Potter, o antigo Gladiador, aceitaria fazer o que ele faz nesta edição (ajudar um velho gangster a raptar, espancar e tentar matar Matt Murdock, o homem que o ajudou a se regenerar, como Demolidor e como advogado. 2) NADA acontece. Mais um número se passou e o final é exatamente o mesmo da edição anterior. Avanço de plot: zero. Nada. 3) pele fininha demais para críticas e tentativas de ser “esperto”. O diálogo da agente do FBI onde ele usa o termo “chaos magic” é forçado além do aceitável e uma tentativa infantil e francamente cretina de mostrar a língua para as críticas que ele recebeu pelo seu recente e horrendo Avengers Disassembled, cheio de furos, partes mal escritas e péssima caracterização (na série, Bendis mostra o Dr. Estranho dizendo que a magia do caos não existe; bem, Warren Ellis, em sua fase na revista do Estranho, disse exatamente que ele usava magia do caos. Isso rendeu críticas pela Internet e nas revistas especializadas). Ao invés de ficar quieto, Bendis resolve usar outra revista para sacanear quem – supostamente – o sacaneou: os leitores. E nem me peçam para começar a falar sobre os diálogos entre parênteses. Quem é que fala frases entre parênteses em voz alta?!? De escritor que eu achava bastante razoável, Bendis se revelou mais tarde um sujeito capaz de realizar apens um truque e contar apenas uma história (respectivamente, o diálogo vacilante e chato que tenta ser “realista” e o noir mal feito). Finalmente, agora, graças a esta edição e a Avengers e ao seu comportamento arrogante e debochado frente a uma enxurrada de críticas mais do que justas, ele ganha um novo status: de escritor que eu realmente não suporto. Saco, mais um ano pela frente deste mané escrevendo Daredevil ainda. No total, serão quatro anos ou algo assim da mesma história chata e auto-consciente de suas falsas qualidades “hip”. Nada leva a lugar nenhum. Se sustenta em pouquíssimos momentos de bons diálogos e graças à arte de Alex Maleev (que já me enjoou, mas é competente).
Só Para Fãs (4,5 / 10)

FLASH 216
DC
Texto: Geoff Johns
Arte: Howard Porter
Geoff Johns é um escritor bastante decente e é uma pena que justamente a revista do Flash esteja ligada à horrenda idéia que é a saga Identity Crisis. Nesta edição, Wally West consegue realizar um desejo póstumo de Barry Allen: encontrar o vilão conhecido como o Peão e, com a ajuda de Zatanna, devolver-lhe a mente e a personalidade originais (que haviam sido eliminadas pela lobotomia de vilões promovida pela Liga da Justiça – putz, só esta frase já soa incrivelmente errada). Acontece que, uma vez com sua mente restaurada, o Peão diz que, enquanto agiu como “herói”, ele “obedeceu ao evidente desejo de Barry Allen” e também realizou lobotomias em toda a Galeria de Vilões do Flash. Isso leva, evidentemente, à patética e entediante noção de que Onda Térmica e Flautista, que se regeneraram, na verdade estão apenas sob o efeito de uma lavagem cerebral. Isso é especialmente ridículo no caso do Flautista, personagem que teve sua personalidade cuidadosamente construída ao longo dos anos por Mike Baron, William Messner-Loebs e Mark Waid (e é um dos poucos personagens gays da Marvel/DC). E o mais irônico e patético é que, nesta tentativa de soar “realista”, “adulta” ou o que quer que seja, Identity Crisis só consegue ser mais binária e simplista do que os conceitos da Era de Prata. Afinal, ao que parece, ser “herói” ou “vilão”, fazer o bem ou o mal, está a apenas uma boa lobotomia de distância. Identity Crisis certamente vai ter consequências que vão deixar não só o Flash, mas toda a Liga da Justiça e o universo DC como um todo incrivelmente chato. Péssima idéia desde o início. Ah, pra piorar tudo, Howard Porter está aos poucos voltando a usar seu estilo original – que é feiaço.
Que Meleca, Hein? (2 / 10)

GREEN LANTERN – REBIRTH 2
DC
Texto: Geoff Johns
Arte: Ethan Van Sciver
A Liga da Justiça resolve encarar Hal Jordan (agora, o Espectro), mas parece que ele não foi o responsável pelas estranhas ações da edição anterior. Guy Gardner (agora novamente com um anel esmeralda) e John Stewart parecem repentinamente possuídos e atacam a Liga da Justiça. Enquanto isso, um igualmente estranho Kilowog tenta matar Kyle Rayner e roubar o corpo de Hal Jordan que (descobrimos nesta edição) está sendo protegido por Ganthet. O que me incomoda nesta saga (e me incomodava em coisas como Zero Hora) é que ela existe somente para “consertar” a cronologia e desfazer antigas ações estúpidas. Ainda não está claro o que Johns pretende (quer dizer, além de obviamente reposicionar Hal Jordan como o Lanterna Verde da Terra), mas o que ele vai fazer com Gardner, Stewart e Kyle é uma incógnita. Porém, tudo indica que a causa da loucura e subsequente transformação de Hal Jordan em um serial killer, dos atos estranhos de John Stewart (que exterminou acidentalmente um planeta em Odisséia Cósmica, lááá nos anos 80, lembram?) e da maluquice absurda de Gardner na época em que ele era um Lanterna (na Liga da Justiça de Keith Giffen) é a impureza do anel dos Lanternas Verdes. Pelo que vi e ficou subentendido nesta edição, a tal impureza, além de deixar o anel vulnerável à cor amarela, aos poucos transforma seus usuários em malucos completos. E mais: a tal impureza tem nome: Parallax. Sim, Parallax na verdade seria a impureza do anel, o que nos faz crer que Jordan esteve “possuído” esse tempo todo. É o que tudo indica. Vamos aguardar a próxima edição pra ver. Poderia ser péssima essa mini, mas Geoff Johns é bom em caracterizações e aqui está ao menos se esforçando para transformar esta idéia em algo razoável. A arte de Van Sciver é muito boa, talvez o melhor que ele – um desenhista claramente menor – já tenha feito até agora.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

HELLBLAZER 202
Vertigo
Texto: Mike Carey
Arte: Leonardo Manco
Algumas figuras proeminentes do círculo de ocultismo de Londres estão sendo atacadas – e tudo indica que Constantine é o alvo. Infelizmente, o próprio Constantine percebe isso tarde demais. Mike Carey, em algumas cenas, utiliza conceitos e ações que talvez sejam exageradas demais para esta revista, que sempre foi mais realista do que algumas outras coisas da Vertigo. Na verdade, em alguns momentos você parece estar lendo algo que se encaixaria melhor em Sandman ou Lucifer (ou em algum quadrinho de super-heróis, por incrível que pareça). Mas Carey é um bom escritor e consegue segurar nossa suspensão da descrença por boa parte do tempo. Ainda assim, espro que ele baixe a bola dos tons fantásticos nas edições seguintes. O misticismo em Constantine é mais sutil do que ele mostra aqui. Leonardo Manco, por outro lado, está irrepreensível. Seu Constantine é perfeito e desde já um dos meus favoritos; as cenas, os detalhes, a ambientação e a narrativa de Manco também são excelentes. Ótima escolha para a série.
Bom (7 / 10)

MARVEL TEAM-UP 2
Marvel
texto: Robert Kirkman
Arte: Scott Kolins
Homem-Aranha e Wolverine fazem um team-up, concluindo a história que começou na primeira edição desta série. Eu queria muito gostar desta revista, mas Robert Kirkman não está ajudando muito. Queria muito gostar pelo seguinte motivo: um título como Marvel Team-Up tem tudo para ser o antídoto perfeito à chatice realista que tem assolado a maior parte dos títulos de super-heróis. E alguns bons elementos clássicos estão presentes: a aparição de Nova em apenas uma página; a volta do Doutor Destino de uma outra dimensão, em outra página (referência a uma história recente do Quarteto Fantástico); a participação especial da SHIELD em outra página; e a aparição de um vilão maior por trás de tudo no final da história, um certo Titannus. Enfim, elementos que caracterizam a fase clássica da Marvel, nos anos 60 e 70. É engraçado, mas pela primeira vez em vários anos eu tive a sensação de “estar lendo uma história passada no universo Marvel”. Adicione-se a isso tudo a alta qualidade da arte de Scott Kolins e você tem em mãos um título vencedor, certo? Errado. Infelizmente. E são alguns tiques bobos de Kirkman que estragam tudo aqui. Assim como acontece no superestimado Invincible (que até parei de ler e resenhar por achar bem chato), Kirkman confunde “era de prata” com bobeira em excesso. Confunde “ingenuidade” com “implausibilidade”. Ele está tão empenhado em deixar a história leve que ela não fica apenas leve: fica totalmente irreal. Parece que nada está acontecendo “de verdade”. E as piadas típícas de fanboy da Internet não ajudam: “É isso que sobrou após o fim dos Vingadores? Thor deve estar rolando na tumba” (o vilão, sacaneando Aranha e Logan); “Ciclope e seus malditos uniformes” (Wolverine, irritado por ter de andar por Nova York ridiculamente vestido de amarelo e azul); “Por que nós heróis temos sempre de lutar quando nos encontramos?”. “Não sei dizer”. (diálogo entre Aranha e Logan, assim que se encontram nesta edição). “Você é tão esperto, não me admira que esteja em vários supergrupos” (Aranha zoando Logan). Enfim, o número de piscadas de olho para o leitor por página é muito grande e chega uma hora que irrita. Kirkman quer bancar o esperto e só consegue com isso deixar o plot ainda mais implausível. Dá vontade de falar para ele “cale a boca, seu babaca, e me conte uma história”. Ele não faz isso. Resultado: chegamos ao fim desta edição sem saber afinal quais eram os poderes do vilão, que nunca foram explicados. Mas os pontos altos (a integração maior entre os diversos elementos do universo Marvel, a arte de Kolins e o tom mais divertido, ao invés de sombrio, dark e recalcado como coisas como o atual Demolidor e Identity Crisis) fazem valer a torcida. Vamos ver se Kirkman consegue um equilíbrio melhor nisso tudo na próxima edição, onde o team-up é entre Dr. Estranho e Quarteto Fantástico (felizmente o Aranha não é o astro principal desta série, ao contrário da versão original dos anos 70). É só ele se concentrar na história e parar de tentar provar o que quer que seja.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

MYSTIQUE 21
Marvel
Texto: Sean McKeever
Arte: Manuel Garcia
Mystique continua sendo um dos títulos mais sólidos da Marvel e é uma pena o que foi anunciado, que será cancelado na edição 24. Bom, melhor ir embora no auge e com um final decente do que se arrastar na lama por anos a fio, como a maioria das séries. Nesta edição Mística é obrigada a fazer um trabalho para Fantomex, para que ele concorde em não denunciá-la a Charles Xavier (que ela quer matar). Para isso, ela deve ir até as Ilhas Virgens, invadir a mansão de um milionário e roubar uma determinada peça para Fantomex. Toda a sequência do roubo é sensacional, com surpresas hilárias (incluindo o próprio objeto a ser roubado, que é simplesmente genial e hilário). Enquanto isso, o diminuto telepata Shortpack continua aprisionado pelo Quiet Man, o mesmo homem para quem Mística pensa estar trabalhando. O final desse arco é imprevisível, mas certamente Mística vai matar alguém de raiva. A arte de Garcia é fluida e competente, com uma boa narrativa.
Muito Bom (8,5 / 10)

NEW THUNDERBOLTS 2
Marvel
Texto: Fabian Nicieza (com consultoria de Kurt Busiek)
Arte: Tom Grummett
Os Thunderbolts enfrentam a Gangue da Demolição e ganham um novo integrante: o velocista conhecido como Speed Demon, que também pretende se regenerar. Logo depois, eles são obrigados a enfrentar os manés da quadrilha do Games Master, que ataca o prédio das Nações Unidas, onde estão Namor e o Senhor Fantástico. Com isso, o grupo ganha mais um novo membro, a mercenária conhecida como Joystick, que agora precisa de proteção por ter traído Games Master. Talvez o título mais tradicional publicado pela Marvel atualmente, mas uma boa diversão. Apesar das injustas críticas que recebe, não acho que Fabian Nicieza seja um argumentista tão ruim assim; pelo contrário. Sólida diversão nos moldes da Marvel clássica, com excelente caracterização (o que é mais do que se pode dizer de muitos roteiristas de suposta “primeira linha” que estão por aí). E tem plots e tramas paralelas (como as que envolvem o Barão Strucker e o Homem-Púrpura), ao contrário dos plots de figuras como Bendis, por exemplo, que são lineares e contam apenas uma história de cada vez (deve ser medo dele se perder, coitado). A arte de Tom Grummett é correta.
Bom (7,5 / 10)

THE LOSERS 18
Vertigo
Texto: Andy Diggle
Arte: Jock
A penúltima parte da invasão dos Losers a uma fortaleza da al-Qaeda no meio do nada. A história se passa em 1998 e revela mais sujeiras da CIA que fizeram os Losers deixar a agência e se rebelar contra o governo americano, passando a se dedicar a detonar os planos da CIA. Diggle tem se revelado, aqui e em Adam Strange, um mestre das cenas de ação e esta edição é de tirar o fôlego, tanto em termos de ação como de revelações bizarras. A arte de Jock, como sempre, é de primeira grandeza, com grandes qualidades narrativas e sensacional senso de design. A melhor coisa da Vertigo atual, ao lado de Human Target.
Muito Bom (8,5 / 10)

FRANK IRONWINE 1
Apparat/Avatar
Texto: Warren Ellis
Arte: Carla Speed McNeil
Frank Ironwine é a primeira de uma série de quatro histórias fechadas escritas por Warren Ellis para seu selo imaginário, o Apparat. Cada edição é o primeiro número “fictício” de uma série que jamais vai continuar a ser publicada, em uma tentativa de Ellis de imaginar como seriam os gêneros policial, ficção científica, horror, etc, nos quadrinhos se o meio nunca tivesse passado pelos super-heróis. Ou seja, se os elementos dos pulps originais tivessem migrado diretamente para os comics, sem precisar ser destilados por roupas colantes circenses e super-poderes. Frank Ironwine, o detetive que bebe até cair e acorda literalmente dentro de uma lata de lixo, é um investigador à moda antiga, pré-CSI e manias forenses: ele investiga as pessoas, não só as pegadas; as cidades, não apenas os rastros. Liga as vítimas, suspeitos e paisagens em um todo psicológico, à moda de Sherlock Holmes e Columbo. A edição é curta, mas esta seria uma grande série se fosse realmente levada a cabo. Ironwine é um personagem fascinante, embora às vezes tenha uma recaída que o enquadra no “personagem-Ellis-resmungão-e-tough-guy” padrão. Carla Speed McNeil, a autora da série Finder e que também já passou por Queen & Country, tem um estilo que se alinha diretamente à sensibilidade do quadrinho underground, mais solto e expressionista do que realista propriamente dito. McNeil é genial e seu traço funciona à perfeição nesse tipo de história. Ironwine é um começo promissor desta falsa linha de quadrinhos do falso selo Apparat. Não chega a fazer desejar que os quadrinhos tivessem tomado este rumo, como talvez tenha sido a idéia de Ellis. Mas quase faz isso, o que é um tento e tanto.
Muito Bom (8 / 10)

“We’re reading traces of fossil fuel particules in the lungs… Looks like a primitive”.
(Um thanagariano após analisar os traços do organismo de Adam Strange, em Adam Strange 3).

Lembrando que o sistema de notas é
BUENO EXCELLENTE! (10)
Excelente (9 – 9,5)
Muito Bom (8 – 8,5)
Bom (7 – 7,5)
Tá, é bacana (6 – 6,5)
Só para fãs (4 – 4,5 – 5 – 5,5)
Uma porcaria (2,5 – 3 – 3,5)
Que meleca, hein? (1 – 1,5 – 2)
Fuja dessa merda (0 – 0,5)

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Alex Mandarino

2 Comments

  1. Essa coisa da impureza amarela… sei não. A Odisséia Cósmica foi uma minissérie cheia de idiotices. O Ajax tambem foi afetado ficando buro? Sempre me perguntei porque ele simplesmente não ficou amarelo, saiu da bolha verde e seguiu o John invisível… Mas mudar isso agora? Tem que ser MUITO bem feito.

    Devia haver uma regra proibindo mudar o passado. Quase nunca dá certo.Posted by Anônimo Veneziano at 20:05 Wednesday 8, 2004

  2. Pois é, tb não gosto dessas mudanças do passado. Nada a ver e sempre soa esquisito.Posted by Alexandre Mandarino(www) at 20:12 Wednesday 8, 2004

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