Quadrinhos da Semana (29/09) – Parte 4

TOMB RAIDER 46
Image / Top Cow
Texto: James Bonny
Desenhos: Eric Basaldua

Tomb Raider (ao lado de Spy Boy e uma ou outra série) é um dos meus guilty pleasures. Mas, pensando bem, no caso de Tomb Raider, o guilty é sempre presente e o pleasure nunca dá as caras. OK, nunca é exagero. Uma vez a cada século a revista publica uma história boa, como aconteceu há poucos meses, com a saga escrita por John Ney Rieber. Uma pena aqui ela volte aum estado ainda mais abismal do que o normal, graças à total falta de talento da dupla Bonny / Basaldua (olha os nomes desses caras, pra começar!). James Bonny parece que está escrevendo uma redação de colégio sobre uma “arqueóloga aventureira”. Lara Croft, apesar de tudo, é uma personagem interessante, mas Bonny atira para todos as direções erradas. Desde a desnecessária conversa telefônica inicial entre Lara e Witchblade (eca, eca, Lara Croft não deveria ter relação alguma com o detestável “universo Top Cow”) até a total linearidade e tosquice do plot. Os desenhos de Eric Basaldua fazem Ian Churchill e outros caras da segunda linha da Image parecerem gênios da arte. O cara se satisfaz em emular um Jim Lee de milésima categoria, como não se via desde, sei lá, as coisas que a Top Cow lançou no mês passado.
Pra piorar tudo, Basaldua parece viver preso dentro de uma torre, coitado, sem livros, TV, Internet, revistas ou amigos. A chegada de Lara Croft a Roma é de dar pena: a cidade é desenhada de forma a se parecer um pequeno vilarejo mexicano, não a capital da Itália. E as coisas pioram quando, no alto de uma página, um recordatório diz: “Cidade do Vaticano” – e os desenhos mostram uma espécie de igreja colonial dos pampas argentinos em uma enorme ilha. Sim, no atlas de Basaldua o Vaticano é cercado pelo oceano por todos os lados. Volta pra escola antes de querer desenhar, meu filho.
Droga, Lara Croft é uma personagem tão legal… Não é…??!
Fuja Dessa Merda (0 / 10)

METAL GEAR SOLID 1
IDW Publishing
Texto: Kris Oprisko
Desenhos: Ashley Wood

É a primeira edição da revista mensal baseada no game Metal Gear Solid, obra-prima do gênero stealth criada pelo genial Hideo Kojima, para a Konami. Eu estava até otimista em relação a este título (sem nutrir grandes esperanças, claro). Mas acontece que tudo aconteceu ao contrário. Eu tinha achado que Ashley Wood, apesar de excelente artista, era uma péssima escolha para um quadrinho de espionagem/ação baseado em um game: seu traço, pintado e meio nublado, poderia ser confuso para uma revista desse gênero.

Ledo engano. Wood mostra que consegue manter seu estilo propositalmente indefinido e onírico e ao mesmo tempo contar uma história onde o diabo está nos detalhes, como sempre acontece no gênero espionagem. E, ao contrário, onde eu achei que não tinha como errar… pisaram feio na bola: a história.

A trama de Solid Snake, gênio da espionagem que está traumatizado após tantos anos em ação e agora se dedica a criar cachorros e levar uma vida zen, etc, até que é obrigado a voltar á cena em uma última missão de infiltração, é prato cheio para uma revista em quadrinhos pop. Infelizmente, o “escritor” Kris Oprisko parece levar as coisas meio ao pé da letra. Só porque disseram pra ele que Metal Gear Solid era uma adaptação do game homônimo, ele cuidou apenas de roteirizar EXATAMENTE o que acontece no jogo, passo a passo. Resultado: no final desta primeira edição, você está em um dos períodos iniciais do game – e já sabe o que vai acontecer, porque você jogou aquela maldita história antes. OK, para quem nunca jogou talvez funcione, mas isso me parece perder de vista o motivo de se lançar uma série baseada em Metal Gear Solid.

E quem nunca jogou certamente não vai se impressionar com o “estilo” de Oprisko. O texto é tão simples e canhestro que chega a ser constrangedor. Sinceramente, em vários momentos eu tive a impressão de que um menino de dez anos estava me narrando o que aconteceu em um game que joguei anos atrás – e por algum motivo eu olhava para alguns bons desenhos do Ashley Wood enquanto ele fazia isso.
Ainda há esperança para esta série, mas tudo vai depender do roteirista. Três opções estão à vista: ou ele mostra competência em sua primeira história original (sei lá, talvez ele simplesmente não saiba adaptar games tão ao pé da letra assim – e quem diabos estava esperando uma adaptação ao pé da letra, afinal?); ou ele é trocado por outro cara após o fim desse arco; ou a revista não vai durar muito tempo.
A nota só não cai tanto hgraças à força da arte de Ashley Wood e, apesar da má adaptação, dos personagens e do mundo criados pelo game master Hideo Kojima. Vamos ver no que vai dar isso.
Só Para Fãs (4 / 10)

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Alex Mandarino

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