Quadrinhos da Semana (20/10)

OK, as resenhas dos quadrinhos lançados no dia 20 de outubro:

ADVENTURES OF SUPERMAN 633
DC
Texto: Greg Rucka
Arte: Matthew Clark

Greg Rucka surpreendentemente consegue atualizar de forma competente – e até mesmo assustadora – o clássico vilão Parasita, da galeria de bad asses do Superman. O último sobrevivente de Krypton é um personagem que implora, chora e esperneia por um revamp decente, mas o título escrito por Rucka cumpre sua função, que é contar histórias razoavelmente decentes sobre o Homem de Aço. Casá-lo com Lois Lane, infelizmente, cada vez mais se mostra ter sido uma péssima, péssima decisão.
As cenas “domésticas” detsa edição, apesar de bem escritas, são o ponto fraco que quebra o clima geral da história envolvendo a dupla de novos Parasitas. Bom cliffhanger, contudo. Mais interessante do que eu pensei. Ah, Matthew Clark é mais um wannabe de Jim Lee, mas não chega a ser ruim.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

THE BOOKS OF MAGICK – LIFE DURING WARTIME 4
Vertigo
Texto: Si Spencer (de uma história de Spencer e Neil Gaiman)
Arte: Dean Ormston

Talvez o título mais freak atualmente publicado pela Vertigo, Books of Magick (agora em nova versão com “k” para o seu prazer) começa a impressionar de forma positiva. A estranheza começa já na proposta, que na prática é um elseworld. Spencer tem boas idéias em relação aos dois pontos centrais da trama: magia como warfare em uma batalha mística entre reinos rivais e a irrealidade da atual vida de Timothy Hunter, que aparentemente está levando uma vida corriqueira em uma “realidade” forjada, para que ele fique escondido do lado inimigo da guerra. No fim desta edição, Tim começa a perceber que há algo errado com esta realidade. Normalmente eu não gosto de Elseworlds, mas este título começa a ganhar meu respeito (não que eu estivesse achando ruim antes, pelo contrário). A arte de Dean Ormston, esquisitíssima, combina com o tom geral da série.
Muito Legal (8 / 10)

CONAN 9
Dark Horse
Texto: Kurt Busiek
Arte: Cary Nord e Thomas Yeates

Cary Nord volta à arte, após uma edição fill-in – e seu estilo nesta série continua a impressionar, seguindo a estética lírico-bárbara de Frank Frazetta. Nesta edição, Busiek mostra Conan contando vantagem em uma taverna, após ser desrespeitado por um nobre da “civilizada” capital chamada Nemédia (a “Roma” da Era Hiboriana). No bar, o cimério conta para quem quiser ouvir como invadiu a torre do tal nobre e roubou seus pertences mais importantes. O final é surpreendente, mas é uma edição de preparação para o novo e mais arriscado roubo que o bárbaro deve empreender no próximo número. Menos impressionante que edições anteriores desta série, mas ainda uma boa leitura. O que mais chama a atenção no Conan de Busiek é como o personagem é bem mais tridimensional que a versão tradicional que era publicada pela Marvel.
Tá, é Bacana (7,5 / 10)

FANTASTIC FOUR 519
Marvel
texto: Mark Waid
Arte: Mike Wieringo

A luta do Quarteto contra os alienígenas que querem eliminar Sue Richards termina de forma surpreendente, com (provável spoiler) Reed sendo obrigado a fazer Sue e Johnny trocarem de poderes. A cena em que Sue se inflama pela primeira vez é sensacional, mostrando toda sua alegria ao poder voar e controlar o fogo. Infelizmente, coube a Johnny Storm o poder da invisibilidade e por isso a edição termina com ele, ao invés de Sue, sendo atacado por Galactus. Aliás, a aparição de Galactus, no fim da revista, é o ponto alto desta edição. Wieringo tem conseguido realizar uma boa mistura de suas sensibilidades mais pop/mangá com o estilo tradicional da Marvel, próprio dos melhores momentos do Quarteto. Uma grande série, em boa fase.
Muito Legal (8 / 10)

HUMAN TARGET 15
Vertigo
Texto: Peter Milligan
Arte: Cliff Chiang

Segunda parte do arco The Second Coming, onde Christopher Chance é obrigado a se passar por um messias moderno. Esta edição é ainda mais impressionante que a anterior, com excelentes diálogos e situações a cargo de Milligan. A arte de Cliff Chiang é solidamente realista e estetizada ao mesmo tempo e este Human Target vem mostrando que o artista é um dos melhores do quadrinho atual. As cenas em que Chance se vê frente à difícil situação de ter de realizar “milagres” são o ponto alto. O cliffhanger é impressionante e deixa abertas várias possibilidades para a conclusão deste arco, na próxima edição. Uma série sólida e excelente, com algumas das melhores cenas e diálogos da carreira de Peter Milligan.
Excelente (9,5 / 10)

LUCIFER 55
Vertigo
Texto: Mike Carey
Arte: Marc Hempel

A arte de Marc Hempel (Gregory; Sandman) como desenhista convidado é uma sensacional surpresa. Hempel, dono de um estilo único, é presença rara nos quadrinhos atuais, o que é uma pena. Nesta edição onde Lucifer não aparece (coisa que Carey adora fazer e que realmente funciona), vemos um inferno genialmente retratado por Hempel, onde um dos condenados começa a pregar palavras de perdão, boa vontade e convivência. E, pior: convertendo boa parte dos demônios, que começam a ajudar os condenados, ao invés de puni-los. Isso deixa Remiel, o anjo que atualmente é o responsável pelo inferno, junto com seu irmão Duma, desesperado. Aliás, a caracterização de Remiel e
Duma é o ponto alto desta edição, além da arte de Hempel e da idéia em si. Como Duma, o anjo do silêncio, se concentra em plantar flores nas regiões fronteiriças do inferno, cabe forçosamente a Remiel a obrigação de tomar as decisões escrotas que um lorde do inferno deve tomar. Até o final da edição, onde – pela primeira vez – Duma finalmente fala e ao mesmo tempo subverte toda a hierarquia infernal com uma decisão surpreendente que certamente vai mudar o rumo desta série, que caminha para o seu final.
Excelente (9 / 10)

MADROX 2
Marvel Knights
Texto: Peter Milligan
Arte: Pablo Raimondi

A segunda edição desta minissérie mantém a forte boa impressão do sensacional primeiro número. Jamie Madrox chega a Chicago e começa a investigar a morte de seu duplo. O conceito aplicado por David a este personagem é simplesmente brilhante e Pablo Raimondi é, desde já, um dos meus desenhistas favoritos graças unicamente a estas duas edições. Uma série original, inteligente, bem escrita e bem desenhada, com personagens fascinantes. David dribla com precisão as convenções chatas dos quadrinhos de mutantes da Marvel e realiza aqui uma sensacional paródia de hard
boiled, com toques brilhantes em relação ao poder de Madrox, que se revela um dos mais legais da história dos quadrinhos, graças à imaginação de David. Uma aula de como os quadrinhos de super-heróis deveriam ser. As capas de David Lloyd (V de Vingança) também ajudam.
Excelente (9,5 / 10)

OCEAN 1
Wildstorm
Texto: Warren Ellis
Arte: Chris Sprouse

Primeira edição desta minissérie em seis partes que mostra um detetive de Nova York (no ano 2104) embarcando para uma das luas de Júpiter para investigar bizarros acontecimentos. O tom e o ritmo são mais lentos que o normal, como tem acontecido com as séries de Warren Ellis desde que ele resolveu adotar a “descompressão” dos quadrinhos voltados para a leitura no formato trade paperback. O que deixa outras séries recentes de Ellis quase insuportáveis aqui realmente funciona. Talvez porque no universo de Ocean as coisas realmente sejam fantásticas e impressionantes e faça sentido “atrasar” a velocidade da narrativa para que as cenas sejam mostradas de forma a gerar sense of wonder. Ou talvez porque Chris Sprouse seja um artista infinitamente melhor que os outros sujeitos com quem Ellis tem trabalhado. Sprouse (Superman, Tom Strong) realiza aqui um excelente trabalho, em termos de criação de um mundo imaginário, narrativa e enquadramentos. Um ótimo começo para uma série que promete ter conceitos impressionantes. Vamos torcer para que Ellis não entre em seu modo “cínico-New Scientist-pesquisei isso no Google” atual, que tem atrapalhado séries como Ultimate Fantastic Four.
Excelente (9 / 10)

PLASTIC MAN 11
DC
Texto e arte: Kyle Baker

Plastic Man e seus amigos (incluindo a hilária adolescente vampira de quem O’Brien se tornou tutor na edição passada) são convocados até a Casa Branca, para ajudar o presidente americano (na cronologia DC, Lex Luthor). Luthor acaba de criar um novo Superman Bizarro, mas problemas hilários fizeram com que Luthor, Bizarro, a cientista responsável pelo projeto, um sapo e um gato trocassem de cérebros. Nada mais que um ponto de partida para que Baker destile seu humor extra-hilário habitual, aqui ainda por cima com críticas sutis ao “modo Bush” de falar e discursar. Uma série sensacional, infelizmente demonstrando que o público de super-heróis talvez não seja sofisticado o suficiente para algumas empreitadas, dada a baixa vendagem desta revista. Simplesmente genial, tanto em termos de roteiro como de desenho. Um verdadeiro quadrinho de autor, exalando um inacreditável senso pop. O diálogo inicial entre Superman e Luthor, nas páginas iniciais antes de Plastic Man entrar em cena, já valem o preço do ingresso.
Bueno Excellente! (10 / 10)

STOKER’S DRACULA 1
Marvel
Texto: Roy Thomas (a partir do romance de Bram Stoker)
Arte: Dick Giordano

Uma revista atípíca para os dias de hoje, esta minissérie em seis partes se revela uma grata surpresa. A adaptação feita por Roy Thomas e Dick Giordano do romance Drácula, de Bram Stoker, era serializada em magazines P&B da Marvel a partir de 1973, mas poucos meses depois a revista onde a série saía foi cancelada e o projeto ficou inconcluso. Mais de 30 anos depois, para surpresa de todo mundo, inclusive do próprio Roy Thomas, um dos editores da Marvel, Mark Beazley, entrou em contato com Thomas e Giordano para que a série fosse finalmente concluída. Esta primeira edição contém as quatro primeiras partes, que saíram originalmente em Dracula Lives! 5 a 8, nos anos 70. A segunda edição conterá as próximas quatro partes, também reedições de histórias dos anos 70 e finalmente, nas últimas quatro revistas da série, teremos a conclusão, inédita e tão esperada por Thomas e Giordano, que a essa altura nem imaginavam que a adaptação do romance pudesse ser publicada. Bem, 30 anos depois e ela finalmente vai sair. Claro que, para o bem e para o mal, ela soa exatamente como um quadrinho de 30 anos atrás, mas esse problema é minimizado porque estamos falando de gente do calibre de Roy Thomas, Dick Giordano e, por tabela, Bram Stoker. A adaptação do romance feita por Thomas talvez seja a mais fiel que já vi, não importa para qual mídia. E o melhor é que todas as cenas originais e partes do texto de Stoker estão lá, mas isso não faz com que tudo pareça um romance ilustrado ou um quadrinho metido a livro. É um bom quadrinho, com fantástica arte em preto e branco de Dick Giordano, no estilo “ilustrador” praticamente inexistente nos dias de hoje. Ao mesmo tempo um belo resgate de um material clássico inconcluso e uma aula de narrativa clássica sem frescuras. Nesta edição vemos a chegada de Jonathan Harker ao Castelo Drácula e sua difícil situação de “convidado” prisioneiro em um reino de facetas tenebrosas. Pouca ação, mas clima e atmosfera de sobra.
Muito Legal (8, 5 / 10)

Também saíram nesse mesmo dia a graphic novel The Wicked West, da Image, mesclando western e horror, e a primeira edição de Toe Tags, da DC, a minisssérie escrita pelo mestre dos zumbis George Romero. Ainda não li estas duas prováveis pérolas, por isso as resenhas das duas entram na próxima leva.

UPDATE:
Já li as duas que faltavam e resolvi colocar logo no ar as suas resenhas.

THE WICKED WEST
Image
Texto:
Todd Livingston e Robert Tinnell
Arte: Neil Vokes

Uma graphic novel de mais de 90 páginas, escrita por dois roteiristas de cinema. O mesmo trio foi o responsável pela graphic novel The Black Forest. Aqui eles misturam faroeste e horror, com um resultado bastante simpático. Um estranho misterioso chega a uma cidade do Texas, em 1870, para se candidatar a uma vaga de professor. Mortes misteriosas acontecem e ele, claro, é acusado pelos habitantes do lugarejo. Mas na verdade a matança é obra de um horrendo vampiro ancestral que mora nas cavernas próximas à cidade. A mescla de gêneros funciona de forma bastante coesa. A forma da narrativa também ajuda: a história original, em 1870, é alternada com cenas passadas em 1932, quando um dos sobreviventes do massacre causado pelos vampiros, já idoso, assiste a uma adaptação para o cinema de toda a história. É curioso comparar as diferenças entre as duas narrativas, a real e a do filme. A versão para o cinema, claro, é extremamente mais asséptica e careta, com personagens idealizados e inofensivos, o que funciona como um comentário social à parte. Uma boa graphic novel, ágil e com bons desenhos. Pode agradar tanto a fãs de faroeste como de horror.
Muito Legal (8 / 10)

TOE TAGS 1
DC
Texto: George Romero
Arte: Tommy Castillo

Primeiro número desta minissérie de zumbis escrita pelo cineasta George Romero, autor de A Noite dos Mortos Vivos. Em sua estréia nos quadrinhos, Romero decepciona um pouco. Não que a história seja ruim, mas este primeiro número soa como como uma coleção de cenas requentadas e extraídas de filmes como Madrugada dos Mortos e Extermínio. Vou aguardar o desenrolar da história, mas por enquanto Romero não consegue trazer nada de novo: uma mulher tenta sobreviver em meio a uma cidade tomada por zumbis, em busca do seu ex-namorado (ao que parece). Os desenhos de Tommy Castillo são bons, cumprindo o seu papel – apesar de perderem fôlego frente à ótima capa criada por Bernie Wrightson. Mas o roteiro de Romero, morno e sem graça, faz com que tudo soe como um quadrinho oitentista da Dark Horse ou uma história daquelas antologias publicadas pela Marvel, como Bizarre Adventures. Esperava mais desta revista. Vou ficar até o final, já que não chega a ser ruim, para ver se as coisas esquentam e tomam caminhos mais originais.
Tá, é Bacana (6,5 / 10)

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Alex Mandarino

2 Comments

  1. Já saiu no Brasil o Dracula do Bram Stocker em uma única edição, acho que foi pela Bloch editores. Uma versão muito resumida mas bastante fiel. Acho que foi pela Marvel, mas teria que procurar em pilhas transilvânicas de revistas pra conferir…Posted by Anônimo Veneziano at 9:16 Saturday November 30, 2004

  2. Existe também uma adaptação meio cabulosa feita pelo Colonese que foi lançada há alguns anos atrás em forma de mini-série.Posted by Massula at 21:40 Tuesday December 2, 2004

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