Mystic River

Assisti ontem ao filme Sobre Meninos e Lobos (Mystic River), de Clint Eastwood.

Ainda estava com um gosto amargo na boca ontem e só hoje (acho) que dá para falar sobre o filme. Talvez seja o melhor filme do ano e, se Sean Penn, Tim Robbins e Marcia Gay Harden não levarem os Oscar de melhor ator, ator coadjuvante e atriz, o Oscar é uma marmelada. Eastwood está dirigindo de forma cada vez mais magistral (lembram-se dos excelentes Bird e os Imperdoáveis?). E Mystic River ao menos mostra definitivamente que o velho Clint definitivamente NÃO É Stallone ou Charlton Heston e passa muito, muito longe da National Rifle Association. O filme é uma corrente de acontecimentos que teve origem em uma tragédia infantil e mostra como escolhas e encruzilhadas ruins desembocam em novas escolhas ruins. Imperdível (vá assistir hoje mesmo – mas vá de bom humor).

Clint Eastwood era acusado de ser canastrão e fascista quando eu era garoto, nos anos 70. Não entendia os motivos. Adorava os filmes dele. A série Dirty Harry é a única coisa que se aproxima dessa visão, mas ainda assim isso é discutível. Clint fez papéis em filmes excelentes, trabalhou com uma lenda viva como Sergio Leone em ótimas produções. E, de “canastrão pistoleiro”, evoluiu para o diretor de Bird (o filme de jazz definitivo), Os Imperdoáveis (o faroeste definitivo) e agora esse Mystic River, que tem sucesso onde Michael Moore não teve. Moore, em seu Bowling for Columbine, procurou “culpados”, sem encontrar nenhum. Eastwood vai mais além: ele não procura nada, mas encontra. Não existem culpados no terreno da tragédia.

Mystic River é sensacional e tem apenas UM tiro na história. Um único tiro, realçado pela direção de Clint de forma magistral, nos fazendo lembrar que balas não são paçoca, que podem ser distribuídas livremente por aí. Para desespero dos caras do meu lado no cinema, que acharam o filme lento, arrastado, chato e ruim (maldita síndrome do déficit de atenção, até onde ela pode ir??). Clint é um autor sensacional: além de excelente diretor, tem um estilo próprio facilmente perceptível nos filmes que dirige. E, para minha surpresa, nos créditos finais descobri que a trilha sonora do filme (ótima) também é dele.

De pistoleiro western-spaghetti a talvez o melhor diretor americano atual, cineasta no sentido original da palavra, autor e compositor. Como não admirar um cara desses?

Vão correndo ver Mystic River (título que, não por acaso, soa como “river of mistakes”). Além das excelentes performances de Sean Penn, Marcia Gay Harden (adoro ela) e Tim Robbins (Oscar neles!), o filme tem Kevin Bacon e Laurence Fishburne, em bons momentos.

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Alex Mandarino

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