Um dos poucos três ou quatro quadrinhos decentes que ainda estão sendo publicados por aqui é Tom Strong, fantasia heróico-aventureira escrita pelo magnífico Alan Moore. Strong é uma homenagem bem legal aos antigos personagens dos pulps dos anos 30 e, em certa medida, também aos quadrinhos da cahamada Era de Prata (os anos 60). Ou seja, felizmente nada irritantemente sombrio e violento como os quadrinhos dos anos 90 costumavam ser. O personagem principal, Tom Strong, é uma espécie de übermen pop, criado pelos pais cientistas para ser o próximo passo na escala evolutiva. O número 3 está nas bancas e tem ótimos desenhos de Chris Sprouse. Um dos raros bons quadrinhos que têm saído por aqui. As outras opções são Dylan Dog e Martin Mystére, dois ótimos fumettis da Bonelli que estão saindo aqui pela Conrad; Lobo, o Looney Tunes Wes Craven da DC, que está saindo pela Brainstore; Banner, minissérie do Hulk desenhada pelo lendário Richard Corben, pela Mythos; e um ou outro álbum da Via Lettera ou Conrad (que lançou um do Hunt Emerson bem legal). Pouquíssimas opções, se comparado ao mercado nacional do final dos anos 80-início dos 90, mas em tempos de crise, tradutores semi-alfabetizados e editores amadores, já é mais do que poderíamos esperar. O resto, só importado. As traduções nacionais, quando não são francamente erradas (como “some say”, traduzido para “um dia” na primeira página do primeiro número de Os Invisíveis), são ridiculamente paulistas e cafonas. Me recuso a ler coisas como “biduzão” em um diálogo. Infelizmente, algumas de minhas séries mais queridas, como Invisibles e Preacher, têm saído por aqui em edições “favelium”, com um texto final em português que não faz o menor sentido, seja gramatical ou literário. Porra, paguem um revisor decente. Uma amiga minha comprou Os Invisíveis por recomendação minha e achou o texto muito ruim. “Não é possível”, pensei. Peguei emprestado as edições dela e vi que, sim, era possível. O texto não fazia o menor sentido. 

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Alex Mandarino

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