O calor, recém-chegado do Zimbabwe, me chamou para fora de casa. Andei pela praia por alguns quarteirões. Quer dizer, “praia” é um termo que deixou de ser aplicável à “praia” das Pitangueiras há mais de vinte anos. Minha avó jura que, quando veio morar aqui, no início dos anos 50, a água era cristalina. Hoje, nem na areia dá para pisar. Mas de noite, vendo do asfalto, a escuridão esconde a sujeira e o mar de óleo e até que fica bonito. A Lua estava espantosamente cheia e a superfície da água refletia um vasto brilho de zinco. Ao lado do reflexo da lua, uma pequena ilha transformada em refinaria de óleo, com as luzes todas acesas, deixava sobre a água um reflexo do mesmo tamanho, só que dourado. Pareciam irmãos negativos de diferentes dimensões, como em um número de Invisibles. 

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Alex Mandarino

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